Reunião anual dos dirigentes da Rede Federal acontece de 10 a 12 de novembro no Lilia Buffet; expectativa é de 1.200 participantes
Serão três dias para olhar para trás com gratidão, para o presente com responsabilidade e para o futuro com ousadia. O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) se prepara para escrever um capítulo especial na história da educação profissional e tecnológica do país. Entre os dias 10 e 12 de novembro de 2026, a cidade de Montes Claros sediará a 50ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica — a Reditec —, um encontro que promete ir além da gestão burocrática para se tornar um verdadeiro fórum de reflexão sobre o papel da educação na construção da nação.
A realização é uma parceria entre o IFNMG, a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal (Conif). E a escolha de Montes Claros não poderia ser mais simbólica: a cidade é terra natal de Darcy Ribeiro (1922-1997) — antropólogo, escritor, político e um dos mais ardorosos defensores da educação pública como alavanca de transformação social. Sua obra e seu pensamento inspiram diretamente o tema central da edição de 2026: “Rede Federal: Educação como projeto de Brasil”.
O que é a Reditec e por que esta edição é especial
Para quem não conhece, a Reditec é considerada o mais importante encontro de formação e articulação de gestores da Rede Federal. Ela reúne reitores, diretores-gerais de campi, pró-reitores e demais dirigentes das 41 instituições que compõem o sistema — incluindo os 38 institutos federais, os dois Cefets (Centro Federal de Educação Tecnológica) e o Colégio Pedro II. Ao todo, a Rede Federal soma mais de 700 campi espalhados por todo o território brasileiro, atendendo a mais de 1,5 milhão de estudantes.
A edição de 2026 é especialmente simbólica por ser a 50ª. Meio século de encontros que ajudaram a moldar a identidade da Rede. Por isso, a organização decidiu que não bastaria discutir pautas administrativas rotineiras. Será um momento de autoanálise coletiva: que Rede construímos até aqui? O que somos hoje? E, principalmente, o que queremos nos tornar nas próximas décadas?
Números que impressionam
A estrutura montada para receber os participantes será de grande porte. O Centro de Conferências do Lilia Buffet, na região sul de Montes Claros, foi o local escolhido por sua capacidade e localização estratégica. A expectativa é de 1.200 pessoas entre reitores, diretores-gerais, técnicos, convidados especiais, palestrantes nacionais e internacionais e representantes do governo federal.
A programação ocupará quatro palcos simultâneos, com palestras magnas, mesas-redondas temáticas, oficinas de gestão, mostra de experiências exitosas, feira de expositores e uma feira de produtores regionais — valorizando a agricultura familiar e a culinária norte-mineira. O IFNMG – Campus Montes Claros também sediará reuniões paralelas dos fóruns de assessoramento do Conif.
Darcy Ribeiro como fio condutor
O conceito visual e filosófico do evento foi construído sob a luz das ideias de Darcy Ribeiro. A identidade gráfica da 50ª Reditec traz uma árvore em forma de Brasil — cujo tronco representa a força da educação pública como eixo estruturante do país. Os pontos conectados simbolizam os diferentes territórios, instituições, agentes e saberes que compõem a Rede. As raízes aparentes, propositais, reforçam a ideia de que o futuro não se constrói rompendo com o passado, mas sim valorizando memórias, culturas e conhecimentos locais.
Além disso, elementos gráficos inspirados em circuitos eletrônicos e conexões de rede lembram o compromisso histórico da Rede Federal com a ciência, a inovação e o desenvolvimento tecnológico. As cores escolhidas — tons de laranja, vermelho e amarelo — remetem ao pôr do sol do Norte de Minas, um cenário que, nas palavras dos organizadores, “convidam ao recolhimento e à esperança”.
Em entrevista à nossa reportagem, o presidente da comissão organizadora e diretor do Departamento de Comunicação do IFNMG, Bráulio Quirino Siffert, detalhou o processo criativo: “A marca traduz visualmente a ideia de que a Rede Federal é, ao mesmo tempo, raiz e futuro. O tronco robusto sustenta uma copa que se expande. Não há dicotomia entre tradição e inovação. A árvore em forma de Brasil diz: a educação profissional é uma política de Estado que enraíza oportunidades em cada canto desse país continental.”
Construção coletiva e participação democrática
Desde janeiro de 2026, servidores do IFNMG, organizados em comissões temáticas, vêm trabalhando na construção do evento. Tudo tem sido amplamente debatido com a equipe do secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli, com o pleno do Conif e com os próprios gestores do IFNMG. A reitora do IFNMG, professora Joaquina de Fátima (nome citado no release original), destacou a importância desse processo colaborativo: “Tudo está sendo construído com diálogo, escuta e participação coletiva. E assim pretendemos entregar toda a Reditec: com engajamento dos participantes e muito aprendizado, trocas e reflexões sobre o passado, o presente e o futuro da nossa Rede. Em muitos sentidos, a utopia educacional sonhada por Darcy Ribeiro encontra expressão na Rede Federal: uma educação pública, popular e federal, potente, conectada às necessidades da população, ao mundo do trabalho e comprometida com a transformação social.”
Programação moderna e interativa
Diferente de edições anteriores mais centradas em palestras expositivas, a 50ª Reditec aposta em formatos dinâmicos. Haverá laboratórios de inovação em gestão, rodas de conversa mediadas por especialistas e sessões de pitching onde dirigentes poderão apresentar desafios locais e receber contribuições em tempo real de outros campi. Uma mostra de projetos do IFNMG trará para o centro do debate as pesquisas e extensões que conectam a instituição às comunidades do Norte de Minas.
O público também poderá participar de atividades culturais — com apresentações de grupos tradicionais, como a Folia de Reis, o congado e o tambor mineiro — e de momentos de integração previstos para as noites do evento. A ideia, segundo os organizadores, é que Montes Claros se torne “um grande laboratório de ideias”, de onde os gestores saiam “motivados, fortalecidos e com a certeza de que a educação realizada pela Rede Federal representa um dos mais importantes projetos de país que temos”.
Um legado para o Norte de Minas
Sediar a 50ª Reditec é também uma oportunidade de projetar Montes Claros e toda a região Norte de Minas Gerais no cenário nacional da educação. O IFNMG, que possui campi em cidades como Montes Claros, Januária, Salinas, Pirapora, Almenara, Araçuaí, entre outras, tem se destacado como um dos institutos federais mais inovadores do país, especialmente em áreas como agroecologia, energias renováveis e formação de professores.
A escolha do tema “Educação como projeto de Brasil” não poderia ser mais oportuna. Em um momento em que o país debate os rumos da educação básica e profissional, a Rede Federal se apresenta como uma política de Estado consolidada — que atravessa governos, resiste a crises e segue formando gerações. Como diria Darcy Ribeiro: “A educação não é uma despesa. É o maior dos investimentos.”
Agora, Montes Claros se prepara para receber essa maratona de ideias. O sol do cerrado vai se pôr atrás do Lilia Buffet, tingindo o céu de laranja e vermelho. Dentro do centro de conferências, 1.200 gestores vão desenhar o próximo capítulo da história mais bem-sucedida de educação profissional da América Latina. E tudo isso começando com uma árvore — ou melhor, com um Brasil em forma de árvore.



