Durante operação do Maio Amarelo, militares da 11ª RPM abordaram uma Honda CG 160 Fan com placa clonada e numerações de chassi e motor incompatíveis com os padrões de fábrica
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por intermédio da 11ª Região da Polícia Militar (11ª RPM), apreendeu na noite dessa segunda-feira (25) uma motocicleta com claros sinais de adulteração no bairro Conjunto Sebastião Rodrigues de Almeida, em Pintópolis, município localizado no Norte do estado. A ação fez parte da operação “Trânsito Seguro/Maio Amarelo”, iniciativa nacional que visa reduzir acidentes e coibir irregularidades no trânsito.
Por volta das 20h30, os militares realizavam patrulhamento de rotina pela rua C quando avistaram uma motocicleta Honda/CG 160 Fan estacionada em atitude suspeita. Ao se aproximarem e consultarem os dados do veículo no sistema informatizado da corporação, a princípio não foi constatada restrição de roubo ou furto. No entanto, uma discrepância chamou a atenção: a placa estava registrada oficialmente para um endereço em Belo Horizonte, capital do estado, distante mais de 500 quilômetros de Pintópolis.
Desconfiados, os policiais decidiram aprofundar a verificação. Ao lerem o QR Code estampado na placa, o sistema apontou que o código era inválido — forte indício de que se tratava de uma placa clonada ou falsificada. Imediatamente, os agentes buscaram contato telefônico com o legítimo proprietário do veículo cuja placa foi supostamente copiada. O homem, residente na região metropolitana de Belo Horizonte, afirmou que a motocicleta original estava estacionada em sua garagem e que jamais havia emprestado ou vendido o documento para terceiros.
Vistoria detalhada revela irregularidades no chassi e no motor
Diante das evidências, a equipe realizou uma inspeção minuciosa na motocicleta apreendida. Os resultados foram alarmantes: o último dígito do número do chassi apresentava gravação com traço e profundidade diferentes dos demais caracteres, indício clássico de remarcação. Além disso, a numeração do motor possuía estilo de fonte, espaçamento e relevo incompatíveis com os padrões adotados pela fábrica Honda para o modelo CG 160 Fan.
De acordo com o perito criminalista ouvido informalmente pela reportagem, adulterações como essa são comuns em veículos provenientes de roubo, furto ou recuperação fraudulenta de financiamento. “Quando o chassi e o motor são adulterados, o objetivo é ‘esquentar’ o veículo — ou seja, dar a ele uma identidade falsa para circular como se fosse legítimo. O comprador desavisado acaba sendo a ponta final dessa cadeia criminosa”, explicou.
Compra feita há oito meses por R$ 7 mil
No momento da fiscalização, um jovem de 23 anos apresentou-se como atual proprietário da motocicleta. Ele relatou aos policiais que adquiriu o veículo havia cerca de oito meses pelo valor de R$ 7 Mil, muito diferente do valor r$ 15 mil a R$ 18 mil praticados no mercado de usados para o mesmo modelo e ano. A compra foi feita de um homem residente na comunidade Vereda Grande, zona rural do município de Urucuia, também no Norte de Minas.
O jovem ainda afirmou que o vendedor lhe passou a informação de que a motocicleta era financiada e que ele poderia “regularizar a situação” futuramente com o banco, quitando o restante do débito. “Ele me disse que era só pagar o banco depois, que não teria problema”, declarou o abordado, segundo consta no boletim de ocorrência.
Diante do conjunto de provas — placa com QR Code inválido, chassi remarcado, motor adulterado e depoimento contraditório do vendedor — a polícia deu voz de prisão ao jovem por suspeita de receptação culposa, ou seja, quando o comprador deveria ter percebido, pelas circunstâncias (preço baixo, documentação irregular, origem duvidosa), que o bem era produto de crime.
Condução e liberação mediante compromisso
O suspeito foi conduzido à delegacia, mas, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo (receptação culposa), não houve pedido de prisão preventiva. Ele assinou um termo de compromisso de comparecer ao Juizado Especial Criminal da Comarca de São Francisco sempre que intimado pela Justiça e foi liberado em seguida. Caso seja condenado, pode pegar pena que varia de um a quatro anos de reclusão, além de multa.



