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Unimontes desenvolve adaptador para cadeira de rodas que devolve autonomia - Rede Gazeta de Comunicação

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Unimontes desenvolve adaptador para cadeira de rodas que devolve autonomia

Tecnologia criada no Norte de Minas recebe carta-patente do INPI e poderá transformar a qualidade de vida de pacientes com doença degenerativa rara

Uma inovação desenvolvida no Norte de Minas poderá transformar a rotina e devolver autonomia a pessoas diagnosticadas com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara e progressiva que provoca degeneração muscular e perda gradual dos movimentos. Pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros desenvolveram um adaptador para cadeira de rodas capaz de auxiliar portadores da doença na realização de tarefas simples do cotidiano, promovendo mais independência, funcionalidade e qualidade de vida.

O invento, denominado “Adaptador para cadeira de rodas de portadores de Distrofia Muscular de Duchenne (DMD)”, acaba de conquistar a carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A conquista representa um marco importante para a produção científica e tecnológica da universidade pública norte-mineira e reforça o protagonismo da instituição na criação de soluções voltadas ao bem-estar social e à inclusão.

Laura Adriana Ribeiro

Com a concessão oficial da patente, o próximo passo será buscar parcerias com empresas ou instituições interessadas em produzir e disponibilizar o equipamento para o mercado, possibilitando que a tecnologia alcance pacientes de diversas regiões do país.

A inovação nasceu a partir das pesquisas desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Estadual de Montes Claros e foi idealizada pela pesquisadora Laura Adriana Ribeiro Lopes durante sua dissertação de mestrado. O projeto teve orientação da professora Elytânia Veiga Menezes e contou com a participação de uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da universidade.

Segundo Laura Adriana Ribeiro Lopes, o equipamento foi criado para substituir o braço convencional da cadeira de rodas e permitir que portadores da Distrofia Muscular de Duchenne recuperem parte dos movimentos dos membros superiores, severamente comprometidos pela doença.

“O adaptador devolve ao portador da distrofia a capacidade de realizar atividades simples do cotidiano que vão sendo perdidas com a evolução da doença”, explica a pesquisadora. Entre essas atividades estão ações como tomar água, utilizar aparelhos celulares, manusear joysticks de videogame, operar teclados assistivos e executar movimentos básicos de interação social e comunicação.

O funcionamento do equipamento utiliza motores de passo controlados por uma plataforma de prototipagem eletrônica baseada em tecnologia ARDUINO. Os movimentos são acionados por meio de um joystick, permitindo ao usuário controlar o adaptador de maneira prática e acessível.

Além da funcionalidade, outro diferencial destacado pelos pesquisadores é o baixo custo do equipamento, fator considerado essencial para ampliar o acesso à tecnologia assistiva e beneficiar famílias que convivem com os desafios financeiros e emocionais impostos pela doença.

A Distrofia Muscular de Duchenne é causada por mutações genéticas que impedem a produção da distrofina, proteína fundamental para a manutenção das fibras musculares. A ausência dessa proteína provoca enfraquecimento progressivo dos músculos, comprometendo gradualmente a mobilidade, a coordenação motora e a independência dos pacientes.

Com o avanço da doença, movimentos considerados simples tornam-se cada vez mais difíceis, exigindo adaptações e equipamentos específicos para garantir conforto, autonomia e inclusão social. Nesse contexto, o adaptador desenvolvido pela Universidade Estadual de Montes Claros surge como uma alternativa inovadora capaz de impactar diretamente a vida dos pacientes.

A equipe responsável pela criação reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, demonstrando a força da integração entre ciência, tecnologia e inovação. Além de Laura Adriana Ribeiro Lopes e da professora orientadora Elytânia Veiga Menezes, participaram do projeto os professores Afrânio Farias de Melo Júnior, Dario Alves de Oliveira, Ernane Mendes Botelho e Vanessa de Andrade Royo.

Os pesquisadores destacam que o desenvolvimento do equipamento sempre teve como principal objetivo gerar impacto social concreto e criar soluções capazes de melhorar efetivamente a vida das pessoas.

O professor Dario Alves de Oliveira ressaltou que a concessão da patente representa não apenas um reconhecimento científico e tecnológico para a universidade, mas também um avanço importante para a saúde pública e para o fortalecimento da produção inovadora desenvolvida no Norte de Minas.

Segundo ele, a conquista também contribui para a avaliação acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação.

A pró-reitora de Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros, professora Maria das Dores Magalhães Veloso, afirmou que a carta-patente demonstra o potencial dos pesquisadores da instituição e evidencia a capacidade da universidade em desenvolver projetos com relevância científica, tecnológica e social.

Ela destacou ainda que a conquista fortalece o compromisso da universidade com o desenvolvimento regional, a formação de profissionais qualificados e a promoção do conhecimento científico voltado à melhoria da sociedade.

Atualmente, a Unimontes possui três patentes concedidas e outras 16 depositadas junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, consolidando sua atuação na área de inovação tecnológica.

A coordenadora de Inovação Tecnológica da universidade, professora Sara Antunes, responsável pela tramitação da propriedade intelectual do equipamento, explicou que o desafio agora é aproximar o invento do setor produtivo para que a tecnologia possa ser efetivamente transformada em produto disponível para a população.

Segundo ela, enquanto permanece no ambiente de pesquisa, o equipamento é classificado como uma patente de invenção. A partir do momento em que chega ao mercado e passa a ser utilizado pela sociedade, torna-se uma inovação tecnológica consolidada.

A expectativa é que empresas da área médica, tecnológica ou de equipamentos assistivos demonstrem interesse na fabricação do adaptador, permitindo a ampliação do acesso ao dispositivo e beneficiando pacientes de todo o Brasil.

No Norte de Minas, a conquista é vista como símbolo da capacidade transformadora da ciência produzida nas universidades públicas. Em uma região historicamente marcada por desafios sociais e econômicos, iniciativas como essa demonstram o papel estratégico da pesquisa acadêmica no desenvolvimento humano, na inclusão social e na melhoria da qualidade de vida da população.

Mais do que um avanço tecnológico, o adaptador desenvolvido pela Universidade Estadual de Montes Claros representa esperança para famílias que convivem diariamente com as limitações impostas pela Distrofia Muscular de Duchenne. A invenção traduz, na prática, como a ciência pode se transformar em instrumento de dignidade, autonomia e cidadania.