A preocupação com a segurança do paciente, a prevenção de infecções hospitalares e a qualificação das práticas assistenciais ganhou destaque no Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), em Montes Claros, com a realização da campanha “Missão Mãos Limpas”, promovida pela Liga Acadêmica de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (LIRAS), vinculada à Universidade Estadual de Montes Claros.
A iniciativa ocorreu nos dias 7 e 8 de maio e integrou as ações alusivas ao Dia Mundial da Higienização das Mãos, celebrado em 5 de maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A campanha extensionista reuniu estudantes, profissionais da saúde, gestores, servidores administrativos e equipes multidisciplinares do Hospital Universitário Clemente de Faria em uma ampla mobilização educativa voltada ao fortalecimento da cultura de segurança dentro do ambiente hospitalar.
Com o tema “Missão Mãos Limpas”, a ação buscou conscientizar sobre a importância da higienização correta das mãos como uma das medidas mais simples, eficazes e econômicas para evitar as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), consideradas um dos maiores desafios enfrentados pelas instituições hospitalares em todo o mundo.
Cultura de segurança e prevenção
A campanha teve como foco principal estimular mudanças de comportamento e fortalecer a cultura de segurança do paciente entre profissionais e acadêmicos. A proposta foi além das orientações tradicionais e apostou em metodologias participativas, aproximando teoria e prática de forma dinâmica e acessível.
Segundo os organizadores, a higienização adequada das mãos representa uma barreira essencial contra a disseminação de microrganismos no ambiente hospitalar, reduzindo riscos para pacientes, acompanhantes e equipes assistenciais. A ação também reforçou a importância da adesão aos protocolos de biossegurança e às metas internacionais de segurança do paciente estabelecidas pela OMS.
Planejada pela presidência da LIRAS, a campanha contou com a atuação de 18 ligantes, sob supervisão das docentes apoiadoras da Liga e do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do hospital universitário. O SCIH integra o campo de extensão da liga acadêmica e atua diretamente no monitoramento e prevenção de infecções dentro da unidade hospitalar.
Durante os dois dias de atividades, aproximadamente 250 participações diretas foram registradas. O público envolveu profissionais assistenciais, administrativos, acadêmicos, estagiários, gestores e trabalhadores de diversos setores do hospital, demonstrando o alcance coletivo da iniciativa.
Circuito educativo interativo
Um dos diferenciais da campanha foi a criação de um circuito educativo interativo estruturado em estações temáticas. A proposta transformou conteúdos técnicos em experiências práticas e dinâmicas, incentivando o aprendizado de forma lúdica e participativa.
Ao iniciar o percurso, cada participante recebia um “passaporte da higiene”, documento simbólico no qual eram inseridos selos conforme as atividades eram concluídas. A estratégia funcionou como estímulo ao engajamento e permitiu acompanhar a participação de cada integrante no circuito.
A média registrada foi de três estações por participante, o equivalente a cerca de 75% das atividades propostas. Ao final do percurso, os participantes passavam por uma estação de resgate de brindes, recebendo itens como bombons, álcool em gel, bloco de anotações e caneta.
Além do caráter educativo, a iniciativa buscou criar uma experiência acolhedora e motivadora, reforçando a mensagem sobre a importância da prevenção de infecções de maneira leve e acessível.
Tecnologias educacionais inovadoras
Outro destaque da campanha foi a utilização de quatro tecnologias educacionais desenvolvidas pelas acadêmicas de enfermagem do 8º período e fundadoras da LIRAS, Alícia Lafetá Caldeira Brant e Luciana Gabriella Caires Sousa Magalhães.
Os jogos educativos foram criados entre fevereiro e maio de 2026, a partir da observação de falhas assistenciais no cotidiano hospitalar e da necessidade de transformar conteúdos técnicos em estratégias mais didáticas, aplicáveis e eficientes no processo de aprendizagem.
As ferramentas abordaram diferentes aspectos relacionados à prevenção das IRAS e à segurança do paciente. Uma das estações, intitulada “Raio-X da Assistência: Onde está o risco?”, trabalhava a identificação de falhas presentes na rotina hospitalar, estimulando o olhar crítico dos participantes sobre práticas assistenciais.
Já o “Giro da Segurança”, organizado em formato de roleta temática, promovia desafios envolvendo higienização das mãos, uso correto de luvas, metas internacionais da OMS, técnica asséptica e prevenção de infecções. A dinâmica incentivava respostas rápidas e estimulava a tomada de decisão em situações do cotidiano hospitalar.
Outra estação, chamada “Protocolo Seguro: Monte a Conduta Correta”, propunha aos participantes organizar o fluxo adequado de um atendimento, incluindo os momentos corretos para higienização das mãos e adoção de medidas preventivas.
Encerrando o circuito, a atividade “Decisão Segura: O que você faria?” funcionava como um quiz clínico baseado em situações reais do ambiente hospitalar. A proposta estimulava o raciocínio rápido, o pensamento crítico e a tomada de decisões diante de possíveis riscos assistenciais.
Compromisso coletivo
Todo o evento foi custeado integralmente pelos próprios integrantes da liga acadêmica. Os recursos foram utilizados na produção dos jogos, impressão e plastificação de materiais, aquisição de brindes e organização estrutural das atividades.
O esforço coletivo reforçou o compromisso dos estudantes com a promoção da segurança do paciente, a educação em saúde e a qualificação das práticas assistenciais dentro do hospital universitário.
A campanha também evidenciou o papel da extensão universitária como ferramenta de transformação social e formação profissional, aproximando os acadêmicos da realidade hospitalar e incentivando o desenvolvimento de competências essenciais para a atuação na área da saúde.
Para os organizadores, ações como a “Missão Mãos Limpas” contribuem para consolidar uma assistência mais segura, humanizada e comprometida com a prevenção de infecções, fortalecendo a integração entre ensino, serviço e comunidade hospitalar.



