Mesmo com expulsão de Gerson validada pela mídia local, jornais e portais apontam três lances polêmicos que, segundo eles, teriam prejudicado o Boca na Bombonera
O empate em 1 a 1 entre Boca Juniors e Cruzeiro, na noite da última terça-feira (19), em La Bombonera, pela quinta rodada do Grupo D da Libertadores, não terminou dentro das quatro linhas. Horas depois do apito final, o campo de batalha se transferiu para as páginas da imprensa argentina – e o alvo principal não foi o desempenho do time da casa, mas sim a atuação do árbitro venezuelano Jesús Valenzuela e, sobretudo, do VAR. Em manchetes carregadas de indignação, veículos como Olé, TyC Sports e La Nación classificaram o resultado como injusto e apontaram supostos erros que, na visão local, beneficiaram o clube brasileiro.
Três lances que incendiaram a Bombonera (e a imprensa)
Mesmo com a expulsão do volante Gerson, do Cruzeiro, revisada e confirmada pelo VAR após uma entrada violenta sobre Leandro Paredes – lance que a própria mídia argentina considerou correta, chamando-o de “tremenda patada” –, as críticas se concentraram em três momentos específicos que, segundo os analistas, teriam mudado o rumo da partida.
- O gol do Cruzeiro e o toque de mão de Kaiki
A jogada que resultou no gol de Fagner, aos 22 minutos do segundo tempo, começou com um cruzamento do lateral-esquerdo Kaiki. Antes do passe, a bola tocou em seu braço. O VAR revisou, mas o árbitro manteve a decisão de validar o tento. Para o jornal Olé, a noite foi de “afronta de um VAR com dois pesos e duas medidas”. O portal TyC Sports destacou que, apesar da revisão, a interpretação de Valenzuela foi de que não houve vantagem irregular – algo que a imprensa argentina contestou veementemente. - O gol anulado de Merentiel por toque “fantasmal”
Minutos antes, o Boca havia balançado as redes novamente com Miguel Merentiel, mas o assistente anulou por um toque de braço de Milton Delgado no início da jogada. O Olé foi implacável: “Uma vitória que foi por água abaixo devido a uma intervenção fantasmagórica do VAR”. O periódico questionou como o mesmo sistema de vídeo consegue encontrar uma mão “não visível” de Delgado e, ao mesmo tempo, ignorar supostos erros mais evidentes contra o time da casa. A expressão “Boca em chamas” estampou a capa digital do jornal. - O pênalti não marcado no último lance
Nos acréscimos, um cruzamento na área do Cruzeiro terminou com jogadores do Boca pedindo toque de mão de Lucas Romero. O árbitro mandou seguir e o VAR sequer o chamou para revisão. O TyC Sports classificou a decisão como “escandalosa” e escreveu que a ação final “consumou uma noite escandalosa na Bombonera”. Já o La Nación relatou que o apito final “desencadeou explosão do elenco xeneize contra o árbitro venezuelano”, com jogadores cercando a arbitragem em campo.
O que dizem os argentinos sobre a expulsão de Gerson
Curiosamente, o único lance em que houve consenso positivo foi a expulsão do volante do Cruzeiro. A entrada de sola no joelho de Leandro Paredes foi considerada grave e bem avaliada pelo VAR. O Olé, mesmo crítico da arbitragem, chamou o lance de “tremenda patada” e não contestou o cartão vermelho. Esse detalhe, porém, não amenizou a revolta geral: a impressão que ficou na imprensa local é de que o Boca foi prejudicado em três momentos decisivos e viu a vitória “escapar de maneira insólita”, nas palavras do Olé.
Situação do Boca na Libertadores vira preocupação
Além da fúria com a arbitragem, os veículos argentinos também manifestaram apreensão com o futuro do clube no torneio. Com o empate em casa, o Boca chega pressionado à última rodada do Grupo D. Para manter chances reais de classificação, precisará vencer a Universidad Católica fora de casa – um cenário que o La Nación descreveu como “de tudo ou nada”. “Boca deixou escapar uma oportunidade enorme”, resumiu o periódico, lembrando que uma vitória na Bombonera praticamente encaminharia a vaga às oitavas.
A goleada aplicada pelo Cruzeiro sobre o mesmo Universidad Católica na rodada anterior (5 a 0) só aumentou a sensação de que o empate foi um resultado amargo para os argentinos. Resta saber se as reclamações terão eco nos escritórios da Conmebol – que, até o fechamento desta edição, não se manifestou oficialmente sobre os lances contestados.



