Estrutura sobre o Rio das Velhas, em Barra do Guaicuí, opera no sistema pare e siga e proíbe veículos acima de 10 toneladas; desvio acrescenta 183 quilômetros e ameaça o escoamento da produção no Norte de Minas
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) endureceu as regras para quem trafega pela BR-365, no trecho entre Pirapora e Montes Claros. A partir da última quinta-feira (11/6), a ponte sobre o Rio das Velhas, localizada no distrito de Barra do Guaicuí, passou a operar em sistema de pare e siga 24 horas por dia e proibiu a passagem de veículos com Peso Bruto Total (PBT) superior a 10 toneladas. A medida, tomada com base em monitoramento estrutural contínuo, visa conter o avanço dos danos na estrutura, que já vinha sendo monitorada desde janeiro, quando o limite permitido era de 25 toneladas.
O órgão federal justificou a decisão com base em análises que indicam redução progressiva da rigidez da ponte e acúmulo acelerado de danos. O local é monitorado 24 horas por dia por sensores eletrônicos, e os dados mais recentes apontaram a necessidade de ampliação das restrições.
A travessia também está proibida para pedestres, com alerta para que não haja aglomerações sobre o tabuleiro da ponte.
O Dnit não descarta uma interdição total. Em nota, o departamento afirma que, “caso as condições operacionais de controle não possam ser garantidas, a ponte poderá ser totalmente interditada ao tráfego”. As restrições atuais devem permanecer por pelo menos 30 dias, ou até que o monitoramento aponte a estabilização da estrutura.
Para os transportadores da região, o impacto já é sentido no bolso. O caminhoneiro Rony Alexandre da Paz, que precisou deslocar sua carreta vazia, com 11 toneladas, de Montes Claros para Pirapora, contou que o desvio pela MG-135 e MG-496, com passagem por Corinto e Várzea da Palma, acrescentou 183 quilômetros ao percurso. O custo extra com combustível e pedágios chegou a R$ 635.
A BR-365 é a principal via de ligação entre o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba e o Norte de Minas, além de ser uma rota estratégica para o transporte de cargas com destino ao Nordeste. A restrição afeta diretamente o escoamento da produção de grãos da região de Buritizeiro e Pirapora, além de encarecer o frete e provocar atrasos nas entregas.
Motoristas relatam que a situação é agravada pela falta de representatividade política e pela demora na solução definitiva para a ponte, problema já conhecido desde 2021.



