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Fifa amplia intervalo da final da Copa e provoca debate sobre regras do jogo - Rede Gazeta de Comunicação

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Fifa amplia intervalo da final da Copa e provoca debate sobre regras do jogo

Decisão pelo aumento do tempo entre os dois tempos para acomodar espetáculo musical gera questionamentos sobre a tradição do futebol e a autonomia das normas esportivas

A final da Copa do Mundo de 2026 terá uma novidade que promete chamar atenção além das quatro linhas. A Fifa definiu que a partida decisiva, marcada para domingo (19), às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos, contará com um intervalo de 30 minutos — o dobro do período tradicionalmente utilizado nas competições.

A alteração foi planejada para incluir um grande espetáculo musical durante a pausa da decisão. Inspirado no modelo do Super Bowl, tradicional final da liga de futebol americano dos Estados Unidos, o show do intervalo pretende transformar a final da Copa em um evento de alcance ainda maior, reunindo futebol e entretenimento em uma mesma transmissão.

A apresentação artística deve ocupar aproximadamente 11 minutos do intervalo. O restante do tempo será utilizado para montagem, ajustes técnicos e retirada da estrutura necessária para o espetáculo. Entre os nomes especulados para a atração estão artistas de projeção internacional, como Justin Bieber, Madonna, Shakira, BTS e Coldplay.

A mudança, porém, levantou discussões entre especialistas e torcedores por se afastar do formato tradicional previsto pelas regras do futebol. De acordo com as Leis do Jogo elaboradas pela International Football Association Board (IFAB), o intervalo entre os dois tempos de uma partida não deve ultrapassar 15 minutos.

A Regra 7 da IFAB determina que os jogadores têm direito a um intervalo entre os períodos da partida, com duração definida pelo regulamento da competição, mas que não pode exceder os 15 minutos. Alterações fora desse padrão dependem de autorização específica dentro das normas da organização responsável pelo torneio.

Apesar disso, a Fifa argumenta que o regulamento da própria Copa do Mundo permite a aplicação de outras normas e decisões vinculantes da entidade máxima do futebol. O documento oficial da competição estabelece que regras determinadas pela Fifa podem prevalecer em situações de conflito com outras regulamentações.

A entidade já havia adotado experiências semelhantes em outros eventos realizados nos Estados Unidos. Na final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, disputada entre Chelsea e Paris Saint-Germain, o intervalo teve duração de 24 minutos, também com objetivo de acomodar uma programação especial de entretenimento.

A decisão representa mais um passo da Fifa em direção à transformação dos grandes torneios internacionais em eventos globais de entretenimento, buscando ampliar audiência, atrair novos públicos e aproximar o futebol de formatos utilizados em outros grandes espetáculos esportivos.

Ao mesmo tempo, a mudança reacende um antigo debate sobre os limites entre inovação comercial e preservação das características tradicionais do futebol. Para a final mais importante do calendário esportivo, a entidade aposta em uma experiência diferente para o público, enquanto críticos questionam os impactos de alterar elementos históricos da modalidade.

Com o novo formato, a decisão da Copa do Mundo de 2026 ficará marcada não apenas pelo confronto entre as duas seleções finalistas, mas também pela estreia de um intervalo prolongado em uma final de Mundial.