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REFÉM DA INCONSCIÊNCIA - Rede Gazeta de Comunicação

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REFÉM DA INCONSCIÊNCIA

*Michael Stephan da Silva.

Não existe nada que não se possa fazer, que se não fosse pela conveniência social, humana, pela legalidade, moralidade ou sociabilidade, então seriam ilimitados nossos pensamentos e ações. Dessa forma poderíamos fazer tudo o que quiséssemos e quando quiséssemos: falar o que vem a cabeça; correr sem rumo; andar de bicicleta pelas ruas na contramão, avenidas ou matagais; dar gargalhadas sem parar, no meio de uma reunião profissional; passear pelas praças na madrugada; jogar futebol o dia inteiro sem se preocupar em voltar para casa; sair no meio de um serviço e ir pescar em um dia qualquer, tão somente para relaxar.

Há uma infinidade de coisas que estão ao nosso alcance e tudo somente depende de nossa vontade, motivação, responsabilidade e também dos valores sociais que levamos conosco. Segundo o livro sagrado, em I Coríntios, 6,12, tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.

Dia a dia aprendemos nossa primeira base de valores por meio de nossa família, dos que estão ao nosso lado.  Através de nosso animal de estimação também desenvolvemos afeto, que nos traz também tranquilidade. Em algum dia desses de domingo podemos ainda realizar aquela visita a algum amigo que há muito não se víamos e “matar a saudade”, colocar o “papo em dia”, algo bastante salutar e prazeroso. Verifica-se que turbilhões de sensações nos compõem e nos fazem remontar ideias, histórias e casos pessoais. Como é bom estar bem, em paz com a vida, com o corpo, com o espírito e estar em plena saúde para tudo!

Por outro lado compreendermos que nossa idade, nossa jovialidade poderá nos sustentar até certo ponto, em que um alerta se acenderá para nos avisar que em algum instante não teremos mais a capacidade de manter toda essa energia. Então perceberemos que tínhamos tudo – um mundo repleto a nossa frente e, quiça não dedicamos o valor devido.

É preciso se preparar emocionalmente para esse momento, é preciso aprontar o corpo e o espírito para cada fase da vida humana, pois ansiamos por viver, todavia sobre a certeza do fim da vida sempre estamos afastando essa possibilidade de reflexão. Pensemos antes sobre o que nos ensina o monge tibetano Dalai Lama, Tsultrim Gyatso – só existem dois dias no ano que nada pode ser feito: um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

Com o passar dos dias, com a idade se completando, nas comemorações anuais da passagem de nossos natalícios, a correria da vida, as metas e objetivos vão eventualmente se sobrepondo a todo sentimento, a toda vontade. Os laços que uniam as pessoas, tardiamente compreendemos que o que era muito, passou; que a idade avançou; que o amor acabou; que a festa terminou; que a casa está vazia e que os amigos também foram embora. Que há simplesmente silêncio e uma vaga lembrança do que foi ou do que poderia ter sido. Não há mais ninguém, nem ao menos para ouvir o choro, para ouvir as lamentações ou aparar as lágrimas e se consternar com tamanha solidão. Segundo escritor e filósofo japonês da era Meiji, Soseki Natsume, a solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido neste período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do nosso próprio egoísmo.

Toda essa experiência é fruto da competição que todos impõem a si para poderem desenvolver as suas capacidades por pretextos diversos, pessoais e profissionais. A todo o momento, temos algo a fazer. Parece que não se pode parar, pois o tempo sempre está contra nós, nos atropelando. Vale lembrar que um dia fomos crianças livres, que somente tínhamos em mente a sensação de se sentir bem, de poder brincar, de fazer o que se tinha vontade, de brincar de bola; a menina com suas bonecas e colegas; cada menino com seu grupo, com sua brincadeira, seja de roda, seja de pega-pega, de esconde-esconde, travessuras sem fim.

Uma época em que nos interessava somente ser feliz, somente brincar e brincar, sem parar, sem tempo, sem hora, uma era de infindáveis descobertas, de fantasias, de ser sempre um super-herói. E como diria a escritora Nátaly Neri Napoli: e que saiam os problemas, e as preocupações. Que eu volte a ser criança, sem medo e ambições. Assim também o filósofo grego Aristóteles nos afirma que o valor fundamental da vida depende da percepção e do poder de contemplação, ao invés da mera sobrevivência.

Em virtude disso muitos de nós somente paramos para refletir algo em um momento de desalento ou mesmo de perda, ou ainda na enfermidade. Quando então percebemos que até uma simples virose ou uma gripe nos traz um incomodo corporal e, por conseguinte sentimos o quanto é bom estar bem; o quanto é saudável estar em harmonia consigo mesmo e com os outros. Unicamente nessa hora percebemos o valor que é o viver; que é poder contar com o outro; que é poder depreender que não se pode existir só; que é preciso muito pouco para saber tirar o melhor da existência.

Basta um sorriso, um abraço, um aperto de mão, ou um bom dia para que o nosso dia tenha mais brilho! A propósito você já ofereceu um bom dia hoje a quem te ama ou foi refém de sua inconsciência, agindo com mau humor com os que de você se aproximaram? Tenhamos a certeza que o menor gesto, pelo mais simples que seja pode salvar um dia, pode valer a vida de alguém.

(*) Chefe da Agência Regional de Comunicação Organizacional – 14ª RPM