Disputa de terras na zona rural de Botumirim motiva tentativa de homicídio; suspeito de 46 anos segue foragido
A noite desta segunda-feira (1º) foi marcada por tensão e reviravolta na comunidade rural de Folha Larga, zona rural de Botumirim, no Norte de Minas Gerais. Um idoso de 72 anos, morador da Fazenda Onça, sobreviveu a dois tiros de espingarda disparados à queima-roupa pelo vizinho, de 46 anos. O caso, inicialmente tratado como violência doméstica rural, ganhou contornos de disputa fundiária histórica entre as duas famílias.
De acordo com o boletim de ocorrência da 11ª Região da Polícia Militar (11ª RPM), o crime aconteceu por volta das 16h30, quando a vítima — cujo nome não foi divulgado — ouviu o cachorro latir insistentemente. Ao sair da residência para averiguar, deparou-se com o suspeito já armado com uma espingarda de fabricação caseira, tipo “pólvora”. A vítima relatou que tentou retornar para dentro de casa, mas foi alvejada pelas costas.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Botumirim foi acionado por vizinhos que ouviram o estampido do disparo. No entanto, antes da chegada da ambulância, terceiros que passavam pelo córrego da Onça prestaram os primeiros socorros e conduziram o idoso até a Unidade Básica de Saúde de Cantagalo. Devido à gravidade dos ferimentos — duas perfurações na região cervical média, uma lateral no pescoço e outra próxima à nuca —, ele foi transferido pelo Samu para a Santa Casa de Montes Claros, onde passou por cirurgia na madrugada desta terça-feira (2). Fontes do hospital informaram que o paciente está estável, mas permanece em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Enquanto a vítima lutava por sua vida na mesa de cirurgia, equipes da Polícia Militar de Grão Mogol e Itacambira realizavam varredura na região. Testemunhas ouvidas pelos militares revelaram que o ataque não foi um ato isolado de fúria, mas sim o ápice de uma rivalidade agrária que se arrasta há pelo menos três anos. “Há ações na Justiça sobre a posse de uma faixa de terra que margeia o córrego. Um dos lados alega que o outro invadiu a propriedade. Isso já gerou ameaças e desavenças anteriores”, disse um vizinho que pediu anonimato.
Segundo a investigação preliminar, momentos antes do disparo, os dois homens teriam discutido acaloradamente no limite entre as duas propriedades. O suspeito, então, teria retornado à própria casa, pegado a espingarda e ido ao encontro do idoso. Após efetuar o tiro, fugiu a pé em direção a uma área de mata fechada, conhecida localmente como “Grota do Boi”. Até o fechamento desta edição, ele não havia sido localizado.
A Polícia Militar reforçou as buscas com o apoio de cães farejadores e do helicóptero Pégaso, da corporação. A 11ª RPM também solicitou à Justiça a prisão preventiva do suspeito, que responde por tentativa de homicídio qualificado — por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Em nota, a PM reforçou o pedido para que a população colabore com informações anônimas pelo telefone 181. “O autor pode estar se escondendo em propriedades vizinhas ou tentando atravessar a divisa para outros municípios, como Itacambira ou José Gonçalves de Minas”, alertou um oficial que coordena as diligências.
O caso acende novamente o alerta para os conflitos agrários na região Norte de Minas, onde a falta de regularização fundiária e a especulação de terras rústicas transformam vizinhos em algozes. A vítima, embora idosa, segundo familiares, sempre se recusou a vender a parte do terreno em litígio. Agora, se recupera em Montes Claros enquanto a polícia corre contra o tempo para impedir que o atirador fique impune.



