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18 DE MAIO | Salinas fortalece saúde mental - Rede Gazeta de Comunicação

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18 DE MAIO | Salinas fortalece saúde mental

Encontro reúne rede de proteção e defende cuidado sem internação

A data de 18 de maio não é apenas um número no calendário. Desde a histórica luta contra os manicômios no Brasil, esse dia simboliza a resistência por um modelo de atenção à saúde mental baseado na liberdade, no território e no respeito aos direitos humanos. Foi nesse espírito que a Prefeitura de Salinas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, promoveu na manhã da última terça-feira (19), no Museu da Cachaça, um evento carregado de simbolismo, aprendizado coletivo e compromisso institucional com a reforma psiquiátrica.

O encontro, que ocorreu de forma presencial e contou com ampla participação comunitária, foi conduzido por Graziella Mendes, coordenadora municipal de Saúde Mental. Em sua fala de abertura, Graziella destacou a importância de não reduzir a luta antimanicomial a uma data comemorativa, mas sim mantê-la viva como diretriz diária das políticas públicas: “Cuidar da saúde mental é construir pontos de apoio na cidade, não muros para isolar. É garantir que a pessoa em sofrimento psíquico tenha um lugar acolhedor, emprego, lazer e vínculos afetivos – não um leito de hospital psiquiátrico.”

O grande destaque da programação ficou por conta da palestra da referência técnica em Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES/MG), Alcina Mendes Brito. Com uma trajetória sólida na defesa da Reforma Psiquiátrica, Alcina trouxe contribuições práticas e teóricas sobre como expandir a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em municípios de pequeno e médio porte, como Salinas. Ela enfatizou que a luta antimanicomial é diária e exige articulação entre saúde, assistência social, educação, justiça, cultura e agricultura – algo que Salinas tem demonstrado avanços significativos.

A plateia revelou a força dessa articulação. Estavam presentes profissionais e representantes de múltiplos equipamentos e serviços: técnicos da própria Secretaria Municipal de Saúde, membros do CRAS, CREAS, Conselho Tutelar, Unidade de Acolhimento, Associação Loucos por Direito (movimento social fundamental na defesa dos direitos das pessoas com transtornos mentais), Casa de Conselhos, Secretaria de Agricultura e ainda representantes da Micro Salinas. Essa diversidade de setores evidencia que o cuidado em liberdade não é tarefa exclusiva da saúde, mas sim um compromisso intersetorial.

Ao longo do evento, foram discutidos temas como o funcionamento efetivo dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a importância do atendimento territorial, a redução de dançosas lógicas de medicalização excessiva e a necessidade de enfrentamento ao estigma que ainda cerca os transtornos psíquicos. Alcina Mendes Brito lembrou que, mesmo após mais de duas décadas da Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/2001), muitas cidades brasileiras ainda mantêm práticas asilares camufladas. “Salinas, ao promover um evento como este, reafirma seu compromisso com o modelo de atenção psicossocial. Não se trata apenas de fechar manicômios – isso já é lei. Trata-se de abrir possibilidades: casas, trabalho, arte, moradia, acolhimento.”

O ambiente escolhido – o Museu da Cachaça – também carregou um simbolismo especial: um espaço de memória e cultura popular, totalmente oposto à imagem fria e fechada dos antigos hospitais psiquiátricos. Ali, os participantes puderam trocar experiências, tirar dúvidas e planejar ações conjuntas para o fortalecimento da RAPS no município.

A coordenadora Graziella Mendes fez questão de agradecer a presença maciça dos profissionais e usuários da rede, ressaltando que momentos como esse são fundamentais para que a luta antimanicomial não se torne apenas discurso, mas prática cotidiana. Ela anunciou que novas formações e rodas de conversa estão sendo planejadas para os próximos meses, incluindo ações em parceria com a Atenção Básica e as equipes de Saúde da Família.

Ao final, ficou a mensagem central, ecoada pelos palestrantes e pelos participantes: 18 de maio é todo dia. Lutar por saúde mental é defender cuidado, liberdade e dignidade – não com discursos vazios, mas com serviços que acolham, vínculos que sustentem e uma sociedade que não exclui quem sofre.