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Polícia conclui inquérito e aponta feminicídio de mulher asfixiada pelo ex-companheiro em Montes Claros - Rede Gazeta de Comunicação

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Polícia conclui inquérito e aponta feminicídio de mulher asfixiada pelo ex-companheiro em Montes Claros

Investigação aponta relacionamento marcado por controle, perseguição e violência psicológica; suspeito teria atraído a vítima para casa antes de cometer o crime e permanece preso sob escolta no hospital

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou o feminicídio de uma mulher de 42 anos, morta pelo ex-companheiro no dia 15 de agosto, em Montes Claros, no Norte de Minas. De acordo com a investigação, a vítima foi morta por asfixia provocada por esganadura. O suspeito, que não aceitava o fim do relacionamento, teve a prisão preventiva decretada e permanece internado sob escolta policial.

Segundo a delegada Francielle Drumond, responsável pelo caso, o laudo de necropsia confirmou que a causa da morte foi asfixia decorrente da constrição do pescoço da vítima. Conforme os elementos reunidos durante a investigação, o homem teria utilizado as próprias mãos para cometer o crime.

Durante o inquérito, a Polícia Civil ouviu familiares, testemunhas e pessoas próximas à vítima. Os depoimentos, segundo a delegada, apresentaram relatos semelhantes sobre a dinâmica do relacionamento, apontando comportamento controlador, obsessivo e episódios de violência psicológica.

“Todos esses relatos foram convergentes no sentido da existência de um relacionamento abusivo, marcado por um comportamento controlador por parte do autor, obsessivo e também de violência psicológica”, afirmou Francielle Drumond.

Separação e perseguição

A investigação apontou que o casal estava separado desde maio deste ano, mas o suspeito não teria aceitado o término. Segundo a Polícia Civil, após a separação, ele passou a perseguir a mulher no local de trabalho e também nas proximidades das residências de familiares.

Apesar dos episódios relatados durante a apuração, a vítima não havia registrado boletim de ocorrência contra o ex-companheiro e também não havia solicitado medida protetiva.

“Em nenhum momento a vítima teria registrado nenhum boletim de ocorrência informando dessa violência psicológica que ela sofria e também não requereu medidas protetivas”, explicou a delegada.

Para a Polícia Civil, o caso reforça a necessidade de atenção aos sinais de violência psicológica e de controle em relacionamentos abusivos, mesmo quando ainda não ocorreram agressões físicas.

Vítima teria sido atraída para a residência

Ainda conforme a investigação, o suspeito teria descoberto que a ex-companheira iria participar de um evento social acompanhada de uma amiga e sem a presença dele.

A partir da reconstrução dos acontecimentos, os investigadores concluíram que o homem teria telefonado para a vítima e pedido que ela fosse até a residência dele. Segundo a Polícia Civil, ela teria ido ao local acreditando no chamado.

De acordo com a delegada, depois que a mulher entrou na casa, o suspeito teria trancado o portão para impedir uma possível saída e, em seguida, cometido o feminicídio por esganadura.

“O autor teria trancado o portão como uma forma de evitar qualquer possibilidade de saída ou defesa da vítima e, em seguida, praticou o feminicídio por esganadura”, relatou Francielle Drumond.

Tentativa de suicídio

Após matar a ex-companheira, o suspeito teria enviado mensagens a familiares informando que havia cometido o feminicídio e que também tiraria a própria vida.

Segundo a Polícia Civil, pouco depois ele teria efetuado um disparo contra a própria mandíbula. Familiares chegaram à residência, prestaram socorro e o homem foi encaminhado para atendimento hospitalar.

Mesmo internado em estado grave, ele teve a prisão preventiva decretada. A Polícia Civil representou pela prisão e o mandado foi cumprido na sexta-feira (21), em Montes Claros. O suspeito permanece internado e está sob custódia policial.

Arma artesanal

A investigação também apurou a origem da arma utilizada na tentativa de suicídio. Conforme a Polícia Civil, trata-se de uma arma artesanal. A delegada informou que o suspeito possuía conhecimento e habilidade para fabricar esse tipo de armamento e que os elementos reunidos no inquérito indicam que ele próprio teria produzido a arma.

Com a conclusão da investigação, o suspeito responderá pelo crime de feminicídio. A legislação brasileira prevê pena de 20 a 40 anos de prisão para esse tipo de crime.

O caso chama atenção para a importância da identificação e do enfrentamento da violência contra a mulher, especialmente em situações de controle, perseguição e violência psicológica que podem anteceder episódios de violência física e feminicídio.