Operação cumpre 27 mandados em quatro estados; suspeitos movimentaram R$ 11,5 milhões e ameaçavam apostadores que reclamavam prêmios
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais na última quarta-feira (24) expôs as engrenagens de um esquema criminoso que operava em pelo menos quatro estados brasileiros, utilizando a venda de bilhetes de jogos de azar como fachada para lavagem de dinheiro e ameaças a apostadores. O alvo central da ação foi a cidade de Pirapora, no Norte de Minas, onde foram cumpridos dez dos 27 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Além de Pirapora, as equipes policiais estiveram em Teresina (PI), com 16 mandados, Timon (MA) e Rondon do Pará (PA), com um mandado cada. Uma pessoa foi presa preventivamente durante a operação. As investigações, que se estenderam por meses, revelaram que os líderes do grupo estavam estabelecidos nos quatro estados e coordenavam à distância as atividades ilícitas, que incluíam desde a comercialização ilegal dos bilhetes até a ocultação dos valores arrecadados.
O modus operandi do grupo era sofisticado e envolvia múltiplas camadas de controle. De acordo com a PCMG, os criminosos manipulavam os resultados dos sorteios utilizando as chamadas “sobras” de bilhetes não comercializados – ou seja, eles sabiam previamente quais números não haviam sido vendidos e podiam direcionar os prêmios para si próprios ou para terceiros de interesse. A divulgação dos sorteios era feita por meio de plataformas digitais, o que ampliava o alcance do esquema e dificultava o rastreamento.
O negócio ilícito movimentou cerca de R$ 11,5 milhões, segundo estimativas da polícia. Para ocultar a origem criminosa do dinheiro, o grupo utilizava uma estrutura bem definida, com divisão de tarefas, recrutamento de vendedores e emprego de pessoas físicas e jurídicas como “laranjas” para dissimular as transações financeiras. A ameaça era outra ferramenta recorrente: apostadores que reivindicavam premiações supostamente obtidas eram intimidados e coagidos pelos integrantes do grupo, o que inibia denúncias e garantia a continuidade do esquema.
Além das prisões e apreensões, a Polícia Civil representou ao Judiciário pelo sequestro de bens vinculados aos investigados, incluindo 12 veículos avaliados em cerca de R$ 1,1 milhão, e pelo bloqueio de 43 contas bancárias – tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos ilícitos, que podem ultrapassar os valores já identificados.



