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BR-251 volta a registrar cenário de horror com oito mortos e seis feridos em colisão entre ônibus e caminhão - Rede Gazeta de Comunicação

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BR-251 volta a registrar cenário de horror com oito mortos e seis feridos em colisão entre ônibus e caminhão

Acidente em Santa Cruz de Salinas reacende debate sobre a insegurança da “Estrada do Medo”, uma das rodovias mais perigosas de Minas Gerais

O Norte de Minas amanheceu novamente mergulhado em luto neste domingo após mais uma tragédia registrada na BR-251, rodovia federal que há anos acumula acidentes graves, mortes e relatos de motoristas aterrorizados com as condições da estrada. Um violento acidente envolvendo um ônibus de viagem, um caminhão carregado de sucata e outro veículo resultou em oito mortes e pelo menos seis feridos na altura do quilômetro 236, em Santa Cruz de Salinas.

A colisão frontal ocorreu durante a madrugada, por volta das 4h, em um trecho considerado extremamente perigoso da rodovia, marcado por curvas sinuosas, pista simples, aclives, descidas íngremes e visibilidade comprometida. Após o impacto, os veículos foram rapidamente consumidos pelas chamas, gerando uma intensa cortina de fumaça escura que tomou conta da pista e obrigou o bloqueio total do trânsito nos dois sentidos da BR-251.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, todas as vítimas fatais estavam no ônibus. Entre os mortos está um bebê de colo, aumentando ainda mais a comoção diante da tragédia que chocou moradores do Norte de Minas e usuários da rodovia.

O ônibus fazia o trajeto entre Aracaju, em Sergipe, e São Bernardo do Campo, em São Paulo, transportando 15 passageiros. Já a carreta carregada de sucata seguia no sentido contrário, transportando material de Fortaleza, no Ceará, para Piracicaba, no interior paulista.

As primeiras informações levantadas pelas equipes de resgate indicam que o acidente pode ter sido provocado pela combinação de pista molhada, chuva fina e perda de controle direcional em uma descida acentuada. O motorista do ônibus teria perdido o controle do veículo em um trecho escorregadio, invadido a contramão, atingido um barranco e, ao retornar para a pista, colidido frontalmente com a carreta.

Com a força do impacto, houve vazamento de combustível e fluidos inflamáveis, provocando um incêndio de grandes proporções. As chamas consumiram rapidamente os veículos envolvidos e ameaçaram atingir a vegetação às margens da rodovia.

O cenário encontrado pelas equipes de socorro foi descrito como devastador. Destroços ficaram espalhados ao longo da pista e muitos passageiros precisaram escapar pelas saídas de emergência em meio ao fogo e à fumaça. Alguns sobreviventes relataram momentos de desespero e pânico.

Entre os feridos socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está um homem de 72 anos, que sofreu escoriações na face e dores na perna esquerda após pular do ônibus para escapar das chamas. Uma mulher de 61 anos também precisou saltar do veículo em movimento e apresentou ferimentos no rosto, hematomas no quadril e dores nas pernas.

Ambulâncias de cidades da região, como Taiobeiras, Pedra Azul e Medina, foram mobilizadas para auxiliar no atendimento às vítimas e no transporte para unidades hospitalares da região.

O trabalho de resgate mobilizou quatro viaturas operacionais do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais de Salinas. As equipes atuaram simultaneamente no combate às chamas, desencarceramento das vítimas presas às ferragens e atendimento pré-hospitalar aos sobreviventes.

O incêndio provocou ainda um gigantesco congestionamento, com retenção superior a 15 quilômetros nos dois sentidos da BR-251. Muitos motoristas abandonaram os veículos às margens da estrada diante do temor de explosões e da dificuldade de visibilidade provocada pela fumaça.

A tragédia reforça o temor crescente em relação à BR-251, conhecida entre caminhoneiros, motoristas e moradores do Norte de Minas como “Estrada do Medo”. O apelido se consolidou diante da frequência de acidentes fatais registrados na rodovia, especialmente nos trechos entre Francisco Sá, Grão Mogol, Salinas e Santa Cruz de Salinas.

A BR-251 é uma das principais ligações rodoviárias entre o Sudeste e o Nordeste brasileiro, cortando municípios estratégicos do Norte de Minas e servindo como corredor fundamental para o transporte de cargas, passageiros e produção agrícola. Entretanto, a combinação entre pista simples, tráfego intenso de caminhões, curvas perigosas, serras e falta de duplicação torna a rodovia um dos trechos mais letais do estado.

Os números reforçam a gravidade do problema. Em 2025, a BR-251 registrou 51 mortes em 271 acidentes, além de 374 pessoas feridas, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. A rodovia aparece entre as mais perigosas de Minas Gerais em número de vítimas fatais.

Somente neste ano, uma sequência de acidentes graves aumentou ainda mais a sensação de insegurança entre quem depende diariamente da estrada. Em abril, uma colisão entre um carro de passeio e uma carreta matou seis integrantes de uma mesma família em Salinas. Dias antes, outro acidente em Grão Mogol deixou mortos e feridos.

Especialistas apontam que os fatores que mais contribuem para os acidentes na BR-251 são ultrapassagens indevidas, excesso de velocidade, fadiga dos motoristas, falhas mecânicas, pista escorregadia e geometria perigosa da estrada, especialmente em áreas de serra.

Os trechos considerados mais críticos concentram curvas fechadas, declives acentuados e baixa visibilidade. Em períodos de chuva, o risco aumenta significativamente devido à perda de aderência e às dificuldades de frenagem, sobretudo para veículos pesados.

A insegurança da BR-251 afeta diretamente milhares de moradores do Norte de Minas que utilizam a rodovia para deslocamentos diários em busca de atendimento médico, estudos, trabalho e transporte de mercadorias. Municípios como Botumirim, Cristália, Rubelita, Josenópolis e Novorizonte convivem diariamente com o medo provocado pelas condições da estrada.

Diante da sucessão de tragédias, lideranças políticas, prefeitos, empresários e representantes da sociedade civil do Norte de Minas intensificaram a cobrança por melhorias estruturais urgentes na BR-251. Entre as reivindicações estão a duplicação de trechos considerados críticos, ampliação da sinalização, criação de áreas de escape e modernização da infraestrutura rodoviária.

O processo de concessão da BR-251 à iniciativa privada, conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, prevê intervenções na rodovia, mas lideranças regionais consideram insuficiente o atual projeto, que contempla apenas cerca de 24 quilômetros de duplicação em um trecho superior a 300 quilômetros.

No mês passado, prefeitos e representantes de entidades do Norte de Minas realizaram protestos cobrando mudanças no projeto de concessão e exigindo prioridade para os segmentos mais perigosos da estrada, especialmente as serras de Francisco Sá e Salinas.

Enquanto o debate sobre melhorias avança lentamente, famílias seguem convivendo com o luto, a insegurança e o medo constante de trafegar pela BR-251. A nova tragédia em Santa Cruz de Salinas reforça o sentimento de urgência e amplia a pressão por soluções concretas para uma rodovia que se transformou em símbolo de dor no Norte de Minas.