Ação na zona rural de Felixlândia mirou furto de madeira e produção ilegal de carvão vegetal
Na última quarta-feira (27 de maio), a Polícia Militar de Minas Gerais desencadeou uma operação de inteligência e presença preventiva em uma vasta área rural do município, mais precisamente no distrito de São José do Buriti – localidade que pertence a Felixlândia e que tem na agricultura, pecuária e silvicultura suas principais matrizes econômicas. Batizada de Operação Eucalipto, a iniciativa teve dois pilares igualmente relevantes: o combate rigoroso ao furto de madeira e à produção clandestina de carvão vegetal – crimes ambientais recorrentes na região – e a aproximação com os trabalhadores do campo, por meio de orientações de segurança pessoal e patrimonial.
A escolha do nome “Eucalipto” não foi aleatória. A espécie, amplamente cultivada no Centro-Oeste mineiro para fins de celulose, construção civil e energia, tem se tornado alvo frequente de quadrilhas especializadas em extração ilegal. Em Felixlândia e em cidades vizinhas como Curvelo, Morro da Garça e Corinto, há registros de furtos noturnos de toras, serrarias clandestinas e até mesmo de incêndios criminosos para encobrir o rastro do desmatamento. A Operação Eucalipto, portanto, insere-se em um esforço mais amplo da PM para proteger não só o patrimônio privado, mas também os ecossistemas locais, garantindo o cumprimento do Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012) e das resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Ações da operação: repressão qualificada e prevenção comunitária
Embora os detalhes táticos da incursão não tenham sido divulgados integralmente pela corporação – para não comprometer futuras diligências –, a assessoria de imprensa da PM confirmou que os militares percorreram trilhas vicinais, acessaram talhões de eucalipto e mantiveram contato direto com funcionários que residem ou trabalham na fazenda alvo. Durante o percurso, não foram flagradas, neste dia específico, serrarias em funcionamento ilegal ou carvoarias ativas, mas a simples presença ostensiva e a conversa com os empregados tiveram efeito dissuasório imediato.
“O criminoso ambiental age, muitas vezes, na calada da noite, com conhecimento da rotina das fazendas. Quando a polícia chega, dialoga com os trabalhadores e demonstra que está atenta, o recado fica dado: a região não é terra sem lei”, explicou um dos oficiais coordenadores da operação, cujo nome foi preservado por razões de segurança operacional.
Além do foco repressivo, a guarnição dedicou tempo significativo à orientação preventiva. Os funcionários da fazenda receberam dicas práticas sobre:
• Segurança pessoal: como agir em caso de abordagem por estranhos armados, rotas de fuga internas, comunicação silenciosa e a importância de não reagir a assaltos, preservando a vida.
• Segurança patrimonial do imóvel rural: recomendações sobre iluminação noturna de áreas de estoque de madeira, instalação de cercas e portões com cadeados resistentes, registro de placas de veículos suspeitos e a manutenção de um canal direto (telefone ou rádio) com a PM ou com vizinhos.
• Procedimentos em caso de avistamento de fumaça ou fornos clandestinos: os trabalhadores foram orientados a anotar coordenadas aproximadas, não se aproximar das carvoarias ilegais (que costumam ser guardadas por indivíduos armados) e acionar imediatamente o 190 ou o 181 (Disque Denúncia).
O problema do carvão vegetal ilegal em Minas Gerais
Minas Gerais é o maior produtor de carvão vegetal do Brasil, insumo essencial para a indústria siderúrgica – especialmente no polo de Sete Lagoas, João Monlevade e Ouro Branco. No entanto, a demanda elevada também alimenta um mercado paralelo predatório. A produção clandestina de carvão vegetal ocorre, geralmente, em áreas de difícil acesso, utilizando madeira nativa (como ipê, aroeira e cedro) ou mesmo eucalipto furtado de fazendas legalizadas. Os fornos são construídos de forma rústica, sem qualquer controle de emissões, e os trabalhadores (muitas vezes em regime análogo à escravidão) são submetidos a jornadas exaustivas e condições insalubres.
De acordo com o último relatório da Superintendência de Polícia Técnico-Científica de Minas Gerais, entre 2023 e 2025, as apreensões de carvão vegetal ilegal cresceram 34% na região Central do estado, com Felixlândia e os distritos rurais de São José do Buriti aparecendo como pontos de passagem para o escoamento da produção. A Operação Eucalipto, portanto, mira diretamente nesse elo logístico – antes que o carvão saia da fazenda em caminhões sem nota fiscal.



