Inflação desacelera em novembro e queda da cesta básica alivia orçamento das famílias em Montes Claros - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Inflação desacelera em novembro e queda da cesta básica alivia orçamento das famílias em Montes Claros

A inflação apresentou desaceleração em Montes Claros no mês de novembro de 2025, trazendo um leve alívio ao orçamento das famílias, especialmente no que se refere aos gastos com alimentação. É o que aponta a mais recente pesquisa de variação de preços realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

De acordo com o levantamento, o Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-MOC) registrou variação de 0,21% em novembro. Com esse resultado, o índice acumula alta de 5,25% no ano, mantendo-se em trajetória de desaceleração quando comparado aos meses anteriores. Em outubro, por exemplo, o índice havia sido de 0,22%, o que evidencia uma queda ainda que discreta no ritmo de aumento dos preços.

O Grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição do orçamento doméstico, representando 29,47%, apresentou variação positiva de 0,27% no mês. Esse grupo contribuiu com 0,08 ponto percentual para o resultado final do índice, refletindo oscilações pontuais nos preços dos alimentos, mas sem pressionar de forma significativa a inflação geral.

Já o Grupo Habitação, responsável por 21,25% do peso no índice, registrou aumento mais expressivo, de 0,60%, sendo o principal vetor de pressão inflacionária em novembro. O grupo contribuiu com 0,13 ponto percentual para o IPC-MOC, influenciado principalmente por reajustes em tarifas e serviços ligados à moradia.

Por outro lado, alguns segmentos apresentaram retração nos preços, ajudando a conter o avanço do índice geral. O Grupo Artigos de Residência e Serviços Domésticos, que representa 5,24% do orçamento das famílias, registrou queda de 1,37%, com impacto negativo de -0,07 ponto percentual. O Grupo Saúde e Cuidados Pessoais, com peso de 9,74%, apresentou variação negativa de -0,07%, enquanto o Grupo Educação e Despesas Pessoais, que corresponde a 8,70% do orçamento, teve redução de -0,22%. Ambos também contribuíram para a desaceleração da inflação no mês.

Segundo a coordenadora da pesquisa e economista Vânia Vilas Bôas, o resultado reflete um equilíbrio entre grupos que pressionaram os preços e aqueles que registraram quedas significativas. “Para chegar a esse índice de 0,21%, nós observamos um certo equilíbrio entre grupos que pressionaram a inflação e setores que apresentaram quedas de preços”, explica.

Ela destaca que as principais reduções ocorreram em função de fatores sazonais e promocionais. “As quedas mais relevantes aconteceram nos grupos vestuário, artigos de residência, saúde, cuidados pessoais e educação e despesas pessoais, muito em função da Black Friday, que fez com que os preços desses grupos caíssem ao longo de praticamente todo o mês”, observa a economista.

Vânia Vilas Bôas também chama atenção para o comportamento do Grupo Transporte, que apresentou aceleração em novembro. “Junto com o grupo alimentação, vimos o grupo transporte com aceleração em decorrência dos reajustes tanto do etanol quanto da gasolina”, afirma. Mesmo com esse aumento, o impacto foi parcialmente compensado pelas reduções em outros setores, resultando na leve desaceleração do índice geral.

No comércio do Centro de Montes Claros, a percepção é de um pequeno, porém importante, alívio para o consumidor. A balconista Ana Paula Rosário, de 32 anos, que trabalha em uma loja de variedades na região central, relata mudanças no comportamento dos clientes. “Muita gente comentou que conseguiu economizar um pouco mais no mercado este mês. Teve cliente dizendo que o tomate finalmente baixou”, conta.

Segundo ela, a redução nos preços de alguns itens básicos ajudou a equilibrar as contas no período que antecede o fim do ano. “Quando sobra um pouco do salário, o pessoal fica mais tranquilo para comprar o básico e até um presente simples para a família”, relata.

Cesta básica registra queda de 3,13%

Um dos principais destaques do mês de novembro foi a expressiva redução no custo da cesta básica em Montes Claros. Os preços dos gêneros alimentícios que compõem a chamada Ração Essencial Mínima apresentaram variação negativa de -3,13%, reforçando a sensação de alívio no bolso do trabalhador.

O cálculo da cesta básica segue os critérios estabelecidos pelo Decreto-Lei nº 399, de 30 de abril de 1938, que regulamenta o salário mínimo no Brasil. A cesta é composta por 13 produtos alimentícios em quantidades suficientes para garantir o sustento mensal de um trabalhador adulto, levando em consideração os hábitos alimentares regionais.

Em novembro de 2025, o trabalhador de Montes Claros, com renda bruta equivalente ao salário mínimo de R$ 1.518,00, comprometeu 36,43% do rendimento mensal para adquirir a cesta básica, que custou R$ 553,06. No mês anterior, o valor da cesta era de R$ 570,94, representando um comprometimento maior, de 37,61% do salário.

Após a compra dos itens essenciais de alimentação, restaram ao trabalhador R$ 964,94 para arcar com outras despesas, como moradia, saúde, higiene, transporte, vestuário, serviços pessoais e lazer. O tempo médio necessário de trabalho para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos, número inferior às 102 horas e 57 minutos registradas em outubro.

Para a economista Vânia Vilas Bôas, a redução no custo da cesta básica está diretamente relacionada à queda nos preços de alguns alimentos que vinham pressionando a inflação nos meses anteriores. “Nós tivemos produtos como o tomate, que vinha pressionando a inflação, apresentando queda neste mês, além do arroz, que já vem há quatro meses consecutivos com redução de preços, assim como o café e a banana caturra”, explica. Segundo ela, o cenário torna o resultado “favorável ao consumidor”.

Entre os produtos que apresentaram variação negativa em novembro estão o tomate (-18,38%), a banana caturra (-5,66%), o arroz (-3,43%), o café (-1,41%), o açúcar (-1,29%), a margarina (-1,18%) e o feijão (-1,14%). A batata inglesa foi o único item a registrar aumento no período, com alta de 3,37%. Já produtos como carne bovina, leite tipo C, farinha de mandioca, pão de sal e óleo de soja mantiveram preços estáveis em relação ao mês anterior.

Para a balconista Ana Paula Rosário, a diferença no orçamento pode não ser grande, mas é sentida no dia a dia. “Ainda está tudo caro, mas qualquer queda ajuda. Dá pra respirar um pouco melhor quando a cesta básica baixa”, resume.

O cenário observado em novembro reforça a importância do acompanhamento mensal dos preços e indica que, apesar dos desafios econômicos, há sinais pontuais de alívio para o consumidor montes-clarense, especialmente no que diz respeito à alimentação, um dos principais itens do orçamento familiar.