Descrição da imagem
Movimento propõe retirar ferrovia do centro e criar Avenida Senador Darcy Ribeiro em Montes Claros - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Movimento propõe retirar ferrovia do centro e criar Avenida Senador Darcy Ribeiro em Montes Claros

Grupo lança Fórum Independente de Desenvolvimento para articular projeto de contorno ferroviário; estimativa de investimento ultrapassa R$ 1 bilhão e iniciativa busca engajar sociedade e poder público

O debate sobre o futuro da malha ferroviária em Montes Claros ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (23). Um grupo de lideranças de diferentes setores da sociedade lançou um movimento organizado para defender a construção de um contorno ferroviário que desvie os trilhos da área urbana e permita a criação de um grande corredor de mobilidade no espaço atualmente ocupado pela ferrovia. A proposta, apresentada durante coletiva na residência do médico Dr. Humberto Plínio Ribeiro, também marcou a criação do Fórum Independente de Desenvolvimento de Montes Claros (FÍDMOC), entidade que pretende coordenar esforços em prol de projetos estruturantes para o município.

A ideia central é simples, mas de impacto transformador: construir um novo traçado para a linha férrea fora do perímetro urbano, mantendo a operação ferroviária para escoamento de cargas e integração regional, e transformar os atuais trilhos — que cortam a cidade de ponta a ponta — em uma ampla avenida. Batizada provisoriamente de Avenida Senador Darcy Ribeiro, a via serviria como um novo eixo de desenvolvimento, interligando bairros, desafogando o trânsito e criando espaço para áreas verdes, ciclovias e novas frentes de ocupação comercial e residencial.

Segundo os idealizadores, a ferrovia teve papel fundamental no crescimento histórico de Montes Claros, impulsionando a economia local e conectando a cidade ao resto do país. No entanto, o desenvolvimento urbano desordenado e a expansão populacional transformaram os trilhos em um obstáculo à mobilidade. Hoje, a linha divide bairros, dificulta a travessia de pedestres e veículos, e gera pontos de congestionamento em várias regiões da cidade. “Os trilhos foram essenciais para o progresso, mas Montes Claros cresceu e hoje essa estrutura acaba fragmentando o tecido urbano e criando barreiras para a integração entre as regiões”, afirmou o Dr. Humberto Plínio Ribeiro durante o lançamento.

O presidente do FÍDMOC, Plínio Ribeiro, filho do médico, ressaltou que a iniciativa não é nova na cidade — há décadas se fala na retirada dos trilhos —, mas que agora há uma tentativa de dar organicidade ao movimento e transformá-lo em uma pauta concreta. “O que queremos é mobilizar a população para demonstrar apoio ao projeto e sensibilizar os representantes políticos. Esse não pode ser um assunto de gabinete; precisa ser uma causa da sociedade”, defendeu.

A coletiva contou com a exibição de um vídeo ilustrativo que mostrou o potencial da futura avenida, com simulações de como o espaço poderia ser ocupado: pistas largas para veículos, faixas exclusivas para ônibus, ciclovias, calçadas arborizadas e áreas de convivência. O material serviu para dar materialidade à proposta e estimular a imaginação dos presentes sobre os benefícios que a obra traria para a qualidade de vida dos montes-clarenses.

Embora a ideia seja ambiciosa, os organizadores reconhecem que o caminho é longo e complexo. Não há ainda projeto executivo, estudo de viabilidade técnica ou orçamento detalhado. As estimativas iniciais, baseadas em experiências similares em outras cidades brasileiras, sugerem que o investimento pode ultrapassar a casa de R$ 1 bilhão. Esse valor incluiria a construção do novo traçado ferroviário, a desativação da linha atual, a urbanização do corredor e as obras de infraestrutura complementares. “É um projeto de grande porte, mas que pode ser feito em etapas, com planejamento e articulação política”, ponderou Plínio Ribeiro.

O grupo também citou exemplos nacionais que serviram de inspiração. Cidades como São Paulo, Recife e Curitiba já realizaram obras de remoção ou soterramento de linhas férreas em áreas urbanas, transformando antigos corredores ferroviários em parques lineares, avenidas ou complexos viários. “Não estamos inventando a roda. Existem experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo que mostram que é possível conciliar a operação ferroviária com o desenvolvimento urbano sustentável”, destacou um dos participantes.

Os membros do FÍDMOC fizeram questão de enfatizar que o movimento não tem vínculo partidário e que pretende dialogar com representantes de diferentes correntes políticas. “Não importa de que lado está. O que importa é o futuro de Montes Claros. Vamos conversar com prefeito, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores — todos que puderem contribuir para viabilizar esse sonho”, afirmou Plínio Ribeiro.

A criação do fórum é vista como um passo estratégico para dar capilaridade ao movimento. A entidade pretende reunir especialistas em mobilidade urbana, planejamento territorial, engenharia de transportes e economia, além de representantes do comércio, indústria, universidades e sociedade civil. A ideia é construir um diagnóstico técnico robusto e um plano de ação que possa ser apresentado aos governos municipal, estadual e federal como uma proposta madura e viável.

A reação inicial ao lançamento foi positiva, com manifestações de apoio nas redes sociais e de entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Montes Claros (ACIMC) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). “É um projeto ousado, mas necessário. Montes Claros precisa pensar grande, e esse é um dos maiores desafios urbanos que temos pela frente”, comentou um representante do setor produtivo.

Nos próximos dias, o FÍDMOC deve iniciar uma campanha de mobilização digital, com a criação de perfis em redes sociais, petições online e materiais informativos para engajar a população. O objetivo é reunir um número expressivo de apoiadores para demonstrar que a retirada dos trilhos é um desejo compartilhado por diferentes segmentos da sociedade. “Queremos mostrar que não é um sonho de alguns, mas uma aspiração coletiva. Só com a força da sociedade conseguiremos convencer os governantes a abraçar essa causa”, concluiu Plínio Ribeiro.

A ferrovia, que há décadas é parte da paisagem urbana de Montes Claros, pode enfim dar lugar a um novo capítulo na história da cidade — um capítulo que promete unir desenvolvimento econômico, mobilidade sustentável e qualidade de vida. O desafio está lançado.