Luiz Gustavo é um paratleta do Handbike natural de Pirapora, residente há sete de Montes Claros, e vem acumulando vitórias, tanto em corridas na nossa região, como em outros estados do Brasil. Luiz concedeu uma entrevista à nossa equipe, e falou sobre aspectos de sua vida pessoal, dramas vividos, projetos e, especialmente, sobre a sua paixão pelo esporte. Acompanhe!
Além de Montes Claros e Pirapora, em quais cidades você já morou?
“Eu já morei em Janaúba, Pirapora, Curvelo, Uberaba, Uberlândia, já morei em várias cidades de Minas. Minha família sempre se mudou muito, pelo fato do meu pai ser bombeiro militar, então ele era transferido com muita regularidade e nós nos mudávamos muito. Uma cidade que me marcou foi Uberaba, nós moramos dois anos lá, depois nos mudamos para mais duas cidades, mas acabamos retornando para Uberaba por mais três anos. Como foi a época da minha adolescência, então foi marcante, pois foi o local onde tive o primeiro emprego de carteira assinada e é uma cidade pela qual tenho muito carinho. Atualmente, faz sete anos que estamos em Montes Claros, porque há cinco meu pai se aposentou e nós nos estabelecemos aqui. Eu tenho muitas amizades aqui, hoje Montes Claros tem meu coração”.
Como começou a sua trajetória nos esportes?
“A minha trajetória com os esportes começou cedo, eu sempre gostei de esporte e praticava BMX, já participei de campeonatos. Estar em movimento é algo que sempre esteve comigo, e, em 2019, eu sofri um grave acidente, enquanto voltava do serviço, no horário de almoço. Foi uma colisão entre carro e moto, que acabou me deixando paraplégico. Hoje eu não tenho movimento nem sensibilidade do peito para baixo. Eu fui para um hospital em BH – o Sarah Kubitschek –, que é um hospital de reabilitação, um dos maiores do estado. Lá tem vários esportes, que nos proporcionam novas experiências. Eu participei do basquete lá e, depois que voltei para Montes Claros, eu pesquisei e aqui também tinha, no Ginásio Poliesportivo”.
Quando você resolveu trocar o basquete adaptado pela bike?
Então, teve a reforma da quadra do ginásio, acredito que para o vôlei, e os responsáveis alegaram que não poderia mais ter o basquete adaptado lá, pois iria estragar o piso da quadra. Também tinha a modalidade na Praça de Esportes, mas lá também houve reforma de quadra e o mesmo movimento aconteceu. Então eu fui procurar algo para fazer e encontrei os esportes de ciclismo; como eu já estava ambientado às bikes, comprei uma bicicleta de ferro – inicialmente –, e a usava para sair de casa, para fazer amizades… E acabou que eu gostei do ciclismo e comprei uma bicicleta melhor, de alumínio, uma handbike. Comecei a ir para competições e tudo foi acontecendo!”.
Como foi sua primeira participação em competições?
“A primeira vez que eu competi foi o campeonato mineiro, foi em Nova Esperança, o Campeonato Valmir Gomes. Eu me lembro desse campeonato, pois eu nunca havia caído de bicicleta, então, no dia anterior fui dar uma volta só para ver como era a pista, mas o chão molhado, pista escorregadia, acabei caindo e me ralando todo. No outro dia, participei da competição e venci, mas, ironicamente, o que me marcou mais foi a queda”.
Além do esporte, quis seus outros projetos para o futuro?
“Eu sou acadêmico do curso de Educação Física, na Universidade Estadual de Montes Claros. É um curso que lida com frequência com pessoas e com os esportes. Há pessoas que ainda se perguntam ‘como um cadeirante vai lidar e ensinar alguém sobre esporte?’ e foi por causa disso que senti vontade de fazer Educação Física, porque também têm muitos deficientes físicos que não podem, não fazem, e, por uma série de motivos, não querem fazer esporte, mas eu tenho vontade de estender a mão para essas pessoas. Vou me especializar na área para poder passar toda esta experiência para pessoas que têm deficiência e que precisam deste apoio”.
Como fazer para conhecer um pouco mais sobre a sua história e poder te apoiar nas competições?
“Essas provas que eu participo hoje são mais nacionais, São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa… Então, para ajudar no transporte, suplementação, manutenção dos equipamentos, uniformes, e tantas outras necessidades, eu lanço campanhas, em meu Instagram @luiz_paratleta e lá, também, eu posto sobre as competições e sobre o meu dia a dia, para quem quiser conhecer um pouco mais. Quero mostrar a todos de onde eu vim, quem eu sou, onde cheguei e onde quero chegar!”.
Como você define o esporte em sua vida?
“O esporte primeiramente é uma coisa saudável, foi por causa do esporte e do paraciclismo, principalmente, que eu sai de uma depressão que eu tinha. É muito difícil, sabe? A gente achar que tem tudo na mão e, em um segundo, em um momento perder tudo ou achar que perdeu tudo. Quando você não tem uma deficiência é muito fácil você trabalhar, você levantar da cama, fazer suas necessidades biológicas, estudar, tudo é muito fácil. Só que, em um segundo, você sofre um acidente e se torna um deficiente, e para tudo você precisará de um tempo maior, de uma ajuda maior de outras pessoas… O esporte me salvou. Hoje eu uso o esporte também para me tirar de vários momentos tristes, momentos ruins, então, quem gosta de esporte continue praticando, quem não gosta, passe a gostar, a se inspirar… Esporte faz bem para o corpo e para a mente”, finaliza Luiz Gustavo.


