Colisão entre ônibus e carreta em trecho próximo a Salinas reacende pressão por duplicação e melhorias estruturais na rodovia; entidade regional afirma que demora na concessão coloca vidas em risco diariamente
Um grave acidente registrado na manhã deste domingo (24) na BR-251, no Norte de Minas Gerais, voltou a expor a situação crítica de uma das rodovias mais perigosas do país e reacendeu a cobrança por obras urgentes de duplicação, modernização e melhoria da infraestrutura viária. A tragédia deixou oito pessoas mortas e nove feridas após uma colisão envolvendo um ônibus de passageiros e uma carreta carregada com rodas de pneus, nas proximidades do município de Salinas.
O acidente ocorreu no km 236 da rodovia federal e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, perícia técnica e profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Segundo informações das autoridades, o ônibus transportava 15 passageiros e dois motoristas no momento da colisão.
Com o impacto, os veículos pegaram fogo rapidamente. Oito vítimas morreram carbonizadas ainda no local, enquanto outras nove pessoas conseguiram ser resgatadas com vida e encaminhadas para unidades de saúde da região. Algumas vítimas apresentavam queimaduras graves e múltiplas fraturas.
A dimensão da tragédia provocou comoção em diversas cidades do Norte de Minas e voltou a colocar a BR-251 no centro do debate sobre segurança viária e infraestrutura rodoviária. Conhecida pelo intenso fluxo de caminhões, curvas perigosas, pistas estreitas e elevado índice de acidentes fatais, a rodovia acumula histórico de tragédias ao longo de décadas.
Após o acidente, a pista precisou ser totalmente interditada nos dois sentidos para o trabalho das equipes de resgate, realização da perícia e retirada dos veículos destruídos pelo incêndio. Longos congestionamentos se formaram na região e motoristas precisaram buscar rotas alternativas.
Diante da gravidade do episódio, a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS) voltou a cobrar agilidade do Governo Federal e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a assinatura definitiva do contrato de concessão da BR-251 e o início imediato das obras previstas para a estrada.
A entidade regional afirmou que o Norte de Minas não pode mais conviver com tragédias recorrentes provocadas pela precariedade da rodovia. Segundo a associação, a demora nos trâmites burocráticos representa risco constante para milhares de motoristas que utilizam diariamente o trecho.
O leilão da chamada “Rota das Gerais”, realizado em março deste ano na sede da B3, em São Paulo, foi vencido pela EcoRodovias. O projeto prevê mais de R$ 13 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos nas rodovias BR-251 e BR-116, incluindo duplicações, recuperação de pistas, melhorias operacionais, ampliação da segurança viária e implantação de novos dispositivos de tráfego.
A AMAMS participou ativamente de todo o processo de discussão da concessão. Representantes da entidade acompanharam audiências públicas, reuniões técnicas, debates regionais e o próprio leilão realizado em São Paulo. Durante as negociações, prefeitos e lideranças políticas do Norte de Minas defenderam a necessidade de investimentos robustos para reduzir acidentes e melhorar as condições de trafegabilidade da rodovia.
O presidente da AMAMS e prefeito de São João da Lagoa, Ronaldo Soares Mora Dias, afirmou que a região chegou ao limite diante do número frequente de acidentes fatais registrados na BR-251.
“Não podemos aceitar tanta demora enquanto vidas continuam sendo perdidas. A BR-251 é uma das principais ligações entre o Sudeste e o Nordeste brasileiro e há décadas a população do Norte de Minas espera por investimentos concretos. A AMAMS participou de todos os debates, audiências e mobilizações pela concessão da rodovia e agora cobra celeridade na assinatura do contrato e no início das obras. Cada dia de atraso representa mais risco para quem trafega pela estrada”, declarou o presidente da entidade.
Segundo a associação municipalista, a BR-251 possui papel estratégico para a economia regional e nacional. A rodovia é utilizada diariamente para o transporte de cargas agrícolas, produtos industriais, minério e mercadorias que circulam entre Minas Gerais, Bahia e diversos estados do Nordeste brasileiro.
O intenso fluxo de veículos pesados, aliado às limitações estruturais da estrada, é apontado por especialistas e autoridades como um dos principais fatores para o elevado índice de acidentes no trecho norte-mineiro.
Ao longo dos últimos anos, moradores, caminhoneiros, empresários e lideranças políticas têm promovido manifestações e mobilizações cobrando duplicação da rodovia e investimentos emergenciais em segurança viária. Entre as reivindicações estão ampliação da pista, instalação de acostamentos, melhoria da sinalização, construção de terceiras faixas e reforço da fiscalização.
A AMAMS informou que já havia alertado a ANTT logo após o leilão da concessão sobre a necessidade de acelerar os procedimentos administrativos para que as obras fossem iniciadas o mais rapidamente possível.
Para lideranças regionais, o acidente deste domingo representa mais um capítulo de uma crise antiga enfrentada pela população do Norte de Minas. Prefeitos da região defendem que a modernização da BR-251 deixou de ser apenas uma demanda de infraestrutura e passou a ser questão urgente de preservação de vidas.
A tragédia também gerou forte repercussão nas redes sociais, onde moradores da região voltaram a relatar medo constante ao trafegar pela rodovia. Muitos usuários classificam a BR-251 como “rodovia da morte”, devido à frequência de acidentes graves envolvendo ônibus, caminhões e veículos de passeio.
Enquanto as investigações sobre as causas do acidente seguem em andamento, cresce a pressão política para que o Governo Federal acelere definitivamente o processo de concessão e permita o início das intervenções estruturais prometidas para a estrada.
A expectativa de lideranças regionais é de que a tragédia provoque uma resposta mais rápida das autoridades responsáveis e transforme a cobrança histórica da população em ações concretas capazes de reduzir acidentes, melhorar as condições de tráfego e salvar vidas na principal ligação rodoviária entre o Sudeste e o Nordeste do país.
No Norte de Minas, o sentimento predominante após mais um grave acidente é de indignação, luto e urgência. Para moradores e representantes municipais, cada novo atraso no início das obras aumenta o risco de novas tragédias em uma rodovia que há décadas se tornou símbolo da precariedade da infraestrutura federal na região.



