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Festivale celebra mais de quatro décadas preservando a identidade cultural do Vale do Jequitinhonha - Rede Gazeta de Comunicação

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Festivale celebra mais de quatro décadas preservando a identidade cultural do Vale do Jequitinhonha

Em sua 41ª edição, o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha será realizado entre os dias 28 de julho e 1º de agosto, em Botumirim, reunindo artistas, mestres da cultura popular, artesãos, escritores e milhares de participantes em uma das maiores manifestações culturais de Minas Gerais

Há mais de quatro décadas, o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha (Festivale) transforma cidades do Norte e Nordeste de Minas Gerais em grandes palcos da cultura popular brasileira. Muito mais do que um evento artístico, o festival tornou-se um símbolo de resistência, pertencimento e valorização das tradições de um dos territórios culturais mais ricos do país.

Em 2026, o Festivale chega à sua 41ª edição, tendo como cidade-sede Botumirim, localizada na margem esquerda do Rio Jequitinhonha. A programação será realizada entre os dias 28 de julho e 1º de agosto, reunindo centenas de artistas, grupos folclóricos, artesãos, escritores, músicos, pesquisadores, lideranças comunitárias e milhares de visitantes.

Reconhecido como um dos mais importantes encontros da cultura popular brasileira, o Festivale promove anualmente um grande intercâmbio entre manifestações tradicionais, fortalecendo a identidade cultural do Vale do Jequitinhonha e contribuindo para a preservação do patrimônio imaterial da região.

Uma história iniciada em 1980

Criado em 1980, o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha acontece tradicionalmente na última semana de julho e possui caráter itinerante, levando sua programação a diferentes municípios do território cultural do Jequitinhonha.

Ao longo de sua história, o evento já realizou 40 edições, passando por 26 municípios mineiros e pela cidade baiana de Belmonte, consolidando-se como uma referência nacional na promoção da cultura popular.

O festival deixou de ser realizado apenas em cinco anos — 1997, 2001, 2005, 2012 e 2021 —, retomando suas atividades com ainda mais força. Algumas cidades receberam mais de uma edição, como Diamantina, Serro, Itaobim, Araçuaí, Pedra Azul, Minas Novas e Salinas.

Em 2025, a cidade histórica de Diamantina sediou a histórica 40ª edição. Agora, Botumirim recebe o desafio de manter viva uma tradição que atravessa gerações.

Um território que ultrapassa fronteiras

O Território Cultural do Vale do Jequitinhonha acompanha a extensão da bacia hidrográfica do Rio Jequitinhonha, ultrapassando os limites administrativos entre Minas Gerais e Bahia.

Ao todo, esse território reúne 80 municípios mineiros e nove municípios do sul da Bahia, formando uma das maiores áreas de riqueza cultural do Brasil.

A diversidade de manifestações populares faz do Vale uma região reconhecida internacionalmente por sua produção artística, pela tradição oral, pelo artesanato em barro, madeira e fibras naturais, pela música, literatura, religiosidade popular e pelos saberes transmitidos entre gerações.

Cultura em todas as linguagens

A programação do Festivale contempla praticamente todas as expressões artísticas e culturais presentes na região.

Durante cinco dias, moradores e visitantes poderão acompanhar apresentações musicais, espetáculos teatrais, grupos de dança, cortejos populares, exposições de artes plásticas, fotografia, audiovisual, festivais de música, saraus literários, feiras de livros, feiras de artesanato, oficinas culturais e rodas de conversa sobre patrimônio, meio ambiente e políticas públicas.

Outro momento tradicional é a Benção das Águas, cerimônia simbólica que celebra a importância do Rio Jequitinhonha para a história, a economia, a espiritualidade e a sobrevivência das comunidades do território.

Também fazem parte da programação espaços dedicados aos novos talentos, fortalecendo a renovação da produção artística regional.

Todas as atividades possuem acesso gratuito e são abertas ao público.

Estrutura para acolher milhares de participantes

Além da intensa programação cultural, o Festivale é reconhecido pelo modelo comunitário de organização.

Em cada cidade-sede é preparada uma ampla estrutura para receber aproximadamente mil agentes culturais, entre artistas, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades culturais.

Os participantes contam com alojamentos coletivos em escolas, hospedagem em casas de famílias, áreas de camping, alimentação comunitária, receptivos turísticos e equipes de apoio.

O público diário costuma ultrapassar três mil pessoas, movimentando hotéis, pousadas, restaurantes, comércio, transporte e diversos setores da economia local.

Essa dinâmica transforma o festival também em um importante instrumento de desenvolvimento econômico para os municípios anfitriões.

Políticas públicas e fortalecimento da cultura

Mais do que promover apresentações artísticas, o Festivale tornou-se um espaço permanente de debate sobre políticas públicas para a cultura.

Durante o encontro são realizadas mesas-redondas, seminários e rodas de conversa envolvendo artistas, gestores públicos, universidades, movimentos sociais e representantes de comunidades tradicionais.

O objetivo é discutir estratégias para preservação do patrimônio cultural, valorização dos mestres da cultura popular, fortalecimento da economia criativa e democratização do acesso aos recursos públicos destinados ao setor.

Desde 2017, a realização do festival conta com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio de recursos previstos no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), em parceria com a prefeitura da cidade-sede.

Além disso, diversos editais são lançados anualmente para seleção de músicos, escritores, oficineiros e escolha da cidade que sediará a edição seguinte.

Celeiro de talentos

Ao longo de sua trajetória, o Festivale revelou e impulsionou artistas que conquistaram reconhecimento regional e nacional.

Entre os músicos estão Paulinho Pedrazul, Saulo Laranjeiras, Rubinho do Vale, Tadeu Franco, Pereira da Viola, Bilora, Tau Brasil, Carlos Farias, Déa Trancoso, Wilson Dias, Foka Sena, Lima Júnior, Pedro Morais, Luciano Tanure e Eustáquio Sena.

Na literatura, o festival ajudou a projetar escritores e poetas como Gonzaga Medeiros, Wesley Pioest, João Evangelista Rodrigues, Cláudio Bento e Tadeu Martins.

O artesanato do Vale também ganhou visibilidade por meio de nomes como Dona Isabel, Maria Lira Marques, Dona Josefa, Ulisses Mendes, Ulisses Pereira e Leontina Machado, reconhecidos pela preservação das técnicas tradicionais da cerâmica e de outras formas de expressão artesanal.

Nas artes visuais destacam-se artistas como Marina Jardim, Gildásio Jardim e Leandro Júnior, além do fotógrafo Lori Figueiró e importantes nomes do teatro e da cultura popular.

Grandes nomes da cultura brasileira

Os palcos do Festivale também receberam artistas consagrados da música e das artes cênicas brasileiras.

Ao longo das décadas passaram pelo festival nomes como Elomar, Xangai, Dércio Marques, Doroty Marques, Chico Lobo, Sá & Guarabyra, Titane, Grupo Tarancón, Antônio Nóbrega, Quinteto Armorial, João das Neves, Sérgio Pererê, Maurício Tizumba, Marku Ribas, Téo Azevedo e Zé Côco do Riachão, entre muitos outros.

Esses encontros consolidaram o Festivale como um importante espaço de intercâmbio entre a cultura popular tradicional e a produção artística contemporânea.

Organização coletiva

Desde 1991, a organização do evento está sob responsabilidade da Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha (FECAJE), entidade sediada em Araçuaí que reúne mais de 600 agentes culturais, coletivos e instituições de Minas Gerais e da Bahia.

A federação atua em parceria com o Instituto Vale Mais, a Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha (ALVA) e diversas organizações culturais, sociais e comunitárias.

Em 2026, o Instituto Bruta Flor, de Araçuaí, será responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos destinados à realização do festival.

Segundo o diretor executivo da FECAJE, Luciano de Souza Silveira, o Festivale permanece fiel à missão que inspirou sua criação: fortalecer a cultura popular como instrumento de cidadania, desenvolvimento regional e preservação da memória coletiva.

Mais do que uma programação artística, o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha representa um patrimônio vivo do povo jequitinhonhense. A cada edição, reafirma que a cultura é um elemento essencial para manter vivas as tradições, impulsionar a economia criativa, promover inclusão social e garantir que os saberes populares continuem atravessando gerações, fortalecendo a identidade de um território reconhecido como um dos mais ricos e singulares do Brasil.