Obra de R$ 2,1 milhões contou com emenda federal e recursos do PAC; espaço homenageia servidor falecido e terá capacidade para 180 alunos, mas subsídio para refeições ainda depende de verba do governo federal
Depois de 16 anos de cobranças, promessas e adaptações improvisadas, o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) – Campus Araçuaí inaugura nesta sexta-feira (22/05) um dos espaços mais aguardados pela sua comunidade acadêmica: o refeitório da unidade. A cerimônia está marcada para as 8h30 e representa não apenas a entrega de uma estrutura física, mas a materialização de uma luta histórica por condições dignas de permanência estudantil em uma das regiões mais carentes do estado.
O novo refeitório, que tem capacidade para atender simultaneamente até 180 estudantes, foi construído com um investimento total de R R$ 2.134.263,99. Desse montante, R$ 814.604,00 vieram de uma emenda parlamentar destinada pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG). O restante dos recursos foi viabilizado por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, em uma articulação que envolveu as três esferas do poder público.
“O refeitório é uma demanda muito grande da nossa comunidade. Um campus com 16 anos de existência não tinha ainda um espaço digno como esse para a alimentação”, desabafou o diretor-geral da unidade, Irã Pinheiro Neiva, em entrevista antes da inauguração. A declaração ecoa o sentimento de centenas de alunos que, ao longo de mais de uma década e meia, tiveram que se virar com lanches improvisados, marmitas trazidas de casa ou comida comprada em estabelecimentos comerciais distantes do instituto.
Apesar da entrega do prédio, o funcionamento pleno do restaurante estudantil ainda depende de etapas complementares. Os principais equipamentos e mobiliários já foram adquiridos com recursos da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC), que destinou R$ 240 mil para essa finalidade. No entanto, o Campus Araçuaí aguarda a liberação orçamentária complementar para comprar os equipamentos restantes — o que inclui fogões industriais, freezers, exaustores e utensílios de cozinha em escala.
Enquanto isso, a unidade já planeja o próximo passo: ainda neste ano, a previsão é que o refeitório comece a fornecer refeições prontas por meio de uma empresa terceirizada. A contratação será feita por processo licitatório, previsto para o segundo semestre. Paralelamente, o espaço será utilizado para armazenamento, manipulação e distribuição dos alimentos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que atende diariamente os estudantes do ensino médio integrado.
Nos últimos dois anos, os alunos dos cursos superiores também vêm recebendo lanches, financiados exclusivamente com recursos próprios do campus. Porém, o diretor-geral faz questão de ponderar: essa ação não é permanente, pois depende da disponibilidade orçamentária anual de cada exercício. “Esperamos conseguir recurso suficiente para subsidiar o valor da refeição para o aluno mais carente, pois é isso que vai fazer a diferença”, afirmou Irã Neiva, ao destacar que o pleno funcionamento do restaurante, com preços acessíveis à população de baixa renda, só será realidade com um aporte contínuo do governo federal.
A construção do refeitório carrega também uma camada simbólica e emocionante. O primeiro esboço do projeto — os estudos iniciais e os primeiros rascunhos — foi iniciado pelo engenheiro civil Jefferson Rodrigo Costa Bueno, servidor do próprio campus. Tragicamente, ele faleceu durante a pandemia de covid-19, sem ver sua ideia sair do papel. Para dar continuidade ao trabalho, a instituição lançou um edital de chamada pública para captação de profissionais colaboradores voluntários. Responderam ao apelo:
Projeto arquitetônico: arquiteta Laíse Silva Xavier Junqueira (colaboradora externa);
Projetos estrutural e hidrossanitário: engenheiro civil Manoel Gonçalves Cardoso (colaborador externo);
Projeto elétrico: engenheiro eletricista Leonardo Prudêncio, servidor da Diretoria de Infraestrutura da Reitoria do IFNMG;
Projeto de combate a incêndio: engenheira civil Emy Jéssica Mendes Barbosa, servidora do IFNMG-Campus Salinas.
Com a colaboração desses profissionais, o sonho de Jefferson ganhou forma, segurança e viabilidade técnica. Em meio aos discursos de inauguração, espera-se que haja um minuto de silêncio ou uma homenagem explícita ao engenheiro que, mesmo sem concluir a obra, foi o primeiro a acreditar que um dia os alunos do Campus Araçuaí teriam um lugar digno para fazer suas refeições.
A expectativa agora é que, ainda no segundo semestre de 2026, o refeitório esteja servindo almoços e jantares. Resta saber se o governo federal dará a contrapartida necessária para que o prato mais barato chegue à bandeja de quem mais precisa. Até lá, a inauguração desta sexta-feira já é uma vitória — ainda que incompleta — para a comunidade acadêmica de Araçuaí.



