Moradores do bairro Chiquinho Guimarães protestam, após morte em confronto com a Polícia Militar - Rede Gazeta de Comunicação

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Moradores do bairro Chiquinho Guimarães protestam, após morte em confronto com a Polícia Militar

GABRIELE SANTOS

Na noite dessa terça-feira (25/6), moradores do bairro Chiquinho Guimarães, em Montes Claros, realizaram um protesto em resposta à morte de um homem durante uma ação policial, ocorrida na noite anterior. Durante a manifestação, dois trechos da Avenida Manuel Caribé Filho foram interditados com a queima de materiais, expressando indignação contra a atuação da Polícia Militar. A corporação comunicou que o 50º Batalhão realizará uma coletiva para esclarecer os detalhes do caso.

Nossa equipe acompanhou o protesto no local, onde moradores, que preferiram não se identificar, questionaram a versão oficial da Polícia Militar, afirmando “que o homem teria sido executado”. Uma moradora, que conhecia o rapaz desde a infância, afirmou que ele não estava armado no momento do confronto. “Conheço esse rapaz desde os cinco anos. Ele devia à Justiça, mas não estava armado, nem com drogas. Quando viu a polícia, correu, mas mesmo assim foi atingido por mais de 20 tiros. Foi uma execução”, relatou.

Segundo a Polícia Militar, a operação foi conduzida pelo Grupo Especializado em Recobrimento (GER), após denúncia anônima de que um homem foragido estaria armado e recolhendo dinheiro do tráfico na região. Durante a tentativa de abordagem, o suspeito fugiu pelas ruas e becos do bairro, chegou a roubar uma bicicleta para escapar e entrou em uma área de mata. Ainda conforme a PM, o homem teria atirado contra os policiais, que revidaram. Ele foi socorrido com vida, mas faleceu ao dar entrada na Santa Casa.

No local da ocorrência, os policiais apreenderam drogas e uma chave de veículo. Em diligências complementares, um carro vinculado ao suspeito foi encontrado com 45 pinos de substância semelhante à cocaína, 10 papelotes da mesma droga, 19 pedras semelhantes ao crack e um celular. A PM informou que o homem possuía mandado de prisão em aberto e era investigado por homicídios relacionados ao tráfico, incluindo mortes de familiares.

Durante o protesto, os policiais presentes não estavam autorizados a prestar declarações à imprensa. Entretanto, a corporação reforçou que todos os procedimentos adotados seguiram os protocolos legais e que os detalhes serão divulgados oficialmente em coletiva pelo 50º Batalhão.

Outros moradores, também sem se identificar, expressaram temor com a atuação policial na comunidade. “Todo mundo está com medo e chorando. A polícia está batendo e espancando. Depois que saímos daqui, eles querem nos perseguir. Isso não é trabalho, é terror”, afirmou um deles. Relatos apontam que familiares de moradores já teriam sido vítimas de agressões durante operações policiais.

A manifestação, que contou com a queima de materiais na avenida, foi descrita como um pedido de justiça e socorro. “Colocamos fogo para chamar atenção, porque ninguém ouve a favela. Estamos com medo de sair de casa. A comunidade está assustada”, desabafou outro morador.

A Polícia Militar permaneceu no local durante toda a manifestação para garantir a ordem e segurança. As vias foram liberadas ainda na noite de terça-feira, e não houve registros de novos conflitos. (Fotos: Gabriele Santos)