Após vitória no clássico, volante equatoriano associou o comportamento reservado de Alan Minda ao do francês Michael Olise; atacante fez gol e provocou risos no vestiário
A personalidade discreta de Alan Minda virou assunto nos bastidores do Atlético após o clássico contra o Cruzeiro. Autor do primeiro gol na vitória por 3 a 1, no último sábado (2/5), no Mineirão, o atacante equatoriano de 22 anos protagonizou uma cena curiosa que escapou das quatro linhas e tomou conta dos corredores do estádio. Ao ser abordado pela câmera da Galo TV no vestiário, Minda escondeu o rosto no capuz do agasalho, tentou se desviar do foco e disse, de forma resmungada, que “não queria falar”. A recusa, no entanto, foi recebida com risadas pelos companheiros, que se divertiram com a timidez do atacante recém-chegado. Foi nesse clima descontraído que o volante e também equatoriano Alan Franco soltou a comparação que rapidamente viralizou nas redes sociais: “Ah, porque os craques são assim (tímidos), tipo Olise, Alan Minda (risos)”.
A referência a Michael Olise, meia-atacante do Bayern de Munique e da Seleção Francesa, não foi aleatória. Nos últimos meses, o jogador francês tem chamado a atenção não apenas pelo talento com a bola nos pés, mas por um comportamento incomum nos dias de hoje. Olise é avesso a entrevistas, evita contatos mais calorosos com os companheiros, raramente comemora os próprios gols e sequer mantém contrato com uma fornecedora de materiais esportivos, ao contrário da grande maioria dos atletas de alto nível. O francês entra em campo com modelos antigos de chuteiras da Nike, da linha Hypervenom 3, que customiza para combinar com a cor do uniforme que veste. Seu ritual antes das partidas também já se tornou famoso: ele sempre arrasta um dos pés no gramado, gesto que muitos interpretam como marra, mas que o próprio jogador já explicou ser uma forma de avaliar se o campo está seco ou molhado, com a grama alta ou baixa.
Alan Minda, ainda que em escala bem menor e longe da ribalta europeia, demonstrou ter traços semelhantes de personalidade. Após ser “perseguido” pela câmera e pressionado pelos colegas no vestiário do Mineirão, o atacante cedeu por poucos segundos e disse, de forma breve e direta: “Muito feliz pelo gol e pela vitória, vamo!”. As cenas cômicas foram registradas no vídeo de bastidores do clássico, publicados pela Galo TV no YouTube, e renderam uma enxurrada de comentários bem-humorados entre os torcedores. Minda, de fato, tem se mostrado um jogador mais reservado, que prefere falar com os pés do que com o microfone.
Contratado pelo Atlético em 14 de janeiro junto ao Cercle Brugge, da Bélgica, o equatoriano de 22 anos ainda dá seus primeiros passos com a camisa alvinegra. Revelado pelo Independiente del Valle, Minda é figura frequente nas convocações da Seleção Equatoriana e chegou ao Brasil cercado de expectativa. O clássico contra o Cruzeiro foi apenas o 12º jogo do atacante pelo Galo, e o gol marcado — que abriu o placar da partida — foi o primeiro dele com a camisa preta e branca. Além disso, ele também sofreu o pênalti que resultou no segundo gol da equipe, consolidando uma atuação decisiva no momento mais importante da temporada até aqui.
A brincadeira de Alan Franco, ainda que feita em tom humorístico entre amigos, acabou jogando luz sobre um fenômeno curioso do futebol contemporâneo: a existência de jogadores de altíssimo nível que fazem questão de manter o pé no chão longe das câmeras. No caso de Minda, a timidez ainda pode ser confundida com inexperiência ou falta de intimidade com a imprensa brasileira, mas a comparação com Olise, por mais exagerada que pareça agora, serve ao menos para mostrar que o atacante tem o perfil de quem prefere o silêncio ao espetáculo fora de campo. Se continuar decidindo clássicos como fez no último sábado, a torcida do Atlético certamente não vai se importar com o capuz puxado sobre o rosto — e Alan Franco poderá repetir a piada quantas vezes quiser.



