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Aumento da receita do Ipsemg é questionado por usuários durante audiência na ALMG - Rede Gazeta de Comunicação

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Aumento da receita do Ipsemg é questionado por usuários durante audiência na ALMG

Servidores relatam dificuldades para marcar consultas e exames, falta de profissionais e redução da rede credenciada; direção do instituto afirma que reajuste permitiu ampliar investimentos

O aumento da arrecadação do Ipsemg Saúde após o reajuste das contribuições, em vigor desde abril de 2025, não teria sido acompanhado, na mesma proporção, pela melhoria dos serviços oferecidos aos servidores estaduais. A avaliação foi apresentada por usuários e representantes de trabalhadores durante audiência da Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta terça-feira (15).

A discussão teve como foco o plano de investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) após a elevação das contribuições. A estimativa é de que o reajuste tenha representado R$ 954 milhões a mais na arrecadação até o fim de 2026.

A legislação que alterou os valores estabeleceu contribuição mínima de R$ 60, ante os R$ 34,55 anteriores, enquanto o teto passou de R$ 287,86 para R$ 500. Embora a contribuição dos servidores tenha permanecido em 3,2%, foi criada uma alíquota adicional de 1% para usuários com mais de 59 anos. Também passaram a ser cobradas contribuições de cônjuges e dependentes.

A justificativa para a mudança foi a necessidade de reduzir o déficit do Ipsemg Saúde. Durante a audiência, porém, usuários questionaram se os recursos adicionais estão efetivamente se refletindo na ponta do atendimento.

Entre as principais reclamações estão a dificuldade para agendar consultas e exames, a dependência da rede credenciada e a falta de profissionais, clínicas e hospitais conveniados em cidades do interior. Também foram relatadas dificuldades relacionadas à disponibilidade de materiais necessários para procedimentos médicos.

Presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Cristiana Oliveira relatou que tenta marcar um exame de ultrassom desde agosto, sem conseguir atendimento. Na avaliação dela, o crescimento da rede credenciada não teria acompanhado adequadamente a redução ou a capacidade da rede própria.

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Elaine Cristina Ribeiro, dirigente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), também relatou dificuldades para conseguir exames. Ela classificou a situação como inadmissível e mencionou ainda o encerramento de convênios com clínicas e hospitais do município.

Outro relato apresentado na audiência foi o de Núbia Roberta Dias, diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde). Após realizar uma cirurgia de catarata, ela descobriu que a clínica onde havia sido atendida já não fazia parte da rede credenciada no momento do retorno. Segundo ela, outras unidades conveniadas informaram que as cotas mensais de procedimentos já estavam esgotadas.

Trabalhadores cobram valorização

Além dos problemas relacionados à assistência, representantes dos servidores do próprio Ipsemg defenderam mudanças na estrutura de pessoal do instituto.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Ipsemg, Pedro Oliveira, afirmou que os baixos salários dificultam a permanência dos profissionais e contribuem para a rotatividade. Segundo ele, mesmo com 25 anos de atuação no instituto e formação superior, o salário-base é de R$ 2.043.

A vice-presidente da entidade, Marina Costa, defendeu a revisão das carreiras e a valorização dos trabalhadores. Segundo ela, a remuneração no Ipsemg estaria abaixo até mesmo dos valores praticados pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que também enfrenta defasagem salarial.

Instituto aponta investimentos

A direção do Ipsemg apresentou durante a audiência uma série de números para demonstrar os efeitos do aumento das receitas.

Segundo o presidente do instituto, André Luiz dos Anjos, os recursos adicionais possibilitaram investimentos na rede própria, especialmente no Hospital Governador Israel Pinheiro. Entre as medidas citadas estão a abertura de 177 leitos, a ampliação de exames e a contratação de novos servidores.

Atualmente, conforme os dados apresentados, 376 aprovados em concurso público estão em exercício. O número de profissionais credenciados também teria aumentado de 767, em 2024, para 1.047, em 2026.

Entre as principais intervenções no hospital está a reabertura da ala B, que permanecia fechada desde 2014. A obra de manutenção recebeu R$ 24 milhões. Outros R$ 21 milhões foram destinados à compra de mobiliário, equipamentos e utensílios.

De acordo com o Ipsemg, os investimentos contribuíram para reduzir o tempo médio de internação e a espera por atendimento na urgência, além de aumentar o número de cirurgias e altas hospitalares. O instituto também informou ter retomado exames ambulatoriais e ampliado o atendimento da rede.

Dos R$ 954 milhões adicionais previstos com o reajuste, 65% foram destinados à rede contratada, 25% aos gastos com pessoal, 7% à rede própria e 3% à gestão do instituto.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), autora do requerimento da audiência, questionou a metodologia utilizada na apresentação dos resultados. Para ela, seria necessário comparar os mesmos indicadores e recortes regionais utilizados antes da aprovação do reajuste, permitindo identificar de forma objetiva quais serviços melhoraram após a mudança.

Segundo a parlamentar, as informações apresentadas na audiência serão sistematizadas e encaminhadas ao Tribunal de Contas, que poderá acompanhar a aplicação dos recursos e a situação do atendimento prestado pelo Ipsemg.

O debate expôs, assim, uma diferença entre os indicadores apresentados pela gestão e a percepção de parte dos usuários: enquanto o instituto aponta aumento de investimentos, expansão da rede e ampliação da capacidade de atendimento, servidores e beneficiários relatam dificuldades que permanecem principalmente na marcação de procedimentos e no acesso à assistência médica no interior de Minas.