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COBRANÇA INTERNA | “Não preciso que me digam se sou bom ou ruim" - Rede Gazeta de Comunicação

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COBRANÇA INTERNA | “Não preciso que me digam se sou bom ou ruim”

Eduardo Domínguez surpreendeu ao valorizar performance ofensiva do Galo na derrota, pediu personalidade para atravessar turbulência e afirmou que pressão externa não abala sua crença no trabalho

A goleada sofrida por 4 a 0 para o Flamengo, no último domingo (26/4), na Arena MRV, poderia ter sido o golpe definitivo para um técnico sob pressão. Mas Eduardo Domínguez não é dado a lamúrias. Em entrevista coletiva após o revés que jogou o Atlético para a 15ª colocação do Campeonato Brasileiro — agora com o fantasma do rebaixamento rondando de forma incômoda — o argentino deu uma aula particular de autoafirmação.

“Eu creio em mim. Não preciso de um tapinha nas costas para que me digam se sou bom ou ruim. Obviamente, todo mundo precisa de resultado, mas isso não vai me mostrar se sou um mau treinador.”

As declarações, em tom firme e sem hesitação, revelam um treinador que escolheu o confronto direto com o momentâneo conturbado. Longe de pedir trégua da torcida ou da imprensa, Domínguez dobrou a aposta na própria convicção e transferiu parte significativa da responsabilidade para o elenco.

“Se joguem ou não, todos precisam estar convencidos”

O discurso do técnico teve um destinatário claro: o grupo de jogadores. Para ele, a irregularidade tática só será superada quando houver adesão mental irrestrita à ideia de jogo.

“Precisamos do convencimento de todos — se joguem ou não joguem. Se todos os jogadores creem neles e creem que são capazes de estar no lugar que nos oferecem, é claro que eu creio nisso. Mas não vou alcançar se eu estiver convencido e os jogadores não.”

Domínguez foi além ao elencar as virtudes que espera ver dentro de campo nos próximos confrontos: personalidade, caráter, ímpeto e, acima de tudo, coragem para enfrentar o momento delicado.

“O que quiser estar, vai estar. Isso não é para todos. Aquele que se levanta e ama o que faz vai seguir adiante com coragem. Porque isso não é para qualquer um.”

Sem autocomiseração e com olho na recuperação

A goleada sofrida para o Flamengo escancarou fragilidades defensivas, mas Domínguez surpreendeu ao valorizar a produção ofensiva do time — um movimento interpretado internamente como estratégia para blindar o elenco. O argentino também foi perguntado sobre cansaço mental diante dos maus resultados. A resposta foi categórica.

“Não estou cansado. Estou motivado. Creio em mim, creio nos jogadores, creio na instituição. Me falaram maravilhas do torcedor, e é maravilhoso. Precisamos de todos. É fácil agora nos criticar, pisar na nossa cabeça. Temos que ser fortes — é para isso que nos pagam.”

A realidade como ponto de partida

O argentino evitou discursos de autoajuda vazios. Em determinado momento, fez questão de reconhecer a gravidade da situação sem dramatizar.

“Sabemos que é um momento sensível. A realidade, lamentavelmente, é esta. E temos que assumi-la e aceitá-la para poder mudar. Se não aceitamos… Somos todos ou não somos nada.”

A frase final, quase filosófica, sintetiza o espírito que Domínguez tenta incutir no ambiente: unidade como condição para sobrevivência. Resta saber se o discurso encontrará eco dentro do vestiário e, mais importante, em campo — onde o Galo precisará transformar convencimento em resultados concretos nas próximas rodadas do Brasileirão.