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Me abrace: a medida do encontro - Rede Gazeta de Comunicação

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Me abrace: a medida do encontro

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Eu assisti a série Me abrace.

E, antes mesmo da história começar… foi o título que me chamou.

Não era “te abraço”.

Era “me abrace”.

E ali já existia um começo:

um pedido.

Um movimento de dentro para fora.

Uma forma de comunicação que nasce da falta, mas também da coragem de dizer.

No meu livro, Arena da Comunicação, eu falo da metáfora da árvore como medida da vida.

As raízes são o passado.

A memória.

Aquilo que nos sustenta, mesmo quando não vemos.

O tronco é o presente.

A medida dos nossos relacionamentos.

A ponte entre o que foi e o que pode vir a ser.

E a copa…

a copa é o futuro.

As possibilidades.

Os sonhos que ainda procuram forma.

Em uma das cenas, há uma árvore dentro da sala da casa.

Ela está ali, inteira… mas não cresce.

Não é um detalhe.

É um sinal.

Há coisas na vida que ficam suspensas no tempo,

esperando um gesto.

Não para mudar o que foi…

mas para permitir que a gente volte a olhar.

Mas foi no final que tudo fez mais sentido.

E ali, pela primeira vez, eu entendi com mais profundidade o que eu mesma escrevi.

.

O tronco — a medida dos relacionamentos —

não começa no outro.

Ele começa quando eu consigo me sustentar

no encontro comigo mesma.

Quando eu não fujo da minha memória,

mas também não deixo que ela seja a única narrativa.

Quando eu me permito esse gesto silencioso de presença:

ficar.

Porque crescimento não é automático.

Ele depende de um ponto de equilíbrio.

E esse ponto…

é o aqui e agora.

É o “me abrace” como medida do presente.

Nem passado negado.

Nem futuro antecipado.

Apenas o suficiente para sustentar o que ainda está sendo compreendido.

E só depois disso…

o encontro com o outro pode acontecer de verdade.

Percebi que todo relacionamento começa

quando alguém encontra, dentro de si,

um lugar possível de permanecer.

E, a partir dali,

estender os braços.