Reunião em Montes Claros vai orientar gestores sobre prevenção, estiagem, segurança hídrica e medidas de resposta diante de possíveis alterações no cenário climático
A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS) e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais (Cedec-MG) vão realizar, em Montes Claros, um encontro voltado à orientação dos municípios do Norte de Minas sobre os possíveis impactos do fenômeno climático El Niño. A iniciativa pretende fortalecer o planejamento das administrações municipais e ampliar a capacidade de prevenção e resposta diante de eventuais períodos de estiagem mais severos.
A realização do encontro foi discutida na manhã desta quinta-feira (6), na sede da AMAMS, em Montes Claros, durante reunião entre o presidente da entidade, Ronaldo Soares Mota Dias, prefeito de São João da Lagoa, e o coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Rezende.
Durante a reunião, foram analisados cenários climáticos previstos para a região e a necessidade de antecipar medidas que possam reduzir os impactos de uma possível intensificação da seca.
A preocupação está diretamente relacionada às características do Norte de Minas, região historicamente marcada por períodos prolongados de estiagem e pela dependência de recursos hídricos para a manutenção das atividades econômicas e da vida das comunidades rurais.
De acordo com as avaliações discutidas durante o encontro, uma eventual intensificação da estiagem poderá produzir efeitos em diferentes setores da economia regional. Entre os principais pontos de atenção estão a produção agropecuária, o abastecimento de água e a situação financeira dos municípios.
A atividade rural possui papel estratégico na geração de renda em grande parte do Norte de Minas. Uma redução na disponibilidade de água pode afetar tanto a produção agrícola quanto a criação de animais, com reflexos sobre a renda das famílias e a movimentação econômica das cidades.
Para o presidente da AMAMS, o planejamento precisa começar antes que os problemas se agravem.
“O Norte de Minas conhece os efeitos da seca e sabe o quanto ela pode comprometer a produção rural, o abastecimento de água e a própria capacidade financeira dos municípios. Por isso, precisamos trabalhar de forma preventiva, unindo a AMAMS, a Defesa Civil e as prefeituras para que os gestores estejam preparados e possam agir rapidamente diante de qualquer agravamento do cenário climático”, afirmou Ronaldo Soares Mota Dias.
A proposta é que os municípios tenham acesso a informações e orientações técnicas para identificar riscos, organizar estratégias e estabelecer medidas de resposta antes que uma eventual estiagem prolongada provoque situações de emergência.
A preocupação com a seca não se limita à produção agropecuária. Para a AMAMS, os efeitos de uma estiagem mais intensa podem se espalhar por toda a economia regional.
Com a queda da produção, produtores podem ter redução de renda e menor capacidade de comercialização. Ao mesmo tempo, os municípios podem registrar redução na circulação de recursos e na arrecadação, enquanto aumenta a procura por serviços públicos e políticas de assistência.
“Quando a produção diminui, o produtor deixa de comercializar, as famílias perdem renda e os municípios passam a enfrentar uma demanda maior por assistência. É um efeito em cadeia que atinge toda a economia regional. Precisamos, portanto, antecipar as ações e buscar soluções permanentes para a convivência com a seca”, destacou o presidente da AMAMS.
O planejamento deverá envolver diferentes áreas da administração pública, incluindo agricultura, pecuária, saúde, assistência social, abastecimento de água e defesa civil.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, principalmente nas porções central e oriental.
Esse aquecimento modifica padrões da circulação atmosférica e pode influenciar temperaturas e regimes de chuva em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos do fenômeno podem variar conforme a região. Entre as possibilidades estão aumento das chuvas no Sul, temperaturas mais elevadas em partes do Sudeste e redução das precipitações em determinadas áreas do Norte e Nordeste.
É justamente a possibilidade de alterações no regime de chuvas que coloca o Norte de Minas no centro das discussões preventivas.
Para os municípios, o acompanhamento das previsões climáticas permite organizar ações com antecedência e reduzir a necessidade de respostas emergenciais quando os efeitos da seca já estiverem instalados.
Entre as medidas defendidas pela AMAMS está o aproveitamento da estrutura hídrica existente na região.
A entidade trabalha para viabilizar a instalação de sistemas de energia solar em poços artesianos já perfurados, com o objetivo de ampliar a capacidade de abastecimento de comunidades rurais e famílias que vivem em áreas mais vulneráveis à estiagem.
A proposta considera a existência de mais de mil poços perfurados na região. Com a instalação de sistemas de geração de energia solar, esses equipamentos poderiam ser utilizados de maneira mais eficiente, reduzindo custos de operação e ampliando a segurança hídrica das comunidades atendidas.
A iniciativa também busca diminuir a dependência de soluções emergenciais durante os períodos de seca.
Além das ações relacionadas ao abastecimento de água, a AMAMS defende que os municípios adotem um planejamento integrado para enfrentar diferentes possíveis cenários climáticos.
Agricultura, pecuária, saúde, assistência social e defesa civil precisam atuar de maneira articulada, já que os efeitos de uma estiagem prolongada podem atingir simultaneamente diferentes setores.
A realização do encontro em Montes Claros deverá reunir representantes das prefeituras, da Defesa Civil e de instituições parceiras. A intenção é apresentar informações sobre o cenário climático, orientar os gestores e discutir medidas preventivas.
A iniciativa também busca fortalecer a capacidade dos municípios de identificar riscos e organizar respostas mais rápidas diante de situações de emergência
Para uma região acostumada a conviver com a seca, a estratégia é transformar a experiência acumulada em planejamento permanente. Em vez de esperar a falta de água atingir comunidades, propriedades rurais e cidades, a proposta é antecipar ações, aproveitar estruturas já existentes e ampliar a segurança hídrica.
O encontro entre AMAMS e Defesa Civil representa, assim, mais uma etapa na construção de uma estratégia regional de preparação para possíveis mudanças no cenário climático, colocando a prevenção, o planejamento e a convivência com a seca no centro das ações dos municípios do Norte de Minas.


