Diretor de Sinuca do Max Min Clube encaminha à Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca sugestão de regulamentação para uma das modalidades mais populares entre os praticantes
A sinuca, esporte que reúne pessoas de diferentes idades e perfis, pode passar por uma mudança importante nas regras de uma de suas modalidades mais praticadas nos clubes brasileiros. O tradicional “Par ou Ímpar”, presente em mesas de bares, associações, clubes sociais e agremiações esportivas, ainda não possui uma regulamentação nacional oficial e poderá ganhar, no futuro, um conjunto de normas padronizadas.
A proposta partiu de Severo Nunes Botelho, diretor de Sinuca do Max Min Clube, em Montes Claros. A iniciativa foi encaminhada à Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca (CBBS) e tem como objetivo contribuir para a criação de regras mais claras e uniformes para a modalidade.

Diferentemente de modalidades que já contam com normas padronizadas pela CBBS, como a Sinuca Regra Brasileira e o Six Red, versão simplificada do tradicional Snooker Inglês, o “Par ou Ímpar” ainda permite que diferentes regiões e estabelecimentos adotem interpretações próprias para determinadas situações de jogo.
É justamente essa variedade de regras que pode provocar discussões entre os jogadores durante as partidas.
Estratégia vai além da pontaria
Embora muitas pessoas associem a sinuca apenas à capacidade de encaçapar bolas, quem pratica o esporte sabe que uma boa partida envolve muito mais do que pontaria.
O jogador precisa desenvolver concentração, domínio técnico, controle da força, leitura da mesa e capacidade de antecipar as jogadas do adversário. Em determinadas situações, uma jogada defensiva pode ser mais importante do que simplesmente tentar encaçapar uma bola.
A estratégia, portanto, ocupa papel fundamental. Nem sempre vence aquele que consegue “matar” mais bolas rapidamente. Muitas partidas são decididas pela capacidade de criar dificuldades para o adversário e preparar a mesa para as jogadas seguintes.
A modalidade também possui uma característica democrática. É praticada em diferentes ambientes e por homens e mulheres de diversas faixas etárias, tornando-se uma opção de lazer e convivência social.
“Par ou Ímpar” é atração no Max Min
No Max Min Clube, a sinuca ocupa espaço de destaque entre as atividades de lazer oferecidas aos associados. O salão de jogos conta com seis mesas oficiais e uma mesa de menores dimensões, utilizadas regularmente pelos praticantes.
Entre as modalidades disponíveis, o “Par ou Ímpar” é uma das mais populares. Diariamente, dezenas de jogadores se reúnem para partidas disputadas tanto em duplas quanto no tradicional formato individual, conhecido como “mano a mano”.
A dinâmica utiliza a bola branca, chamada pelos jogadores de “matadeira”; as 14 bolas numeradas de 2 a 15, divididas entre pares e ímpares; e a bola 1, conhecida como “castigo”.
O objetivo é encaçapar as sete bolas correspondentes ao grupo escolhido pelo jogador — pares ou ímpares — e, depois, colocar a bola 1 na caçapa para confirmar a vitória.
Apesar de simples na essência, a modalidade possui situações de jogo que podem gerar diferentes interpretações quando não há uma regra única estabelecida.
Proposta busca uniformizar as partidas
Foi a partir dessa realidade que Severo Nunes Botelho decidiu apresentar uma proposta à CBBS. Para elaborar o documento, foi utilizada como referência uma adaptação de uma regra não oficial anteriormente recomendada pela própria entidade, que permitia a adoção de normas específicas por cada região.
A intenção agora é avançar na discussão para que a modalidade possa contar com uma regulamentação mais clara e, eventualmente, com uma regra nacional.
A proposta ainda será analisada pela entidade nacional, que poderá apresentar sugestões, fazer alterações ou propor ajustes antes de uma eventual aprovação.
No Max Min Clube, a expectativa é de que as novas normas sejam adotadas assim que forem analisadas e aprovadas pela Diretoria Executiva da entidade responsável.
Para Severo, a criação ou alteração de regras pode provocar resistência inicialmente, especialmente entre jogadores acostumados há anos com determinadas interpretações.
“Alguns até gostam dessa confusão”, brinca o diretor.
Apesar do bom humor, ele ressalta que a maioria dos praticantes procura na sinuca uma forma de diversão, convivência e competição saudável. Nesse sentido, uma regulamentação mais objetiva pode ajudar a diminuir os conflitos provocados por diferentes interpretações durante as partidas.
Expectativa por uma regra nacional
A proposta apresentada pelo diretor de Sinuca do Max Min Clube ainda está sujeita à avaliação da CBBS. A entidade poderá analisar o conteúdo, sugerir modificações e adequar as normas às características da modalidade antes de definir qualquer eventual regulamentação.
A expectativa dos envolvidos é que o debate contribua para que, no futuro, os praticantes do “Par ou Ímpar” tenham à disposição uma regra nacional oficial.
Além de facilitar a organização das competições, uma regulamentação uniforme poderá tornar as partidas mais justas e reduzir dúvidas sobre procedimentos durante o jogo.
Enquanto a discussão avança, as mesas continuam reunindo os jogadores para aquilo que talvez seja a essência da sinuca: concentração, estratégia, habilidade e, principalmente, a boa convivência em torno de uma partida. Afinal, para muitos praticantes, ganhar é importante, mas jogar uma boa sinuca é também uma forma de encontrar amigos, trocar experiências e manter viva uma tradição que atravessa gerações.


