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ECONOMIA | Inflação acelera em Montes Claros e cesta básica já sobe 10,86% em 2026 - Rede Gazeta de Comunicação

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ECONOMIA | Inflação acelera em Montes Claros e cesta básica já sobe 10,86% em 2026

Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros aponta alta de 0,91% no custo de vida em abril, puxada principalmente pelos alimentos e combustíveis; trabalhador compromete quase 40% da renda com itens básicos

O custo de vida voltou a pesar no bolso dos moradores de Montes Claros. Pesquisa divulgada pela Universidade Estadual de Montes Claros apontou que a inflação no município acelerou em abril, impulsionada principalmente pelos aumentos nos alimentos e nos combustíveis. O Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-Moc) registrou alta de 0,91% no mês passado, acima dos 0,70% observados em março. Com o novo resultado, o acumulado da inflação em 2026 já alcança 2,64%.

O levantamento é realizado pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Unimontes e acompanha mensalmente a evolução dos preços pagos pelas famílias montes-clarenses com renda entre um e seis salários mínimos.

De acordo com a coordenadora do IPC-Moc, a professora Vânia Vilas Boas, o cenário revela a permanência das pressões inflacionárias sobre o orçamento das famílias da cidade.

Segundo ela, os grupos Alimentação e Transportes e Comunicação foram os principais responsáveis pela alta do índice em abril. “Os resultados do IPC-Moc evidenciam a continuidade das pressões inflacionárias sobre o custo de vida das famílias montes-clarenses, especialmente nos grupos Alimentação e Transportes e Comunicação, que apresentaram as maiores contribuições para o índice geral do mês”, destacou.

A pesquisadora explica ainda que fatores climáticos, sazonais e logísticos influenciaram diretamente o aumento de produtos alimentícios in natura, além da elevação nos preços dos combustíveis, refletindo em diversos setores da economia local.

O grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição das despesas domésticas, apresentou alta de 1,56% em abril e respondeu sozinho por quase metade do resultado final do índice geral. Entre os itens que mais subiram estão produtos bastante consumidos pelas famílias, como leite longa vida (10,35%), mortadela (4,97%), maisena (3,44%), biscoito (3,33%), sardinha em lata (2,98%), óleo de soja (2,90%) e queijo minas (1,68%).

Os maiores aumentos, entretanto, foram registrados nos hortifrutigranjeiros. A batata inglesa disparou 20,24%, seguida pela cenoura (18,55%), cebola seca (15,95%), melão (14,03%), repolho (13,14%), melancia (13,05%) e tomate (11%). Também tiveram alta beterraba, batata-doce, manga, abacaxi, chuchu e coco.

Apesar das elevações expressivas, alguns alimentos apresentaram redução de preços, ajudando a amenizar parcialmente o impacto no orçamento doméstico. Entre as quedas estão café (-1,61%), óleo de girassol (-1,43%), salsicha a granel (-1,10%) e massa de tomate (-1,09%). Frutas e verduras também registraram retração, caso do maracujá (-10,51%), banana-caturra (-7,67%), goiaba (-6,44%) e pepino (-4,41%).

Outro setor que pressionou o índice foi o de Transportes e Comunicação, com alta de 1,53% no mês. O principal destaque ficou por conta do óleo diesel, que teve aumento de 9,56%. Também subiram gasolina (0,63%), etanol (0,37%) e seguro particular de veículos (4,20%).

No grupo Habitação, a variação foi de 0,48%. O reajuste do aluguel residencial chamou atenção, com aumento médio de 4,10%, além da alta do gás de cozinha, que avançou 2,40%. Produtos de limpeza doméstica, como detergente, sabão em pó e água sanitária, também ficaram mais caros.

Já o grupo Saúde e Cuidados Pessoais apresentou aumento de 0,51%. Os reajustes mais significativos ocorreram em medicamentos, especialmente antidepressivos (8,84%), remédios para hipertensão (7,57%), anti-inflamatórios (6,96%) e medicamentos para colesterol (4,07%). Os planos de saúde também registraram elevação de 1,46%.

O setor de Artigos de Residência e Serviços Domésticos teve alta moderada de 0,47%, influenciada principalmente pelo aumento nos preços de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, como computador, tablet, aparelho telefônico e secadora de roupas. Em contrapartida, aparelhos celulares, ventiladores e cafeteiras apresentaram redução.

No Vestuário, a inflação foi de 0,81%, puxada por itens de cama, mesa e banho, enquanto o grupo Educação e Despesas Pessoais foi o único a registrar queda, com retração de 0,72%, influenciada principalmente pela redução nos preços de cadernos, envelopes e brinquedos.

Cesta básica sobe mais de 10% no ano

Além da inflação geral, o levantamento da Unimontes apontou novo aumento da cesta básica em Montes Claros. Em abril, os preços dos 13 produtos essenciais subiram 3,21%, após já terem registrado alta de 5,07% em março.

Com isso, a cesta básica acumula elevação de 10,86% apenas nos quatro primeiros meses de 2026, percentual muito acima da inflação geral registrada no mesmo período.

O custo médio da cesta passou de R$ 605,94 em março para R$ 625,37 em abril. O levantamento considera produtos fundamentais para a alimentação das famílias, como carne bovina, leite, feijão, arroz, farinha, tomate, batata, pão francês, café, banana, açúcar, óleo e margarina.

Com base em um rendimento mensal de R$ 1.621, o trabalhador montes-clarense precisou comprometer 38,58% da renda apenas para adquirir os itens básicos de alimentação. Após a compra da cesta, sobraram R$ 995,63 para custear despesas como moradia, transporte, saúde, higiene pessoal, lazer e vestuário.

Criado em 1982, o IPC-Moc é considerado um dos principais indicadores econômicos regionais e acompanha mensalmente a evolução do custo de vida em Montes Claros, servindo como referência para consumidores, empresários e instituições públicas.