Entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia fortalece competitividade da fruticultura brasileira e abre novas perspectivas para produtores do semiárido
O Vale do São Francisco alcançou um marco histórico para o agronegócio brasileiro e para a economia do Nordeste com o início da exportação de uvas frescas para a Europa com tarifa zero. A medida passou a valer após a entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, efetivado no último dia 1º de maio, encerrando décadas de negociações entre os dois blocos econômicos.
O primeiro embarque oficial das uvas sem incidência tarifária acontece em Petrolina, em Pernambuco, durante a realização do evento Carava Frutas, consolidando uma nova fase para a fruticultura irrigada do semiárido brasileiro. O momento é considerado estratégico para ampliar a presença dos produtos nordestinos no mercado internacional, especialmente em países europeus, tradicionalmente consumidores de frutas brasileiras.
Antes da vigência do acordo, as uvas de mesa exportadas para a União Europeia enfrentavam uma tarifa de aproximadamente 8%, custo que impactava diretamente a competitividade dos produtores brasileiros frente a outros países exportadores. Com a eliminação da taxa, o setor passa a operar em condições mais favoráveis no comércio internacional, criando expectativas de aumento nas exportações e fortalecimento da economia regional.
O evento em Petrolina conta com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, além de representantes do setor produtivo, exportadores, empresários e autoridades ligadas ao comércio exterior.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia prevê a redução gradual ou eliminação de barreiras tarifárias para diversos produtos agrícolas, incluindo frutas produzidas no Vale do São Francisco, como uvas, mangas e mamão. A expectativa é de que, ao longo dos próximos anos, outros segmentos da produção agrícola brasileira também sejam beneficiados, ampliando a inserção do país nos mercados internacionais.
A região do Vale do São Francisco, reconhecida nacionalmente pela força da agricultura irrigada, ganha ainda mais relevância nesse cenário. Localizada entre os estados de Pernambuco e Bahia, a região se tornou uma das maiores produtoras e exportadoras de frutas do Brasil, com destaque para a produção de uvas e mangas voltadas ao mercado externo.
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Laudemir Müller, destacou que o início das exportações sem tarifa representa um momento histórico para Pernambuco, para o Nordeste e para o agronegócio brasileiro. Segundo ele, a medida aproxima os benefícios do acordo comercial da realidade dos produtores rurais e fortalece a competitividade da fruticultura nacional.
De acordo com dados do setor, somente no ano passado o Brasil exportou mais de 62 mil toneladas de uvas frescas para o mercado internacional, movimentando cerca de US$ 158 milhões. A Europa aparece entre os principais destinos das frutas brasileiras, consolidando-se como um mercado estratégico para os exportadores nacionais.
Pernambuco e Bahia lideram esse segmento no país. Juntos, os dois estados responderam por aproximadamente 42,5 mil toneladas exportadas em 2025, gerando uma movimentação financeira superior a US$ 110 milhões. O desempenho reforça o protagonismo do semiárido nordestino no agronegócio brasileiro e evidencia a capacidade produtiva da região mesmo diante das adversidades climáticas.
Especialistas do setor avaliam que a retirada das tarifas pode estimular novos investimentos em tecnologia, logística, ampliação de áreas produtivas e modernização dos sistemas de irrigação. Além disso, o cenário tende a fortalecer a geração de empregos e a movimentação econômica em municípios diretamente ligados à cadeia produtiva da fruticultura.
O Vale do São Francisco já é reconhecido internacionalmente pela qualidade de suas frutas, resultado de condições climáticas favoráveis, técnicas avançadas de irrigação e elevado nível tecnológico empregado na produção agrícola. Agora, com a redução dos custos de exportação, produtores e empresas esperam ampliar ainda mais a participação brasileira no mercado europeu.
A nova etapa do comércio internacional também pode beneficiar pequenos e médios produtores integrados às cooperativas e cadeias de exportação, aumentando oportunidades de negócios e fortalecendo a economia regional. O setor acredita que o acordo representa um passo importante para consolidar o Brasil como um dos grandes fornecedores mundiais de frutas frescas.
Além do impacto econômico, a ampliação das exportações reforça a importância estratégica do agronegócio nordestino para a balança comercial brasileira. O crescimento da fruticultura irrigada no semiárido demonstra como tecnologia, gestão hídrica e inovação vêm transformando regiões historicamente marcadas pela seca em polos produtivos de relevância internacional.
Com a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, produtores do Vale do São Francisco enxergam um novo horizonte de expansão comercial, competitividade e fortalecimento do setor agrícola, consolidando o protagonismo da região no cenário global da fruticultura.



