Mostra reúne trabalhos que abordam memória, identidade, espiritualidade e resistência, promovendo reflexões sobre pertencimento e direitos da população trans no Norte de Minas.
O Museu Regional do Norte de Minas (MRNM), vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), abriu ao público a terceira edição da exposição TRANSEUNTES, mostra que reúne obras de artistas trans e propõe uma imersão em narrativas construídas a partir de experiências de vida, memórias e manifestações artísticas marcadas pela resistência e pela afirmação de identidades.
Com curadoria de Lucas Viggi, a exposição convida os visitantes a percorrer diferentes linguagens e expressões artísticas que transformam vivências pessoais em reflexões coletivas. A proposta é ampliar o diálogo sobre pertencimento, diversidade e direitos humanos, valorizando a autoria e o protagonismo de artistas trans na produção cultural contemporânea.
Mais do que uma exposição de arte, TRANSEUNTES se apresenta como um espaço de encontro, escuta e reconhecimento, reforçando a ideia de que diferentes formas de existência também representam diferentes maneiras de compreender e construir o mundo.
Entre os destaques da mostra está o trabalho de Sasá Ferreira, que desenvolve uma pesquisa em torno de “São Marino”, figura reivindicada simbolicamente por parte da comunidade trans. A instalação reúne estandartes bordados, uma oração autoral e santinhos distribuídos ao público, estabelecendo conexões entre espiritualidade, memória e resistência transmasculina.
A artista Astra Gab. Filpi participa da exposição com a série “Estados de Permanência”, conjunto de pinturas inspirado na arte visionária e na literatura fantástica. Utilizando materiais como tinta acrílica, geotinta e babosa, as obras exploram temas relacionados à cura, à imaginação e aos processos de transformação pessoal e coletiva.
Encerrando o percurso expositivo, Carla Maria St Ar apresenta a instalação “InCIStências”, que estabelece um contraste entre a violência enfrentada por pessoas trans e uma cena doméstica aparentemente comum. A obra chama a atenção para a persistência do transfeminicídio no Brasil e destaca a importância da defesa da vida, da dignidade e dos direitos da população trans.
A exposição reforça o papel do Museu Regional do Norte de Minas como espaço de valorização da diversidade cultural e de promoção de debates contemporâneos por meio da arte. A iniciativa também amplia o acesso da comunidade a produções que dialogam com temas sociais relevantes, incentivando a reflexão e o respeito às múltiplas formas de expressão e existência.
A visitação pode ser feita gratuitamente de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 12h. O Museu Regional do Norte de Minas está localizado na Rua Coronel Celestino, nº 75, no Centro Histórico de Montes Claros.



