Maior e mais tradicional competição de cafés especiais do estado espera superar recorde de participantes em 2026 e destaca papel educativo na melhoria da qualidade da produção
Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil e referência mundial na produção de grãos especiais, já se prepara para mais uma edição de um dos eventos mais importantes da cafeicultura nacional. Estão abertas até o dia 3 de setembro as inscrições para o 23º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais – Edição 2026, iniciativa que valoriza os melhores cafés produzidos no estado e incentiva a busca permanente pela excelência no campo.
Promovido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), o concurso é considerado a mais tradicional competição de cafés especiais do estado e chega à sua 23ª edição embalado pelo sucesso alcançado em 2025, quando registrou um recorde histórico de 1.847 amostras inscritas, consolidando-se como uma das principais vitrines da qualidade cafeeira brasileira.
A expectativa dos organizadores é que o número de participantes seja ainda maior neste ano, refletindo o crescimento contínuo do setor e o reconhecimento cada vez maior dos produtores mineiros nos mercados nacional e internacional.
Os cafeicultores interessados em participar devem procurar os escritórios locais da Emater-MG em seus municípios para realizar a inscrição, que é totalmente gratuita.
Diferentemente de edições anteriores, o cadastramento será realizado exclusivamente pelos extensionistas da empresa, em razão da implantação de um novo sistema de gerenciamento das informações do concurso.
Segundo o coordenador estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Guimarães, a novidade permitirá um acompanhamento mais detalhado dos dados gerados pela competição.
“As inscrições serão feitas apenas pelos extensionistas devido à implantação de um novo sistema. Essa ferramenta permitirá reunir um volume maior de informações, facilitando a compilação de dados que poderão ser utilizados em pesquisas e no desenvolvimento de ações voltadas para a cafeicultura mineira”, explica.
Além de modernizar o processo de inscrição, a iniciativa permitirá a construção de um banco de dados ainda mais robusto sobre as características dos cafés produzidos nas diferentes regiões do estado.
Para participar da competição, os produtores deverão inscrever apenas amostras de café Arábica colhidas na safra de 2026.
O regulamento estabelece critérios rigorosos para garantir a qualidade dos grãos avaliados. As amostras deverão ser classificadas como café tipo 2, apresentando no máximo quatro defeitos, além de atender requisitos relacionados à secagem, coloração, tamanho dos grãos e teor de umidade.
Os cafés inscritos deverão passar pelas peneiras 16 ou superiores e apresentar umidade entre 10% e 12%.
Outro requisito importante é a identificação completa da lavoura de origem. As propriedades participantes deverão possuir georreferenciamento e informar a cultivar utilizada na produção.
As exigências reforçam o compromisso da competição com a rastreabilidade e a valorização de práticas agrícolas modernas e sustentáveis.
Cada produtor poderá participar com apenas uma amostra, escolhendo uma das duas categorias previstas no regulamento: Café Natural ou Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado.
Após a entrega nos escritórios da Emater-MG dentro do prazo estipulado, os lotes serão submetidos a um rigoroso processo de avaliação conduzido por uma comissão julgadora formada por especialistas do setor cafeeiro.
As análises envolverão aspectos físicos e sensoriais, seguindo os critérios internacionais da Specialty Coffee Association (SCA), organização reconhecida mundialmente como referência na avaliação de cafés especiais.
Somente os lotes que alcançarem pontuação mínima de 85 pontos poderão avançar para as fases seguintes da competição.
Esse sistema de avaliação permite identificar cafés de excelência, destacando atributos como aroma, sabor, doçura, acidez, corpo, uniformidade e finalização da bebida.
Embora a premiação seja um dos principais atrativos do concurso, os organizadores destacam que o maior objetivo da iniciativa é promover a melhoria contínua da qualidade da produção cafeeira mineira.
Segundo Bernardino Guimarães, o caráter educativo do concurso é um dos fatores que explicam sua relevância ao longo das duas últimas décadas.
“Esperamos receber cafés de excelente qualidade, mas o principal diferencial da competição está no seu papel educativo. Cada amostra passa por avaliações detalhadas e os resultados retornam aos produtores por meio dos extensionistas. Isso permite identificar pontos de melhoria e aperfeiçoar os processos produtivos”, afirma.
O coordenador ressalta que esse acompanhamento técnico tem produzido resultados concretos ao longo dos anos.
“Observamos uma evolução constante nas notas obtidas pelos produtores. Muitos participantes que inicialmente apresentavam pontuações modestas conseguiram melhorar significativamente seus processos e, posteriormente, alcançar premiações importantes”, destaca.
A premiação será realizada em dezembro e contemplará produtores das principais regiões cafeeiras do estado.
Os cafés serão avaliados dentro das categorias Café Natural e Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado, considerando ainda as diferentes origens produtoras: Cerrado Mineiro, Chapada de Minas, Matas de Minas e Sul de Minas.
Além dos vencedores regionais, será conhecido o campeão estadual, título concedido ao café que obtiver a maior pontuação geral da competição.
Também estão previstos reconhecimentos especiais para a cafeicultora que alcançar a maior nota entre as mulheres participantes, para o produtor certificado pelo programa Certifica Minas Café com melhor desempenho e para os primeiros colocados de cada categoria que sejam correntistas vinculados às cooperativas integrantes do Sistema Sicoob Crediminas.
O concurso tem desempenhado papel estratégico no fortalecimento da imagem dos cafés mineiros nos mercados nacional e internacional.
Além de estimular a adoção de boas práticas agrícolas, a iniciativa contribui para aumentar a competitividade dos produtores, ampliar o acesso a mercados diferenciados e agregar valor à produção.
Minas Gerais responde por cerca de metade da produção nacional de café e possui algumas das regiões produtoras mais reconhecidas do mundo. Eventos como o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas ajudam a consolidar essa reputação e a destacar o estado como referência global na produção de cafés especiais.
A realização do 23º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais conta com a parceria da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), da Universidade Federal de Lavras (Ufla), da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe) e do Conselho Nacional do Café (CNC).
A edição de 2026 também recebe o apoio do Sistema Sicoob Crediminas, da Kaleido Brasil Pro e dos Supermercados Verdemar.
Para milhares de cafeicultores mineiros, a competição representa não apenas a oportunidade de conquistar reconhecimento e premiações, mas também um importante instrumento de aprendizado e aperfeiçoamento que contribui para elevar ainda mais a qualidade dos cafés produzidos em Minas Gerais, estado que continua sendo uma das maiores referências mundiais quando o assunto é café de excelência.



