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CRISE NO COELHO | Umberto Louzer promete reação imediata - Rede Gazeta de Comunicação

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CRISE NO COELHO | Umberto Louzer promete reação imediata

Terceiro técnico do América na temporada assume time com o pior ataque e a pior defesa da Série B; treinador aposta na ‘coragem’ para tirar equipe do Z-4

Em meio à pior crise das últimas décadas no futebol mineiro, o América apresentou oficialmente na manhã desta sexta-feira (5) seu terceiro técnico na temporada 2026: Umberto Louzer, de 46 anos. A cerimônia aconteceu no Centro de Treinamento Lanna Drumond, na região Oeste da capital, e teve um tom de desabafo e, ao mesmo tempo, de desafio. O ex-volante, campeão da Série B de 2020 pela Chapecoense, chega para substituir Roger Silva, que durou apenas oito jogos no cargo.

Os números que recepcionam Louzer são assustadores para um clube que, há dois anos, disputava a elite do futebol brasileiro. Em 11 rodadas do Campeonato Brasileiro da Série B, o Coelho soma apenas três pontos — fruto de três empates — e oito derrotas. É o lanterna isolado da competição. Pior: o time tem o ataque menos positivo (seis gols marcados) e a defesa mais vazada (22 gols sofridos). Saldo de -16. Uma tragédia anunciada que já custou os cargos de Alberto Valentim e Roger Silva.

Na coletiva de apresentação, ao lado do diretor de futebol Paulo Assis, Louzer não escondeu a magnitude do desafio, mas fez questão de afastar qualquer discurso derrotista. “Estou muito feliz por estar aqui, fazendo parte dessa instituição tão grande. Sempre tive o desejo de comandar o América por tudo o que esse clube representa. É motivo de orgulho, independentemente das circunstâncias. Com o apoio de nossos torcedores, com muito empenho e trabalho, a gente irá reverter esse cenário adverso”, declarou.

A grande aposta do novo comandante, segundo ele mesmo, não está no aspecto tático — ao menos não apenas nele. Louzer disse que o elenco americano precisa, antes de tudo, de um choque de “coragem”. Para o treinador, o futebol é um jogo de imposição, e os jogadores vêm atuando com medo desde as primeiras rodadas.

“O futebol é um jogo de coragem, é um jogo de imposição. A gente precisa ter coragem para colocar em prática aquilo que temos de capacidade e talento. Todos eles têm virtudes. É em cima disso que a gente tem atacado no dia a dia. Quero que eles tragam as suas melhores versões, que isso seja aflorado no dia do jogo”, afirmou Louzer, que já comandou outras equipes como Guarani, Ponte Preta, CSA e Náutico ao longo da carreira.

O treinador também foi questionado sobre o trabalho emocional com o grupo, que amargou eliminações precoces no Campeonato Mineiro e na Copa do Brasil ainda no primeiro semestre. Ele confirmou que a preparação mental será prioridade nos treinos, com conversas individuais e coletivas para restaurar a confiança de jogadores que, em sua maioria, já provaram ter qualidade em temporadas anteriores — casos de Juninho, Alê, Felipe Azevedo e Índio Ramírez.

A diretoria, por sua vez, evitou dar metas públicas de acesso ou permanência, mas nos bastidores o discurso é claro: é preciso, antes do fim do primeiro turno, deixar a zona de rebaixamento. Atualmente, o América está a quatro pontos do 17º colocado (o CRB, com sete pontos). Não é uma distância intransponível, mas exige uma vitória imediata — justamente o que Louzer nunca conseguiu na estreia em seus últimos clubes.

O primeiro teste será na próxima segunda-feira (8), às 20h, no Estádio Independência, contra o Atlético-GO, pela 12ª rodada da Série B. O Dragão ocupa a 9ª colocação, com 16 pontos, e vive momento muito mais tranquilo na competição. A partida será a chance de Louzer mostrar se seu discurso de “coragem” se traduz em campo — ou se o América continuará afundado na crise mais grave desde seu retorno à Série B, há quatro anos.

A torcida americana, que já não comparece em peso ao Independência, prometeu reagir caso os primeiros sinais de melhora apareçam. Resta saber se Umberto Louzer, terceira tentativa da diretoria em 2026, será enfim o nome capaz de estancar a hemorragia. O tempo, na Série B, não espera.