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FIEMG aponta desaceleração da inflação e vê ambiente favorável para novos cortes na taxa de juros - Rede Gazeta de Comunicação

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FIEMG aponta desaceleração da inflação e vê ambiente favorável para novos cortes na taxa de juros

Federação destaca terceiro mês consecutivo de arrefecimento do IPCA e avalia que cenário amplia a possibilidade de redução da Selic. Entidade, porém, alerta para riscos fiscais, climáticos e geopolíticos que ainda podem pressionar os preços ao longo de 2026

A inflação brasileira voltou a dar sinais de desaceleração em junho, fortalecendo as expectativas de continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros da economia. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que divulgou nesta sexta-feira (10) uma análise apontando melhora no comportamento dos preços, mas ressaltando que o cenário ainda exige cautela diante de fatores internos e externos capazes de influenciar a economia nos próximos meses.

Segundo o levantamento da entidade, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, resultado significativamente inferior ao observado em maio, quando a inflação mensal ficou próxima de 0,60%. O desempenho representa o terceiro mês consecutivo de desaceleração do principal indicador oficial da inflação brasileira.

Na avaliação da FIEMG, a redução do ritmo de crescimento dos preços é um sinal positivo para a política monetária e pode abrir espaço para que o Banco Central mantenha o processo de flexibilização da taxa Selic, contribuindo para estimular investimentos, consumo e atividade econômica.

Inflação perde força em sete grupos

O estudo destaca que a desaceleração ocorreu de forma relativamente disseminada entre os diferentes segmentos da economia.

Dos nove grupos que compõem o IPCA, sete apresentaram perda de intensidade na variação de preços durante junho, indicando um comportamento mais equilibrado da inflação.

No acumulado de 12 meses, o índice passou para 4,6%, permanecendo, entretanto, acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Mesmo assim, a FIEMG considera que o movimento recente representa uma tendência importante para os próximos meses, especialmente se houver continuidade da redução das pressões sobre custos de produção e consumo.

Queda do petróleo favorece cenário

Entre os fatores que contribuíram para o comportamento mais favorável da inflação está a redução dos preços internacionais do petróleo e de seus derivados.

Segundo a análise da entidade, esse movimento tende a produzir reflexos positivos em diferentes setores da economia, uma vez que combustíveis exercem influência direta sobre os custos logísticos, transporte de cargas, geração de energia e distribuição de mercadorias.

A diminuição dessas despesas pode ajudar a conter reajustes de preços em produtos industriais, alimentos e serviços, reduzindo parte das pressões inflacionárias enfrentadas pelas famílias e pelas empresas.

Além disso, um ambiente de inflação mais controlada favorece a redução dos juros, ampliando o acesso ao crédito e incentivando novos investimentos produtivos.

Selic pode continuar em trajetória de queda

Na avaliação da FIEMG, o comportamento recente do IPCA reforça a possibilidade de o Banco Central manter a trajetória de redução da taxa Selic ao longo dos próximos meses.

Juros menores costumam reduzir o custo dos financiamentos para empresas e consumidores, estimulando investimentos, expansão da produção industrial, geração de empregos e crescimento da economia.

Para o setor produtivo, a continuidade desse processo representa um fator importante para recuperar a competitividade e ampliar a capacidade de investimento, especialmente em segmentos industriais mais dependentes de crédito.

Riscos permanecem no horizonte

Apesar da melhora observada no comportamento da inflação, a FIEMG ressalta que ainda existem fatores capazes de alterar o cenário econômico ao longo de 2026.

Entre os principais riscos apontados pela entidade estão as incertezas fiscais, que continuam sendo acompanhadas pelos agentes econômicos devido ao impacto que podem exercer sobre as expectativas de inflação e sobre o comportamento das taxas de juros.

O estudo também chama atenção para o cenário internacional, especialmente em relação às tensões geopolíticas no Oriente Médio, que podem provocar oscilações nos preços do petróleo e afetar mercados globais.

Outro ponto de preocupação envolve as condições climáticas. A possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño pode provocar alterações no regime de chuvas, afetando a produção agrícola, pressionando os preços dos alimentos e aumentando custos em diferentes cadeias produtivas

Além disso, a FIEMG destaca que os efeitos das políticas fiscal e de crédito adotadas pelo governo também deverão influenciar o ritmo da atividade econômica e da inflação nos próximos meses.

Mercado ainda prevê inflação acima da meta

Mesmo com a desaceleração observada em junho, as projeções do mercado financeiro continuam indicando que a inflação deverá encerrar 2026 em torno de 5,3%, percentual superior ao centro da meta estabelecida para o período.

Para a FIEMG, esse cenário demonstra que o processo de controle inflacionário ainda não está consolidado e dependerá da combinação entre responsabilidade fiscal, estabilidade internacional, boas condições climáticas e manutenção de uma política monetária compatível com a evolução dos preços.

A entidade avalia que, embora o ambiente econômico tenha se tornado mais favorável à continuidade dos cortes da Selic, será fundamental acompanhar a evolução dos indicadores ao longo dos próximos meses para verificar se a tendência de desaceleração da inflação será sustentada de forma consistente.

Nesse contexto, o desempenho do IPCA em junho é visto como um sinal positivo para a economia brasileira, oferecendo maior confiança ao setor produtivo, aos investidores e aos consumidores, mas sem eliminar os desafios que ainda cercam o controle da inflação e a retomada do crescimento econômico sustentável.