Mauro Miranda
Psicólogo Perinatal
É alarmante acordar todos os dias, ligar a TV ou acompanhar as notícias na internet e constatar que mais mulheres foram mortas. Mais triste ainda é perceber que grande parte da sociedade está se acomodando, normalizando uma realidade cruel. Parecemos anestesiados pela inércia dos nossos governantes e autoridades em todas as esferas de poder. A violência fatal contra a mulher é frequentemente ignorada e, quando exposta, muitos fingem que ela não existe.
Quando falamos em violência contra a mulher, a primeira imagem que vem à mente são os ferimentos na pele. Contudo, o que vem destruindo e incapacitando as mulheres são as agressões diárias que, muitas vezes, acontecem bem diante dos nossos olhos e ouvidos. As mulheres estão adoecendo, e a principal causa é o medo: medo de se expressar, de viver com liberdade, de ser atacada. Em suma, o medo de ser MULHER.
Embora o discurso contemporâneo pregue que vivemos em um mundo de igualdade entre os gêneros, na prática, o machismo continua enraizado nas rodas de conversa e, principalmente, nas redes sociais. É importante ressaltar que criticar o machismo não é um ataque à masculinidade, mas sim a um conjunto de atitudes, crenças e comportamentos que insistem em afirmar uma suposta superioridade dos homens sobre as mulheres.
Para impor essa falsa supremacia, muitos indivíduos (que sequer deveriam ser chamados de homens) recorrem à violência e à força física. Ainda há quem viva sob a lógica do patriarcado — um sistema social e histórico em que o homem detém o poder primário e a autoridade central da família. Para manter esse “poder”, eles impõem suas vontades por meio da violência física e psicológica contra a companheira, chegando muitas vezes a usar os próprios filhos para atingi-la.
A pergunta que fica é: de qual fase da evolução humana, cultural e social esses homens não participaram? Parece haver um hiato evolutivo em parte da história masculina, o que torna a mulher refém de uma cultura que, infelizmente, evoluiu apenas para uma parcela da humanidade.
Diante de tudo isso, a saúde mental da mulher está em colapso. Elas vivem imersas em medos, incertezas e no descaso. Proteger a mulher não é colocá-la em uma redoma de vidro, mas sim fazer algo muito mais simples e que está ao alcance de todos: RESPEITAR!


