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Minas Gerais regulamenta os esportes eletrônicos e reconhece oficialmente os e-sports como modalidade de rendimento - Rede Gazeta de Comunicação

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Minas Gerais regulamenta os esportes eletrônicos e reconhece oficialmente os e-sports como modalidade de rendimento

Nova lei define regras para a prática dos esportes eletrônicos no Estado, incentiva o desenvolvimento da modalidade, estabelece princípios de ética e inclusão e exclui jogos de azar e apostas da categoria

Os esportes eletrônicos passam a contar com um marco legal em Minas Gerais. Foi publicada no Diário Oficial Minas Gerais desta quinta-feira (16) a Lei nº 25.981/2026, que disciplina a prática dos e-sports no Estado, estabelece diretrizes para o desenvolvimento da modalidade e reconhece oficialmente os esportes eletrônicos como integrantes do desporto de rendimento.

A legislação é resultado do Projeto de Lei nº 3.569/2025, de autoria do deputado estadual Coronel Henrique (PL), aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 10 de junho deste ano.

Com a entrada em vigor da norma, Minas Gerais passa a dispor de regras específicas para incentivar a prática organizada dos esportes eletrônicos, promovendo valores como ética, cidadania, inclusão e desenvolvimento intelectual.

Lei define o que é esporte eletrônico

A nova legislação estabelece uma definição oficial para os esportes eletrônicos.

Segundo o texto, os e-sports são competições de jogos eletrônicos disputadas de forma individual ou em equipe, nas quais os participantes utilizam habilidades físicas, cognitivas e estratégicas para alcançar desempenho competitivo.

A norma reconhece que a modalidade exige preparo técnico, raciocínio rápido, coordenação motora, concentração e capacidade de tomada de decisões, características presentes nas competições de alto rendimento realizadas em diferentes partes do mundo.

Ao estabelecer esse conceito, a lei busca diferenciar os esportes eletrônicos de outras modalidades de entretenimento digital.

Jogos de azar e apostas ficam fora da regulamentação

A legislação deixa claro que nem todo jogo eletrônico pode ser considerado um esporte eletrônico.

Ficam expressamente excluídos da definição:

jogos de azar;

plataformas de apostas;

jogos em que o resultado dependa predominantemente da sorte.

Dessa forma, apenas competições baseadas no desempenho, na habilidade e na estratégia dos participantes poderão ser enquadradas como esportes eletrônicos para fins da legislação estadual.

A exclusão busca evitar interpretações que equiparem atividades de apostas ou jogos de fortuna às competições esportivas digitais.

Cidadania e desenvolvimento intelectual estão entre os objetivos

Além de regulamentar a modalidade, a nova lei estabelece princípios que deverão orientar a prática dos esportes eletrônicos em Minas Gerais.

Entre os objetivos previstos estão:

promover a cidadania por meio do esporte;

incentivar a boa convivência entre os participantes;

estimular o desenvolvimento intelectual, cultural e esportivo;

fortalecer o raciocínio lógico;

aprimorar habilidades cognitivas;

desenvolver a coordenação motora dos competidores.

Segundo a norma, os e-sports devem ser utilizados também como instrumento de formação pessoal, contribuindo para o crescimento educacional e social dos praticantes.

Ética e fair play passam a ser princípios obrigatórios

Outro ponto de destaque da legislação é a valorização do fair play, expressão utilizada no meio esportivo para representar o chamado “jogo limpo”.

A lei determina que competições de esportes eletrônicos realizadas no Estado deverão estimular padrões éticos, respeito entre os participantes e comportamento compatível com os valores do esporte.

Também passam a integrar os princípios da modalidade o combate a atitudes antidesportivas e o incentivo ao respeito às regras de cada competição.

Segundo a legislação, o ambiente competitivo deve ser pautado pela honestidade, responsabilidade e espírito esportivo.

Inclusão e diversidade recebem incentivo

A nova legislação também prevê que os esportes eletrônicos sejam utilizados como ferramenta de promoção da diversidade.

Entre as diretrizes estabelecidas está o incentivo à convivência entre jogadores de diferentes povos, culturas, etnias e gêneros.

A intenção é fortalecer um ambiente competitivo inclusivo, capaz de ampliar o acesso à modalidade e combater práticas discriminatórias dentro do universo dos jogos eletrônicos.

Nos últimos anos, o cenário dos e-sports tem registrado crescimento expressivo no número de praticantes e competições, tornando a inclusão um dos temas centrais do setor.

Entidades poderão organizar a modalidade

A Lei nº 25.981 também autoriza a criação de entidades de administração do desporto eletrônico, responsáveis pela regulamentação, organização e fomento das atividades relacionadas aos e-sports em Minas Gerais.

Essas instituições poderão atuar na promoção de competições, definição de normas técnicas e incentivo ao desenvolvimento da modalidade.

A atuação dessas entidades deverá respeitar a Lei Federal nº 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual dos programas de computador e estabelece regras para sua comercialização no Brasil.

Esporte eletrônico passa a integrar política estadual de desporto

Uma das principais mudanças promovidas pela nova legislação é a inclusão dos esportes eletrônicos na Política Estadual de Desporto.

Com isso, os e-sports passam a integrar oficialmente o desporto de rendimento, categoria destinada às modalidades voltadas para competições, resultados esportivos e apresentações públicas.

O reconhecimento representa um avanço institucional para o setor, aproximando os esportes eletrônicos das demais modalidades esportivas já contempladas pela legislação estadual.

A expectativa é que a medida contribua para ampliar investimentos, incentivar a formação de atletas, estimular a realização de competições e fortalecer o segmento em Minas Gerais.

Mercado em expansão

O reconhecimento legal acompanha o crescimento acelerado do mercado mundial de esportes eletrônicos.

Nos últimos anos, os e-sports deixaram de ser apenas uma forma de entretenimento para se consolidarem como uma indústria que movimenta bilhões de dólares, reúne milhões de espectadores e atrai patrocinadores, clubes esportivos e organizações profissionais em todo o mundo.

No Brasil, o setor também registra expansão constante, com aumento do número de competições, equipes profissionais, centros de treinamento e atletas especializados.

Com a publicação da Lei nº 25.981/2026, Minas Gerais passa a contar com uma base jurídica específica para acompanhar esse crescimento, incentivar a prática organizada da modalidade e promover os esportes eletrônicos como ferramenta de desenvolvimento esportivo, educacional e social, sempre fundamentados na habilidade, na estratégia, na ética e no espírito esportivo.