Ex-lateral do Cruzeiro entrega boneco do Chapolin Colorado ao camisa 10 após feito histórico que iguala recorde de Klose
A noite de estreia da Argentina na Copa do Mundo de 2026 ficará marcada não apenas pelos gols e pelos números, mas também por um gesto que traduziu o carinho de um velho conhecido para com o maior jogador da história do país.
Logo após o apito final da vitória argentina sobre a Argélia por placar elástico, o ex-lateral Juan Pablo Sorín, ídolo da torcida do Cruzeiro e atualmente repórter da emissora mexicana TUDN, aguardou o momento da entrevista com Lionel Messi para entregar uma lembrança inusitada: um boneco de pelúcia do personagem Chapolin Colorado, famoso herói das produções do comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños.
O presente chegou acompanhado de uma explicação rápida. “Te enviaram lá do México”, disse Sorín, ao estender o brinquedo ao compatriota. Messi, ainda com o semblante iluminado pela atuação de gala, abriu um largo sorriso e agradeceu o gesto com simplicidade, demonstrando que o presente fora recebido com genuína afetividade.
O momento, no entanto, foi precedido por uma conversa de tom mais sério. Sorín quis saber como o craque encarava a responsabilidade de começar mais uma Copa do Mundo sob a pesada expectativa de ser campeão. Messi, então, respondeu com a tranquilidade de quem já viveu tudo isso antes:
“Muita felicidade pela vitória. É muito bom começar assim. Sabemos que não é fácil iniciar a competição, ainda mais neste Mundial, em que está tudo muito equilibrado e ninguém te dá nada. Estou feliz pelo momento e tentando dar o máximo. Mesmo estando em Miami, nunca deixei de competir e de querer mais. Me preparei da melhor maneira possível para desfrutar deste momento”, afirmou o atacante, que hoje defende o Inter Miami e parece não se cansar de quebrar recordes.
E recordes, de fato, não faltaram naquela noite. Com três gols marcados, Messi chegou à marca de 16 tentos em edições de Copa do Mundo, igualando o alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro da história do torneio. Uma conquista que parecia distante até poucos anos atrás, mas que o camisa 10 tratou de tornar realidade com a mesma naturalidade com que conduz a bola desde os tempos de Newell’s Old Boys.
Sorín, por sua vez, conhece bem a trajetória de superação e brilho. Ex-companheiro de seleção em outras épocas, ele também construiu uma carreira vitoriosa longe das fronteiras argentinas, especialmente no Brasil. Sua passagem pelo Cruzeiro é lembrada com carinho pela torcida celeste: foram três períodos distintos — de 2000 a 2002, em 2004, e entre 2008 e 2009 —, que renderam ao clube mineiro títulos como a Copa do Brasil de 2000, as Copas Sul-Minas de 2001 e 2002, e o Campeonato Mineiro de 2009.
Em números, o lateral-esquerdo disputou 125 partidas com a camisa da Raposa e balançou as redes em 18 oportunidades. Seu futebol consistente e sua liderança em campo foram recompensados com a Bola de Prata de melhor lateral do Campeonato Brasileiro de 2000 e, por duas vezes (2000 e 2001), com o prêmio de melhor jogador da América do Sul, concedido pelo jornal uruguaio El País. Foi inclusive defendendo o Cruzeiro que Sorín recebeu sua convocação para a Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, prova de que sua importância no futebol sul-americano já era inequívoca.
O encontro entre Sorín e Messi, portanto, foi mais do que uma simples entrevista pós-jogo. Foi o reencontro de duas gerações do futebol argentino, selado por um presente que, embora singelo, carregava o peso simbólico de uma homenagem de quem entende o valor daquela camisa 10. E, no fim das contas, foi mais uma prova de que, no futebol, os grandes feitos pedem celebrações à altura — e, às vezes, até um boneco do Chapolin Colorado para lembrar que, mesmo entre gigantes, cabe sempre um toque de humor e afeto.



