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ARSENAL NO QUINTAL | Polícia prende suspeito com armas de Brasília - Rede Gazeta de Comunicação

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ARSENAL NO QUINTAL | Polícia prende suspeito com armas de Brasília

Homem de 36 anos tentou fugir pelos fundos, mas acabou cercado; pistola 9mm e revólver .38 com numeração raspada foram comprados por R$ 16 mil no Distrito Federal

Uma operação silenciosa e planejada ao longo de vários dias terminou com um importante desarme na noite dessa segunda-feira (1º) no bairro Portal dos Ipês, área nobre e de classe média alta em Montes Claros. A Polícia Militar, por meio da 11ª Região da Polícia Militar (11ª RPM), prendeu um comerciante de 36 anos suspeito de porte ilegal de armas de fogo após denúncias que apontavam sua residência como verdadeiro depósito de material bélico.

De acordo com o boletim de ocorrência, as investigações tiveram início há cerca de duas semanas, quando informantes anônimos relataram ao Copom que uma casa na rua dos Flamboyants — localizada em uma das quadras mais arborizadas do bairro — estaria sendo usada para guardar armas de fogo, munições e outros itens de procedência duvidosa. Os policiais do Tático Móvel passaram então a monitorar o imóvel em horários alternados, anotando a movimentação de veículos de luxo e a rotina do morador.

O que eles viram reforçou as suspeitas. O suspeito, um homem de 36 anos que se apresenta como revendedor de automóveis, recebia visitas rápidas e constantes, muitas delas de indivíduos com comportamento esquivo. Além disso, câmeras de segurança apontadas para a rua indicavam um nível de paranoia incomum para um simples comerciante.

Na noite de segunda, por volta das 20h30, as equipes decidiram agir. Ao se aproximarem da residência, avistaram o suspeito em pé na calçada, vestindo bermuda e camisa escura. Imediatamente, os policiais notaram um volume retangular na cintura dele — compatível com o formato de um pistolão. “Ele tentou disfarçar cruzando os braços, mas o movimento foi brusco”, relatou um dos comandantes da operação.

Assim que percebeu que os militares tinham notado o porte, o suspeito correu em direção ao portão eletrônico da garagem, acionou o controle remoto e disparou para os fundos da casa. Seu plano era atravessar o quintal e pular o muro para um lote vago vizinho. Porém, o que ele não sabia é que as equipes já haviam montado um cerco completo: policiais posicionados na lateral e nos fundos do terreno frustraram a fuga em menos de 30 segundos.

O suspeito foi contido e, sob questionamento, admitiu ter arremessado uma arma no terreno baldio ao lado. As buscas não demoraram: entre arbustos e entulhos, os militares encontraram uma pistola calibre 9 milímetros, carregada com 17 munições intactas — todas de fabricação aparentemente estrangeira. A arma, segundo o próprio detido, custou R$ 9 mil e foi adquirida no mercado paralelo de Brasília (DF).

Autorizada a entrada na residência — o suspeito assinou um termo de consentimento após orientação legal —, a equipe realizou uma varredura minuciosa. Dentro de um armário de aço instalado no escritório, os policiais localizaram um revólver calibre .38 com a numeração de série completamente raspada, uma tentativa clara de ocultar a origem criminosa do objeto. O revólver estava carregado com seis munições intactas. Além disso, em uma gaveta trancada (cuja chave estava no bolso do suspeito), foram encontradas munições avulsas dos calibres .38 e 9mm, totalizando mais 24 cartuchos.

Questionado sobre o alto poder de fogo, o homem justificou: “Estou recebendo ameaças de morte de um desafeto. Comprei as armas para me proteger.” Ele revelou que a pistola foi adquirida por R9mileorevoˊlverporR9mileorevoˊlverporR 7 mil, somando R$ 16 mil investidos em armamento. Disse ainda que as compras foram feitas em Brasília durante uma viagem a negócios, há aproximadamente três meses.

Os policiais, no entanto, desconfiam da versão. “A numeração raspada indica que o revólver pode ter sido usado em outros crimes. Vamos aguardar a perícia. Além disso, o volume de munição é excessivo para mera defesa pessoal”, observou um oficial.

A apreensão também incluiu itens tecnológicos: o DVR do sistema de monitoramento da residência (gravador das imagens das câmeras de segurança) foi recolhido para que a Polícia Civil analise possíveis conexões com outros investigados. Diversos aparelhos celulares — ao menos cinco — foram encontrados sem nota fiscal e com chip de operadoras pré-pagas, o que pode indicar uso para atividades ilícitas. O suspeito não conseguiu comprovar a procedência de nenhum deles.

Todo o material foi encaminhado à Delegacia de Plantão Digital de Montes Claros, onde o homem foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito (a pistola 9mm) e por adulteração de sinal identificador (numeração raspada).