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SILÊNCIO QUE MATA, VOZ QUE SALVA | Salinas veste laranja e sai às ruas para proteger crianças e adolescentes - Rede Gazeta de Comunicação

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SILÊNCIO QUE MATA, VOZ QUE SALVA | Salinas veste laranja e sai às ruas para proteger crianças e adolescentes

Com palestras em escolas e blitz educativa nos semáforos, Prefeitura mobiliza população contra abuso e exploração sexual; “falar é o primeiro passo”, destacam organizadores

O mês de maio já é tradicionalmente marcado pelo tom alaranjado que se espalha por cidades de todo o Brasil — e Salinas, no Norte de Minas Gerais, não ficou de fora dessa corrente de proteção. Na última segunda-feira (18), a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Políticas Públicas, promoveu um conjunto de ações contundentes alusivas à campanha Maio Laranja, que visa conscientizar a população sobre a gravidade do abuso e da exploração sexual contra crianças e adolescentes.

Diferentemente de anos anteriores, quando as ações se restringiam a panfletagens isoladas, a edição de 2026 trouxe uma abordagem mais incisiva e descentralizada. A equipe da pasta social dividiu-se em duas frentes de atuação simultânea, garantindo que a mensagem chegasse tanto ao ambiente escolar quanto às vias de maior movimento da cidade.

A primeira frente concentrou-se na rede municipal de ensino. Educadores sociais, psicólogos e assistentes sociais conduziram palestras interativas em escolas localizadas em bairros como Santo Antônio, São Geraldo e COHAB. As apresentações não se limitaram a exposição de dados alarmantes — a cada ano, milhares de casos de violência sexual contra menores são notificados no país, muitos deles cometidos por pessoas próximas às vítimas. Os profissionais também ensinaram crianças e adolescentes a identificarem sinais de abuso, a dizerem “não” quando se sentirem desconfortáveis e, principalmente, a procurarem um adulto de confiança para relatar qualquer situação suspeita. Uma das ferramentas mais repetidas durante os encontros foi o “toque do não”: um método lúdico que ajuda os pequenos a distinguirem carinho adequado de invasão.

A segunda frente da mobilização aconteceu em pleno centro urbano, sob os semáforos da Avenida Wilson Fernandes e da Praça Doutor José Esteves. Ali, equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social montaram uma blitz educativa de impacto. Trajados com camisetas laranjas e faixas de conscientização, os agentes abordaram motoristas e pedestres que aguardavam a abertura dos sinais. Em menos de dois minutos por veículo, os trabalhadores entregavam panfletos com o Disque 100 (canal nacional de denúncias), explicavam os principais tipos de violência — abuso físico, psicológico, exploração sexual comercial e pornografia infantil — e pediam que cada cidadão se tornasse um fiscal da infância e juventude salinense.

“Falar é o primeiro passo para proteger”, repetia-se em letras garrafais nos cartazes fixados nos postes próximos aos cruzamentos. A frase, que se tornou o mantra da campanha deste ano, foi escolhida justamente por quebrar um dos maiores obstáculos no combate a esse tipo de crime: o silêncio. Seja por medo, vergonha ou desinformação, muitas vítimas demoram anos para denunciar seus agressores — quando denunciam. Ao levar o debate para a rua, a Prefeitura de Salinas enviou um recado claro: o problema não é apenas das famílias ou das escolas, mas de toda a sociedade.

O secretário municipal de Desenvolvimento Social e Políticas Públicas (cujo nome pode ser incluído aqui se disponível) destacou que as ações de segunda-feira não foram um ponto final, mas sim o início de uma campanha de conscientização que se estenderá por todo o mês de maio e deverá ter desdobramentos no restante do ano letivo. “Nosso objetivo é criar uma rede de proteção tão forte que o agressor se sinta vigiado antes mesmo de agir. A criança que aprende a pedir ajuda é uma criança que se torna um alvo mais difícil”, afirmou o secretário durante entrevista concedida no intervalo entre uma palestra e outra.

Além das atividades presenciais, a Prefeitura também investiu em materiais digitais. Vídeos curtos com orientações simples foram produzidos e estão sendo veiculados nas redes sociais oficiais do município, com compartilhamento estimulado entre líderes comunitários e diretores de escolas. Um QR Code estampado nos panfletos distribuídos na blitz leva diretamente a um site com perguntas frequentes e um guia rápido para pais e responsáveis identificarem comportamentos suspeitos nos filhos.

A campanha Maio Laranja é uma iniciativa nacional que remete ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio. A data foi instituída em memória de Araceli Crespo, uma menina de 8 anos que foi sequestrada, drogada, estuprada e assassinada em 1973 no Espírito Santo. O crime, apesar da comoção da época, permaneceu impune. Mais de cinco décadas depois, a tragédia de Araceli continua sendo símbolo da necessidade urgente de políticas públicas efetivas.

Em Salinas, a mensagem final da mobilização foi clara: não basta vestir laranja por um dia. É preciso agir todos os dias. E agir, neste caso, significa falar, escutar, denunciar e, acima de tudo, acolher. As escolas seguirão com rodas de conversa periódicas; os agentes comunitários de saúde farão visitas domiciliares com foco em vulnerabilidade social; e a Secretaria de Desenvolvimento Social manterá um canal de atendimento prioritário para denúncias anônimas.

A campanha deste ano mostrou que Salinas está no caminho certo. Mas, como lembrou um dos cartazes confeccionados por alunos de uma escola municipal: “Uma flor laranja não floresce sozinha. Ela precisa de solo fértil, água e cuidado. A nossa infância também.”

Que o laranja continue a brilhar — não apenas em maio, mas em todos os meses do ano. O combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes não é uma escolha. É um compromisso inegociável de toda a sociedade salinense, gorutubana, brasileira.