Dono da SAF completa 24 meses à frente do clube com reformas, contratações milionárias, títulos e uma relação umbilical com a torcida — mas ainda em obra
O dia 29 de abril entrou no calendário celeste. Não por um jogo, mas por uma caneta. Há exatos dois anos, o empresário Pedro Lourenço, o Pedrinho, assinou o contrato que o tornava dono da Sociedade Anônima do Futebol do Cruzeiro, encerrando a passagem de Ronaldo Fenômeno e inaugurando um modelo de gestão movido a dinheiro, emoção e ambição.
De lá para cá, o clube deixou de apenas sobreviver para voltar a sonhar. Foram 730 dias de reformas, contratações de peso, reconstrução estrutural e, finalmente, títulos. Mas também de aprendizado — porque amor ao clube, por si só, não ganha jogo.
A compra que já vinha sendo escrita
Antes mesmo de oficializar a compra, Pedrinho já agia como sócio de fato. Pagou reformas na Toca da Raposa 2, bancou contratações pontuais e se aproximou da gestão Ronaldo num movimento que muitos chamaram de “namoro longo”. O casamento veio em abril de 2024, quando o empresário desembolsou o valor acordado e assumiu o controle total.
A transição representou uma guinada de estilo: saiu a política de austeridade, entrou a lógica de investimento imediato. O dono da rede Supermercados BH colocou na mesa o que o clube não tinha há anos: poder de fogo.
Do caixa ao campo: as contratações que mudaram o patamar
Nos primeiros meses, a nova gestão tratou de mostrar serviço. O Cruzeiro, que antes garimpava em fim de contrato, passou a disputar contratações com clubes de primeiro escalão.
Em 2024 chegaram: Cássio (goleiro de seleção), Kaio Jorge (promessa repatriada), Matheus Henrique (volante de contenção) e Lautaro Díaz (aposta argentina que deu certo).
Em 2025, o passo foi ainda maior: Gabigol e Dudu vestiram azul. Os nomes reacenderam a mídia nacional sobre o clube.
Em 2026, veio o golpe de mestre: Gerson foi contratado por 30 milhões de euros — a maior compra da história centenária do Cruzeiro.
O que a taça mostra
Resultado de tanto investimento começou a aparecer no lugar mais importante: o campo.
• 2024: vice-campeão da Copa Sul-Americana. O clube voltou a fazer barulho internacional depois de anos amargando fila e até rebaixamento.
• 2025: terceiro lugar no Brasileirão. Vaga direta na Libertadores.
• 2026: Campeonato Mineiro na galeria. O primeiro título de expressão da nova era.
A Toca que cresceu e as contas que não param de girar
Fora das quatro linhas, Pedrinho também investiu pesado na infraestrutura. A Toca da Raposa 2 ganhou novos departamentos, gramados reformulados e espaços de recuperação ampliados — ambiente que atrai jogadores e alivia queixas históricas do elenco.
Nas finanças, o clube avançou no pagamento de dívidas antigas e tentou organizar o balanço para que o projeto não dependa apenas do bolso do dono. A sustentabilidade ainda é um capítulo em aberto.
Pedrinho, o torcedor que virou patrão
Se Ronaldo era distante, Pedrinho é a antítese. Cruzeirense assumido, ele frequenta o Mineirão, abraça jogadores, chora com vitórias e não foge da cobrança. Essa relação visceral com a “China Azul” ajudou a apagar a desconfiança dos primeiros meses e a construir um ambiente de cumplicidade.



