Descrição da imagem
Go on! - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Go on!

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Na semana passada, durante um encontro da Confraria das Aliadas, reencontrei uma antiga colega de empresa. Antes da apresentação, como acontece nesses encontros, ficamos conversando. Hoje ela também vive uma vida mais autônoma e, falando sobre essa mudança, me disse:

— Eu saí daquele sistema de entrega, entrega, entrega para viver mais o processo.

A conversa foi seguindo e, depois, veio a apresentação sobre o Círculo Dourado e a importância de começar pelo propósito, estabelecendo primeiro uma conexão emocional antes de apresentar um produto.

Achei interessante. A conversa já tinha chegado ao propósito antes da apresentação.

Aquilo me fez pensar na minha própria trajetória. Durante muitos anos, trabalhei em empresas que me deram estrutura e recursos para colocar muitas ideias em prática. Eu criava, inventava moda e tinha gente, material, espaço e orçamento para fazer a brincadeira acontecer. Porque criatividade também custa dinheiro.

Hoje, a brincadeira é mais artesanal.

Olho para a ideia e para os recursos disponíveis e penso:

— E agora? O que dá para fazer com isso?

E faço.

Ontem, recebi uma mensagem de uma amiga dos tempos de adolescência:

“Dadá, confesso que estou pasma com sua criatividade. Acabei de compartilhar ao vivo seus textos com minha irmã. Ela concordou comigo: ‘Meu Deus, de onde ela tira tanta criatividade, tudo a inspira’. Fico feliz que você está numa fase tão boa e está nos presenteando com suas reflexões. Go on!!!!”

Foi a frase “nos presenteando com suas reflexões” que me fez pensar que talvez esteja aí uma coisa que sempre esteve por trás do que faço. Gosto de transformar o que acontece em alguma coisa que provoque uma pergunta, uma lembrança, uma conversa. Uma cena pode virar texto. Uma conversa pode virar ideia. Uma ideia pode virar outra coisa.

E hoje aconteceu mais uma dessas coincidências que a vida apronta.

Abri o livro que estou lendo, 365 Reflexões Estoicas , justamente na página do dia 18 de agosto.

A reflexão fala sobre encontrar prazer em ajudar o próximo, contribuir para o bem-estar dos outros e descobrir, nesse ato de compartilhar, um sentido mais profundo.

Pronto.

A colega da vida adulta me lembrando que existe vida além da obrigação de entregar.

A amiga da adolescência me dizendo que aquilo que faço pode chegar ao outro como um presente.

E o livro de hoje me lembrando que compartilhar pode dar um sentido maior ao que fazemos.

Foi aí que me veio uma música na voz de Elis Regina:

“O sinal está fechado pra nós que somos jovens…”

Pois é.

Naquela época, o sinal estava fechado.

Ontem, minha amiga terminou a mensagem com duas palavrinhas em inglês:

Go on!!!!

Confesso que meu inglês não é lá essas coisas.

Mas essa eu entendi.

Se ela está mandando seguir, vou considerar que o sinal abriu.

E, enquanto estiver aberto, eu vou.