Descrição da imagem
Jovens apostam na formação técnica - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Jovens apostam na formação técnica

Cursos profissionalizantes viram ponte para emprego, salários mais altos e autonomia financeira entre a Geração Z

O tradicional roteiro de ingressar em uma universidade aos 17 ou 18 anos, dedicar quatro ou cinco anos a um bacharelado e apenas depois buscar uma colocação no mercado de trabalho já não é mais a única – nem sempre a mais desejada – trilha para os jovens brasileiros. Uma parcela crescente da Geração Z, composta por nascidos entre 1997 e 2012, está reescrevendo essa narrativa e colocando a formação técnica como peça central de seus projetos de vida. Mais do que um atalho para o emprego, os cursos profissionalizantes têm se consolidado como uma escolha estratégica que combina aprendizado prático, empregabilidade imediata e independência financeira em um prazo muito mais curto do que o exigido pelo ensino superior tradicional.

Em Minas Gerais, esse fenômeno ganha contornos expressivos e reflete uma mudança de comportamento que vem sendo observada em todo o país. Dados do SENAI Nacional revelam que a probabilidade de um profissional formado pela instituição ser contratado pela indústria chega a impressionantes 92,4%. O mesmo levantamento mostra que trabalhadores com formação técnica podem receber salários até 24% maiores do que aqueles que pararam no ensino médio. Diante desses números, não é surpresa que a procura por cursos profissionalizantes tenha disparado, especialmente entre jovens que enxergam na prática a chance de construir uma carreira sólida sem abrir mão de começar a trabalhar cedo e conquistar sua autonomia financeira.

Para atender a essa demanda crescente, o SENAI Minas está com inscrições abertas para mais de 5 mil vagas em cursos técnicos presenciais, com oportunidades distribuídas por diversas regiões do estado. As áreas contempladas vão desde tecnologia e automação até mecânica, eletroeletrônica, construção civil, segurança do trabalho e gestão industrial. Em Montes Claros, a Escola do SENAI oferece vagas para os cursos de Técnico em Qualidade e Técnico em Eletromecânica. As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de julho, exclusivamente pelo site da FIEMG, com as aulas previstas para iniciar em agosto. Como atrativo adicional para estimular o ingresso dos jovens, a primeira mensalidade custa apenas R$ 99,90 para todos os cursos.

O gerente de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI Minas, Ricardo Aloysio, explica que a instituição constrói seus currículos a partir das necessidades reais das empresas, o que garante ao aluno um treinamento alinhado com o que o mercado efetivamente busca. “Para que o jovem consiga uma boa oportunidade na indústria, ele precisa se qualificar. É aí que entra o SENAI, que é uma instituição diretamente ligada à indústria. Todos os nossos cursos são construídos a partir das necessidades reais das empresas e das competências que elas procuram nos profissionais”, destaca o gerente.

A história de João Gabriel Figueiredo Santos, de 20 anos, é um retrato vivo desse novo caminho. Aluno do curso técnico em Eletrotécnica do SENAI Alvimar Carneiro de Rezende, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ele já atua como oficial de manutenção no Clube SESI Betim – antes mesmo de concluir a formação. “Me interessei pela área porque a Eletrotécnica tem uma boa remuneração e uma grande procura por profissionais. E encontrei um ensino de qualidade e com professores competentes”, relata o jovem, que viu na formação técnica a oportunidade de entrar no mercado de trabalho com um pé de vantagem.

O movimento, porém, não se restringe aos jovens em início de carreira. Profissionais que buscam reinvenção também têm encontrado nos cursos técnicos uma porta de entrada para novas áreas e novos propósitos. Foi o caso de Ayrton Frank de Freitas Pereira, que trocou o trabalho como assistente de compras, onde não via perspectivas claras de crescimento, pela atuação como técnico em Segurança do Trabalho após concluir o curso no SENAI Alvimar Carneiro de Rezende. Hoje, ele afirma ter encontrado não apenas um novo emprego, mas um novo propósito profissional. “Consegui emprego após a conclusão do curso. Hoje trabalho mais focado em um objetivo, que é cuidar do próximo. Meu conselho para quem ainda está em dúvida é focar em uma área que gosta de verdade. Desta forma, nunca terá um trabalho e, sim, um lazer que será remunerado”, conclui.

Com a digitalização acelerada da indústria e as transformações tecnológicas que redesenham os processos produtivos, áreas como automação industrial, eletrotécnica, eletromecânica, mecânica e tecnologia da informação prometem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Para especialistas do setor produtivo, investir na formação técnica é, acima de tudo, investir no futuro – mas com os pés firmes no presente, garantindo competitividade para a indústria brasileira e empregabilidade de qualidade para os jovens que ousam trilhar caminhos diferentes do convencional.