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EMPRÉSTIMO VIRA FÁBRICA DE TAÇAS | Dupla do Atlético conquista bi em três meses - Rede Gazeta de Comunicação

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EMPRÉSTIMO VIRA FÁBRICA DE TAÇAS | Dupla do Atlético conquista bi em três meses

Paulo Vitor e Daniel Penha levantam Copa Sul-Sudeste pelo Avaí após título da Recopa Catarinense; volante se recupera de grave lesão e meia reencontra bom futebol

Enquanto muitos jogadores emprestados por grandes clubes brasileiros passam em branco temporadas inteiras, o volante Paulo Vitor e o meia-atacante Daniel Penha, cedidos pelo Atlético ao Avaí, escreveram um roteiro diferente. Em um intervalo de menos de três meses, a dupla conquistou dois títulos: a Recopa Catarinense, em março, e a inédita Copa Sul-Sudeste, neste domingo (7/6), consolidando o Leão da Ilha como uma força regional emergente.

A vitória sobre a Chapecoense na Arena Condá, definida nos pênaltis por 5 a 4 após derrota por 3 a 0 no tempo normal, coroou uma campanha de superação da equipe catarinense. Mais do que isso, representou uma mudança substancial na trajetória individual de dois atletas que, por razões distintas, chegaram ao Sul do país precisando reencontrar o futebol.

Paulo Vitor, de 21 anos, deu um passo fundamental na reconstrução de sua carreira após romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito em sua estreia pelo Criciúma, em 2024. Já Daniel Penha, de 27, enfim encontrou estabilidade depois de uma verdadeira odisseia por 11 clubes empréstimos, espalhados por quatro países diferentes.

A final da Copa Sul-Sudeste: drama e superação

A decisão da primeira edição da Copa Sul-Sundeste teve todos os ingredientes de um clássico catarinense. Na quarta-feira (3/6), no estádio da Ressacada, o Avaí havia construído uma vantagem aparentemente confortável: 3 a 0 sobre a Chapecoense. A torcida leonina já ensaiava comemoração antecipada.

Mas o futebol, como sempre, reservou reviravoltas substanciais. Na Arena Condá, em Chapecó, a Chapecoense devolveu o placar com a mesma intensidade: 3 a 0 no tempo regulamentar, forçando a decisão para as penalidades máximas. Foi nos pênaltis que a dupla emprestada pelo Atlético mostrou personalidade. Daniel Penha e Paulo Vitor converteram suas respectivas cobranças com frieza, contribuindo para o 5 a 4 que deu o título ao Avaí.

“Deus é maravilhoso!! Mais um título com essa camisa, sempre será uma honra!!”, escreveu Paulo Vitor em suas redes sociais logo após o apito final, em um desabafo que carregava o peso da recuperação física e emocional dos últimos dois anos.

A Recopa Catarinense, conquistada em 15 de março contra o Figueirense na Ressacada (4 a 2), já havia dado o tom do que viria pela frente. Na ocasião, a dupla também teve participação destacada, embora a Copa Sul-Sudeste tenha exigido um nível de superação ainda maior diante da virada imposta pela Chapecoense.

Paulo Vitor: do joelho rompido ao protagonismo

A trajetória de Paulo Vitor até o bicampeonato pelo Avaí é um estudo sobre resiliência. Revelado pelo Boston City, de Manhuaçu (MG), o volante foi contratado pelo Atlético em fevereiro de 2023. Na primeira temporada, alternou entre o sub-20 e algumas poucas oportunidades no profissional – 11 jogos na base e estreia entre os principais.

Entre 2024 e o início de 2025, acumulou 17 partidas pelo time principal do Galo, mostrando evolução. Foi então emprestado ao Criciúma para ganhar mais rodagem. O destino, porém, reservou um golpe duro: na estreia pelo Tigre, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Foram doze meses de recuperação, dúvidas e incertezas sobre o retorno aos gramados.

O recomeço veio justamente no Avaí, em 2026. Com paciência da comissão técnica e trabalho intenso de readaptação física, Paulo Vitor não apenas voltou a jogar como se firmou como titular do Leão da Ilha nas últimas semanas. Até o momento, soma três gols e uma assistência em 23 partidas – números expressivos para um volante de contenção que ainda reassume confiança em seus movimentos.

A mudança substancial em relação ao período pré-lesão é nítida: antes mais contido, Paulo Vitor passou a atuar com maior liberdade para apoiar o ataque, sem abrir mão da marcação forte que caracteriza seu estilo. O título da Copa Sul-Sudeste, com o pênalti convertido sob pressão, funciona como um selo de que a recuperação está completa.

Daniel Penha: a volta do cidadão do mundo

Se Paulo Vitor enfrentou uma lesão grave, Daniel Penha enfrentou outro tipo de adversidade: a instabilidade. Vinculado ao Atlético desde 2016, o meia-atacante estreou como profissional em 2017 e, até 2019, somou apenas cinco jogos pelo time principal do Galo. A partir daí, começou uma peregrinação que poucos atletas suportariam sem perder o rumo.

Foram 11 clubes por empréstimo – muitos deles em janelas sucessivas, sem tempo para criar vínculos ou consistência. A lista inclui passagens por CRB, Coimbra, Sampaio Corrêa, Corinthians, Bahia, Confiança, Newcastle Jets (Austrália), Daegu (Coreia do Sul), Western United (Austrália, novamente), Nacional (Portugal) e Dalian Yingbo (China). Em muitos desses destinos, mal teve tempo de se adaptar antes de ser devolvido.

Nas duas conquistas recentes – Recopa Catarinense e Copa Sul-Sudeste – Daniel Penha atuou como articulador do meio-campo, com liberdade para flutuar por trás dos atacantes. Sua experiência em múltiplos campeonatos estrangeiros trouxe ao Avaí uma leitura de jogo mais refinada, especialmente em momentos de pressão, como a cobrança de pênalti na decisão contra a Chapecoense.