Suspeito de 22 anos armazenava fotos e vídeos; 139 mídias só em fevereiro foram localizadas
Uma ação da Polícia Federal desbaratou nesta terça-feira (23) um crime que, embora silencioso, deixa marcas profundas em suas vítimas: o armazenamento de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. O alvo da operação foi um jovem de 22 anos, residente em São Francisco, no Norte de Minas, que acabou preso em flagrante após os agentes cumprirem mandado de busca e apreensão no imóvel.
A investigação teve início a partir de monitoramento digital que apontou atividades suspeitas em plataformas de armazenamento na nuvem. Os peritos da PF detectaram que, somente no mês de fevereiro deste ano, o suspeito havia mantido 139 arquivos com conteúdo de exploração sexual infantojuvenil. O número, por si só, já acionou todos os alertas da equipe.
Quando os policiais chegaram à residência do jovem, no entanto, a realidade superou as expectativas mais negativas. Durante a busca minuciosa no local, os agentes encontraram no aparelho celular do investigado aproximadamente 1.600 mídias — entre fotos e vídeos — com cenas de abuso sexual envolvendo meninos e meninas. Um verdadeiro acervo criminoso guardado na palma da mão.
O homem foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Montes Claros, onde permanece à disposição da Justiça. Todo o material apreendido foi encaminhado ao setor de perícia criminal, que agora trabalha para analisar detalhadamente o conteúdo, identificar possíveis vítimas e rastrear a origem das imagens — o que pode levar a novos desdobramentos e à prisão de outros envolvidos na cadeia de produção e distribuição desse tipo de material.
O crime pelo qual o suspeito responderá está previsto no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata do armazenamento de fotografias, vídeos ou qualquer registro que contenha cena de abuso sexual infantojuvenil. A pena prevista é de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa — mas pode ser agravada caso se comprove que o material também era compartilhado ou comercializado.
A Polícia Federal reforça que a luta contra a exploração sexual de crianças e adolescentes é prioridade e que as investigações seguem em curso. A corporação também faz um alerta à população: denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos, ou diretamente à PF. Cada arquivo apreendido representa uma criança que precisa ser protegida, e cada denúncia pode salvar vidas.



