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Tecnologia, gestão e tradição impulsionam fazenda leiteira de Bocaiuva rumo ao futuro - Rede Gazeta de Comunicação

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Tecnologia, gestão e tradição impulsionam fazenda leiteira de Bocaiuva rumo ao futuro

Certificada como “Fazenda Ouro”, a Fazenda São Pedro alia melhoramento genético, irrigação, sustentabilidade e planejamento para ampliar a produtividade e consolidar um modelo de pecuária leiteira eficiente no Norte de Minas

A rotina de duas ordenhas diárias garante uma produção média de 700 litros de leite na Fazenda São Pedro, referência em inovação na pecuária leiteira de Bocaiuva.

O produtor Dilson Geraldo da Silva e a gerente do Sicoob Credinor em Bocaiuva, Karine Kraysller, celebram uma parceria de mais de duas décadas voltada ao fortalecimento da atividade leiteira.
O teste realizado antes da ordenha integra o protocolo de manejo adotado pela propriedade para assegurar a qualidade do leite e atender aos padrões da certificação Fazenda Ouro. CRÉDITO: Dihemeson Faria

Antes mesmo do nascer do sol, a rotina já está em pleno andamento na Fazenda São Pedro, localizada na zona rural de Bocaiuva, no Norte de Minas. É nesse cenário que o produtor rural Dilson Geraldo da Silva, de 53 anos, mantém viva uma tradição familiar que atravessa gerações e que, ao longo das últimas décadas, passou por uma verdadeira revolução tecnológica.

Reconhecida com a certificação “Fazenda Ouro”, concedida pela indústria responsável pela compra do leite, a propriedade tornou-se referência regional ao unir inovação, planejamento, qualidade e sustentabilidade na produção leiteira.

A história da fazenda começou muito antes das modernas técnicas de reprodução animal e dos equipamentos de alta tecnologia. Foi ao lado do pai que Dilson aprendeu os primeiros ensinamentos da pecuária leiteira. Em 1999, após a morte do patriarca, assumiu a administração da propriedade, hoje com 128 hectares, transformando o desafio de manter a atividade em um projeto contínuo de crescimento.

Sem abrir mão da tradição, o produtor decidiu investir em conhecimento e modernização. O primeiro passo foi dado por meio de uma parceria com uma indústria de laticínios da região, que possibilitou a aquisição de um touro da raça holandesa para iniciar o melhoramento genético do rebanho.

Com o passar dos anos, a evolução não parou.

“Depois desse touro, passei a trabalhar com inseminação artificial. Agora demos mais um passo e estamos utilizando fertilização in vitro. Os embriões vêm de fazendas mais avançadas em seleção genética, permitindo melhorar continuamente a qualidade do rebanho e aumentar o potencial produtivo dos animais”, explica Dilson.

Da ordenha manual à alta tecnologia

As mudanças também transformaram a rotina de trabalho.

Quando assumiu a fazenda, toda a ordenha era realizada manualmente, exigindo esforço físico e muitas horas de trabalho diário. À medida que a produção aumentava, surgiram novos investimentos.

Primeiro veio a ordenhadeira mecânica. Depois, novos equipamentos foram incorporados até que a propriedade passasse a contar com quatro conjuntos de ordenha, garantindo maior eficiência, rapidez e bem-estar tanto para os animais quanto para a equipe.

Outro avanço importante ocorreu na conservação do leite.

O antigo sistema de resfriamento, que utilizava grandes reservatórios de água para reduzir a temperatura do produto, foi substituído por modernos tanques de expansão, responsáveis por manter a qualidade da produção até a coleta diária realizada pela indústria.

Atualmente, cerca de 700 litros de leite deixam a Fazenda São Pedro todas as manhãs com destino a Montes Claros.

Para Dilson, entretanto, o crescimento nunca aconteceu de forma precipitada.

“Cada etapa foi acontecendo no seu tempo. Nunca demos um passo maior do que podíamos. Primeiro melhorávamos uma coisa, depois outra. Foi assim que a fazenda foi crescendo”, destaca.

Hoje, o produtor divide a administração da propriedade com o sócio e afilhado Flávio Silva, além de contar com quatro colaboradores responsáveis pelas duas ordenhas diárias e pelos demais serviços da fazenda. Ao seu lado está também a esposa, Adriana, parceira há 24 anos na construção dessa trajetória.

Produzir leite em meio à seca exige planejamento

No Norte de Minas, produzir leite significa enfrentar um dos maiores desafios da atividade: a escassez de chuvas.

Na Fazenda São Pedro, as vacas são criadas em sistema de semiconfinamento. Durante o período chuvoso, o rebanho aproveita as áreas de pastagem. Já na estiagem, entram em cena o planejamento e os investimentos realizados ao longo do ano.

Silagem, cana-de-açúcar e áreas irrigadas garantem alimento suficiente para manter a produção sem oscilações.

“Não podemos depender apenas do pasto. Se faltar alimento, a produção cai. Por isso investimos na produção de silagem e, mais recentemente, na irrigação. Isso nos dá segurança para continuar produzindo”, afirma.

Nos últimos anos, a propriedade implantou quatro hectares irrigados, destinados exclusivamente à produção de alimento para os animais.

A meta agora é ainda mais ambiciosa: dobrar a produção nos próximos três anos, apostando não no aumento do número de vacas, mas na melhoria da eficiência produtiva do rebanho por meio da genética, do manejo e da gestão.

Certificação reconhece qualidade e sustentabilidade

Todo esse conjunto de boas práticas garantiu à Fazenda São Pedro a certificação Fazenda Ouro, reconhecimento concedido às propriedades que atendem rigorosos critérios de qualidade do leite, manejo, bem-estar animal e sustentabilidade.

Entre os diferenciais da fazenda está um procedimento que Dilson faz questão de preservar.

As vacas não recebem ocitocina nem medicamentos para estimular artificialmente a descida do leite. O processo ocorre de maneira natural, com a presença dos bezerros durante a ordenha, respeitando o comportamento fisiológico dos animais.

“Quando trabalhamos pensando em fazer as coisas da maneira correta, os resultados aparecem. A certificação mostra que estamos produzindo leite de qualidade, mas também aumenta nossa responsabilidade de continuar evoluindo”, ressalta.

Parceria que acompanha o crescimento

Grande parte dessa transformação contou com o apoio do Sicoob Credinor, parceiro da propriedade há aproximadamente 25 anos.

Ao longo desse período, a cooperativa participou do financiamento de diversas etapas da evolução da fazenda, incluindo investimentos em irrigação, formação de lavouras, aquisição de animais e modernização da estrutura produtiva.

Além do crédito, Dilson participou do programa Norte Empreendedor, desenvolvido pelo Sicoob Credinor em parceria com o Sebrae Minas.

A iniciativa oferece consultorias voltadas para gestão financeira, planejamento estratégico e desenvolvimento dos negócios rurais.

“As consultorias ajudaram a entender melhor os custos, organizar o planejamento e identificar oportunidades de melhoria. Hoje conseguimos tomar decisões com muito mais segurança e pensar o futuro da fazenda de forma estruturada”, avalia o produtor.

Segundo a gerente da agência do Sicoob Credinor em Bocaiuva, Karine Kraysller, acompanhar essa evolução ao longo dos anos demonstra que o sucesso da propriedade é resultado de planejamento contínuo.

“Dilson é um cooperado que entende que crescer exige disciplina, planejamento e disposição para evoluir constantemente. A propriedade incorporou tecnologia, investiu em gestão e aperfeiçoou cada etapa da produção sem perder sua essência”, destaca.

Um futuro construído todos os dias

Apesar das certificações, dos equipamentos modernos e da constante evolução tecnológica, a rotina da Fazenda São Pedro permanece fiel às origens.

Todos os dias começam cedo. As vacas seguem para a ordenha, os colaboradores cumprem suas funções e a produção continua alimentando uma cadeia que movimenta a economia regional.

Mais do que produzir leite, a fazenda demonstra que tradição e inovação podem caminhar juntas.

A história construída por Dilson Geraldo da Silva mostra que investir em conhecimento, tecnologia e gestão, respeitando o tempo da propriedade e as características do semiárido mineiro, é um caminho seguro para fortalecer a pecuária leiteira e garantir que novas gerações encontrem no campo um futuro cada vez mais sustentável e competitivo.