Suspeito foi localizado na Bahia e, segundo as investigações, desempenhava papel estratégico na logística da organização criminosa
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu preventivamente, nesta segunda-feira (13), um homem de 39 anos investigado por integrar uma organização criminosa especializada no cultivo, beneficiamento e comercialização de maconha em larga escala no estado. O suspeito foi localizado no município de Eunápolis, no sul da Bahia, durante uma ação conjunta com o 28º Batalhão da Polícia Militar baiana.
De acordo com a PCMG, o investigado ocupava uma posição considerada estratégica dentro da estrutura da organização. Conforme explicou o delegado Paulo Sobrinho, ele seria responsável por parte da logística da produção da droga, acompanhando a implantação das plantações e utilizando drones para avaliar propriedades rurais antes do início do cultivo.
As investigações apontam que o suspeito participava da escolha das áreas destinadas ao plantio, verificando características como qualidade do solo, disponibilidade de água e viabilidade para instalação das estruturas utilizadas pela organização criminosa. Além disso, a polícia identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelo investigado.
Durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva, dois veículos avaliados em aproximadamente R$ 300 mil também foram apreendidos. Os bens deverão passar por análise patrimonial para verificar eventual vínculo com recursos provenientes do tráfico de drogas.
A prisão representa mais um desdobramento de uma investigação iniciada no fim de maio deste ano, quando policiais civis e militares localizaram uma plantação com cerca de 30 mil pés de maconha entre os municípios de Virgem da Lapa e Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha. Curiosamente, a descoberta ocorreu enquanto as equipes realizavam diligências relacionadas ao sequestro de uma mãe e sua filha ocorrido na região.
Ao aprofundar as investigações, os policiais constataram que aquele plantio fazia parte de uma estrutura criminosa muito maior. Novas áreas de cultivo foram encontradas em diferentes regiões de Minas Gerais, revelando um esquema altamente organizado, equipado com tecnologia e infraestrutura semelhante à utilizada em grandes empreendimentos agrícolas.
Entre as descobertas feitas pela Polícia Civil está uma propriedade rural localizada em Francisco Sá, onde foram apreendidas cerca de 1,8 tonelada de maconha durante a Operação Erva Daninha. O local possuía um sofisticado sistema de irrigação, geradores de energia, placas solares, internet via satélite, fertilizantes e equipamentos específicos para processamento da droga após a colheita. Uma das máquinas utilizadas pela organização foi avaliada em aproximadamente US$ 40 mil.
As investigações também identificaram estruturas semelhantes nos municípios de Porteirinha e Unaí. Em Porteirinha, policiais apreenderam cerca de 100 quilos de maconha, além de diversos insumos empregados na produção. Já em Unaí, foi localizada uma extensa área preparada para receber novas plantações, equipada com sistema moderno de irrigação e materiais destinados ao cultivo.
No último dia 9 de julho, a Polícia Civil deflagrou a Operação Primeira Poda, considerada uma das maiores ofensivas recentes contra o narcotráfico em Minas Gerais. A ação mobilizou mais de 80 policiais civis para o cumprimento simultâneo de mandados nos estados de Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso.
Na ocasião, cinco pessoas foram presas e a Justiça determinou o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva, além de diversas ordens de busca e apreensão. Também foram autorizadas medidas patrimoniais, incluindo bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens, restrição de patrimônio e apreensão de veículos de luxo supostamente adquiridos com dinheiro obtido por meio das atividades criminosas.
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa possuía divisão de funções bem definida, envolvendo responsáveis pela administração financeira, logística, cultivo, beneficiamento e distribuição da droga. Entre os investigados está um casal apontado como responsável pelo gerenciamento financeiro do grupo.
Com a prisão realizada em Eunápolis, a investigação alcança um novo desdobramento. Até o momento, as ações coordenadas pela Polícia Civil já resultaram na apreensão de aproximadamente cinco toneladas de maconha, na prisão de dez investigados e na desarticulação de diversas estruturas utilizadas para o cultivo da droga em Minas Gerais. As investigações continuam e novas diligências não estão descartadas pelas autoridades.



