Sob o comando do mestre Allan, grupo iniciou visitas no dia 1º de agosto e seguirá até 6 de agosto pelas comunidades de Forquilha, Aparecida da Serra e Santos Reis, levando cantos, rezas, bênçãos e a tradição herdada dos antepassados
ALESSANDRA MARQUES
As estradas de terra da zona rural de Bocaiúva voltaram a ser tomadas pelos sons da viola, do pandeiro, das caixas e das vozes dos foliões. O Terno de Folia de Bom Jesus, comandado pelo mestre Allan, iniciou no dia 1º de agosto sua tradicional peregrinação pelas comunidades rurais do município e seguirá em folia até o próximo dia 6 de agosto, reafirmando a força da fé e da cultura popular no Norte de Minas.
O grupo está percorrendo as comunidades de Forquilha, Aparecida da Serra e Santos Reis, promovendo encontros marcados pela devoção, pela música e pela preservação de uma das manifestações culturais mais tradicionais da região.
A passagem mais recente do terno aconteceu na comunidade de Aparecida da Serra, onde os foliões foram recebidos com grande demonstração de acolhimento. Bandeiras coloridas, rezas, cantorias e mesas fartas preparadas pelos moradores marcaram o encontro, transformando a visita em um momento de celebração coletiva.
Tradição centenária
Seguindo os costumes do Reisado, os integrantes do terno percorrem as casas anunciando simbolicamente o nascimento do Menino Jesus, levando bênçãos às famílias e agradecendo pelas colheitas e pelas graças alcançadas ao longo do ano.
A tradição das Folias de Reis é uma herança cultural profundamente enraizada no Norte de Minas e representa um importante elo entre religiosidade, memória e identidade comunitária.
Para o mestre Allan, manter o terno ativo é uma missão que ultrapassa o aspecto festivo.
“Nosso compromisso é com a fé e com a cultura do nosso povo. Saímos no dia 1º e vamos até o dia 6 de agosto levando a palavra, a música e a bênção. É para manter viva essa tradição que vem dos nossos antepassados”, afirmou o mestre de folia.
Cantadores, bandeireiros e instrumentistas
O Terno de Folia de Bom Jesus é formado por cantadores, bandeireiros e instrumentistas que mantêm viva a estrutura tradicional das Folias de Reis.
Durante o percurso, o grupo visita residências, realiza cânticos religiosos, faz orações e compartilha momentos de confraternização com os moradores das comunidades rurais.
Além do aspecto religioso, a folia fortalece os laços de solidariedade entre as famílias, estimula a convivência comunitária e preserva conhecimentos transmitidos oralmente de geração em geração.
Comunidade se mobiliza para receber os foliões
Em Aparecida da Serra, a chegada do terno mobilizou moradores de diferentes idades. Muitos prepararam alimentos, organizaram o espaço para as orações e acompanharam os cantos entoados pelos foliões.
Para os moradores, a presença do grupo representa muito mais do que uma visita religiosa.
“Quando o mestre Allan chega com o terno, a comunidade para. É oração, é festa e é a certeza de que nossa cultura continua viva”, comentou um morador da comunidade.
A fala resume o sentimento compartilhado por muitas famílias da zona rural, que veem nas Folias de Reis um patrimônio afetivo e espiritual construído ao longo de décadas.
Patrimônio cultural do Norte de Minas
As Folias de Reis ocupam lugar de destaque entre as manifestações culturais do Norte de Minas, reunindo elementos da religiosidade católica popular, da música tradicional e das práticas comunitárias rurais.
Mesmo diante das transformações sociais e do êxodo rural, diversos ternos continuam resistindo graças ao empenho de mestres, foliões e moradores que mantêm viva a tradição.
Em Bocaiúva, a atuação do Terno de Folia de Bom Jesus reforça a importância dessas manifestações para a preservação da identidade cultural das comunidades rurais.
Roteiro segue até o dia 6
Até 6 de agosto, o grupo continuará cumprindo o roteiro previsto pelas comunidades de Forquilha, Aparecida da Serra e Santos Reis, levando cantos, rezas, bênçãos e mensagens de esperança às famílias da zona rural de Bocaiúva.
Entre violas, bandeiras e orações, o Terno de Folia de Bom Jesus segue transformando cada parada em um momento de encontro entre fé, cultura e memória, reafirmando que o Reisado permanece vivo no coração do povo norte-mineiro.


