Vítima de 41 anos, diagnosticada com epilepsia e sem CNH, seguia orientação médica de não beber, mas insistia em dirigir após consumir álcool
A madrugada deste domingo (24) foi palco de mais uma tragédia no trânsito da região Norte de Minas Gerais. Um homem de 41 anos morreu ao cair de uma motocicleta na zona rural de Pai Pedro, município localizado a aproximadamente 580 quilômetros de Belo Horizonte. O acidente ocorreu na estrada que liga Pai Pedro a Catuti, nas proximidades da Fazenda Pedra Branca, e levantou suspeitas de que uma crise convulsiva teria provocado a perda de controle do veículo.
A Polícia Militar, por intermédio da 11ª Região da Polícia Militar (RPM), foi acionada por volta da madrugada para atender à ocorrência. Ao chegarem ao local, os militares já encontraram uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em cena. Os socorristas relataram que, quando chegaram à estrada rural, o condutor da motocicleta — uma Honda Fan de cor vermelha — já estava caído ao lado do veículo e não apresentava quaisquer sinais vitais. O óbito foi constatado ainda no local, sem necessidade de encaminhamento hospitalar.
O que dizem os familiares
Os primeiros a chegarem ao local do acidente foram os irmãos da vítima. De acordo com o depoimento prestado à Polícia Militar, o motociclista havia saído de casa por volta do início da noite de sábado (23) com destino a um bar localizado na comunidade de Pedra Branca. Ele não retornou no horário habitual, o que gerou preocupação entre os familiares.
Durante a madrugada, os irmãos receberam informações de que o homem estaria caído às margens da linha férrea que corta a região. Eles imediatamente se deslocaram até o local indicado e, ao encontrarem a vítima já desacordada e ao lado da motocicleta, acionaram o Samu e a Polícia Militar.
Em conversa com os policiais, os familiares revelaram um histórico de saúde preocupante. A vítima era diagnosticada com epilepsia e sofria crises convulsivas recorrentes. Além disso, fazia uso frequente de bebida alcoólica. Segundo os irmãos, médicos já haviam orientado o motociclista a interromper completamente o consumo de álcool, sob risco de agravamento das crises epilépticas. No entanto, ele desrespeitava sistematicamente a recomendação médica, continuando a ingerir bebidas alcoólicas e, em seguida, a conduzir sua motocicleta.
Outro agravante apontado pela família: o homem não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele dirigia habitualmente sem estar legalmente apto para tal, ignorando os riscos tanto para si quanto para terceiros.
Hipótese da crise convulsiva
Diante do histórico clínico apresentado e da ausência de sinais de colisão com outro veículo ou objeto fixo, a principal hipótese levantada pelas autoridades e pelos familiares é de que o motociclista tenha sofrido uma crise convulsiva enquanto estava em movimento. O súbito episódio epiléptico pode tê-lo feito perder o controle direcional da moto, resultando na queda ao solo.
A perícia técnica foi acionada para comparecer ao local, mas, após análise preliminar das informações repassadas pela Polícia Militar e diante da evidente ausência de indícios de crime — como marcas de frenagem de outro veículo, sinais de colisão ou lesões por arma branca ou de fogo —, a equipe pericial dispensou o comparecimento. A decisão baseou-se no entendimento de que se tratava de um acidente típico sem autoria criminosa aparente.
Estado da motocicleta e pertences
Os militares realizaram uma vistoria minuciosa na Honda Fan vermelha e não encontraram quaisquer avarias indicativas de choque contra outro veículo, árvore, poste ou mureta. A motocicleta estava tombada ao lado do corpo, mas sem amassados ou peças quebradas, o que reforça a tese de que o homem simplesmente perdeu o equilíbrio e caiu, possivelmente já em estado inconsciente no momento da queda.
Todos os pertences pessoais da vítima foram recolhidos e devidamente registrados. Entre os objetos estavam um aparelho celular, um canivete de pequeno porte e algumas moedas. Tanto os pertences quanto a própria motocicleta foram entregues aos familiares que estavam presentes no local, mediante assinatura de termo de responsabilidade.
Remoção do corpo e exames legais
O corpo do motociclista de 41 anos foi removido do local do acidente por uma funerária credenciada e encaminhado para a cidade de Mato Verde, onde passaria por avaliação do médico legista do Instituto Médico Legal (IML). O exame de necropsia será fundamental para confirmar ou descartar a ocorrência de uma crise convulsiva como fator determinante para a queda. Além disso, exames toxicológicos poderão comprovar a presença de álcool no organismo da vítima, o que reforçaria a tese do desrespeito à orientação médica.



