Evento “Diálogos MROSC” traz sociólogo da Presidência da República a Montes Claros; manhã aborda desigualdades na educação e tarde aprofunda parcerias entre governo e organizações sociais
O fortalecimento da relação entre o poder público e as entidades que atuam na ponta da assistência social, da promoção de direitos e do desenvolvimento comunitário ganhará um capítulo especial em Montes Claros nesta quarta-feira (20 de maio). Isso porque a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), por meio do Observatório das Desigualdades e Discriminações Étnico-Raciais, firmou uma parceria estratégica com o Vicariato para Ação Social da Arquidiocese de Montes Claros para realizar o evento “Diálogos MROSC”. A iniciativa conta ainda com o apoio da Legião de Assistência Recuperadora (LAR) e da deputada estadual Leninha, que há anos atua em pautas ligadas à justiça social e à defesa dos direitos humanos.
A sigla MROSC pode soar técnica, mas seu significado é profundamente prático. Trata-se do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil — um conjunto de normas federais que estabelece regras claras, transparentes e seguras para as parcerias entre o governo e as entidades sem fins lucrativos. Em tempos de escassez de recursos e desconfiança mútua entre gestores públicos e ativistas, entender o MROSC é condição essencial para que projetos sociais saiam do papel, recebam financiamento legal e prestem contas com eficiência.
E quem melhor para conduzir esse diálogo do que alguém que vive o tema dentro da própria estrutura federal? O evento terá como convidado especial o sociólogo Eduardo Brasileiro, diretor de Parcerias com a Sociedade Civil da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, órgão vinculado à Secretaria-Geral da Presidência da República. Ou seja: Montes Claros receberá um dos principais formuladores e executores da política nacional de relação com as organizações da sociedade civil. A presença de Brasileiro indica que o governo federal enxerga a região Norte de Minas como um território estratégico para o fortalecimento dessa agenda.
A programação do dia foi pensada para atingir dois públicos complementares. Pela manhã, a partir das 8h, o sociólogo ministrará a conferência “As desigualdades no acesso à educação brasileira: estratégias de enfrentamento para a promoção da justiça social e racial”. O local será o auditório do Circuito de Conhecimentos, Laboratório 7, no campus-sede da Unimontes. O tema não poderia ser mais urgente. Dados recentes mostram que, embora o acesso à escola básica tenha se universalizado no Brasil, a qualidade do ensino e as taxas de conclusão seguem profundamente marcadas por recortes de raça, classe social e território. Alunos negros, indígenas e quilombolas, especialmente os que vivem em áreas rurais ou periferias urbanas, ainda enfrentam barreiras imensas para permanecer e progredir nos estudos. A conferência promete trazer números, análises e propostas concretas de enfrentamento.
Os interessados em participar da manhã de debates devem se inscrever antecipadamente por meio do link https://sigex.unimontes.br/acao/8714. O acesso é gratuito, e as vagas são limitadas — o que recomenda pressa aos interessados.
Já a parte da tarde reserva um encontro de tom mais prático e articulador. Às 15h, o “Diálogos MROSC” acontecerá no Nosso LAR, endereço conhecido de quem atua na assistência social em Montes Claros: Rua Glaucilândia, 175, bairro São Judas. A escolha do local não é casual. O LAR (Legião de Assistência Recuperadora) é uma instituição histórica na cidade, com décadas de atuação no acolhimento de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Receber o evento ali é também uma forma de reconhecer o trabalho de base que as organizações da sociedade civil realizam diariamente, muitas vezes com poucos recursos e muita criatividade.
Nesse encontro vespertino, estarão reunidos representantes de organizações sociais, lideranças comunitárias, gestores públicos, membros da Arquidiocese, professores e pesquisadores da Unimontes, além do próprio Eduardo Brasileiro e da deputada Leninha. O objetivo central é ampliar o debate sobre a implementação do MROSC em Montes Claros — não como um tema abstrato, mas como uma ferramenta viva para desburocratizar e dar segurança jurídica às parcerias. Quantos projetos sociais não emperram porque um edital é mal redigido, porque um termo de colaboração não se adequa à realidade local ou porque faltam orientações claras sobre prestação de contas? O MROSC veio para resolver (ou ao menos minimizar) esses gargalos. E o diálogo promovido na quarta-feira quer exatamente ajudar gestores municipais e dirigentes de OSC (Organizações da Sociedade Civil) a dominarem essa legislação.



