Nova regra reduz limite de peso, comprimento e número de eixos dos veículos que utilizam a travessia em Barra do Guaicuí, entre Várzea da Palma e Pirapora; medida busca preservar a estrutura, mas motoristas reclamam de longas filas, demora na travessia e falta de fiscalização eficiente
Motoristas e transportadores que trafegam pela BR-365, no Norte de Minas, devem ficar atentos às novas restrições de circulação na ponte sobre o Rio das Velhas, localizada no km 141,6 da rodovia, no distrito de Barra do Guaicuí, entre os municípios de Várzea da Palma e Pirapora. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou a redução dos limites de peso e dimensão permitidos para os veículos que utilizam a travessia, medida que entrou em vigor às 9 horas deste sábado, 1º de agosto.
A decisão foi tomada após avaliações técnicas realizadas pelo DNIT, com base no monitoramento estrutural contínuo da ponte e em reuniões de alinhamento com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo o órgão, os estudos apontaram a necessidade de adequação das condições de tráfego para preservar a integridade da estrutura e garantir maior segurança aos usuários da rodovia federal.
Com as novas regras, somente poderão atravessar a ponte veículos que atendam simultaneamente a três critérios: Peso Bruto Total (PBT) de até 23 toneladas, comprimento máximo de 15 metros e limite de quatro eixos. A restrição considera o comportamento estrutural da ponte diante das diferentes combinações de veículos que circulam diariamente pelo trecho, especialmente aqueles de grande porte utilizados no transporte de cargas.
O DNIT ressalta que a medida tem caráter preventivo e faz parte das ações de gerenciamento e monitoramento permanente da estrutura. O objetivo é reduzir os esforços sobre a ponte, prolongar sua vida útil e evitar riscos decorrentes da circulação de veículos acima da capacidade operacional considerada segura pelas equipes de engenharia.
Para assegurar o cumprimento das novas determinações, permanecerão em funcionamento as barreiras físicas já implantadas nas proximidades da ponte, além da balança de pesagem destinada ao controle do Peso Bruto Total dos veículos. A fiscalização também continuará sendo realizada pela Polícia Rodoviária Federal, que poderá impedir a passagem de veículos que não atendam aos limites estabelecidos.
Apesar de reconhecerem a necessidade de preservar a estrutura da ponte, motoristas, caminhoneiros e transportadores que utilizam diariamente o trecho relatam dificuldades enfrentadas desde a implantação das restrições. As principais reclamações dizem respeito às longas filas formadas nos dois sentidos da rodovia, ao tempo elevado de espera para a travessia e aos congestionamentos registrados principalmente nos horários de maior movimento.
Segundo usuários da BR-365, há momentos em que o fluxo de veículos permanece praticamente parado por longos períodos, provocando atrasos nas viagens, aumento dos custos do transporte e transtornos para quem depende da rodovia para o deslocamento diário ou para o escoamento da produção regional.
Outra queixa recorrente é a necessidade de reforço na fiscalização e na organização do tráfego. Motoristas afirmam que, em determinados momentos, há dúvidas quanto aos procedimentos adotados para a liberação da passagem dos veículos, o que contribui para a formação de filas e amplia o tempo de retenção. Eles defendem maior presença de agentes orientando o fluxo, especialmente nos períodos de maior circulação de caminhões.
Transportadores também apontam preocupação com a segurança durante as longas paradas. Caminhões carregados permanecem estacionados por extensos períodos às margens da rodovia ou em filas sobre a pista de rolamento, situação que, segundo eles, aumenta o risco de acidentes, colisões traseiras e ações criminosas, principalmente durante a noite e em trechos com pouca iluminação.
A ponte sobre o Rio das Velhas é uma das principais ligações da BR-365 no Norte de Minas e desempenha papel estratégico para o transporte de pessoas e mercadorias entre diversas regiões do estado. O trecho é utilizado diariamente por caminhões de carga, ônibus, veículos de passeio e produtores rurais, sendo fundamental para o escoamento da produção agrícola, industrial e mineral da região. Qualquer restrição operacional acaba refletindo diretamente na logística regional e no tempo de viagem dos usuários.
O DNIT informou que a estrutura continuará sendo acompanhada por meio de monitoramento técnico diário. Conforme os resultados das inspeções e das análises de engenharia, os limites operacionais poderão ser revistos ou ajustados a qualquer momento, de acordo com as condições estruturais observadas.
O órgão reforça que o cumprimento das restrições é indispensável para preservar a integridade da ponte e garantir a segurança dos usuários da BR-365. Enquanto isso, motoristas esperam que, paralelamente às limitações impostas para proteger a estrutura, sejam adotadas medidas que tornem a operação da travessia mais ágil, com reforço na fiscalização, melhor organização do fluxo e redução dos congestionamentos que vêm marcando a rotina de quem passa pelo local.


