O Governo de Minas Gerais iniciou uma série de medidas estratégicas para enfrentar a antecipação do período de maior circulação de vírus respiratórios em 2026. Por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o Estado tem intensificado o alinhamento com profissionais de saúde, hospitais e gestores municipais, com o objetivo de garantir uma resposta rápida e eficiente à crescente demanda por atendimentos.
A mobilização ganhou força com a realização do Fórum de Doenças Respiratórias, que reuniu cerca de 90 participantes em formato virtual, incluindo representantes de unidades hospitalares e municípios com serviços especializados. Durante o encontro, foram discutidas estratégias de organização da rede assistencial e protocolos de atendimento para casos graves.
Circulação precoce de vírus acende alerta
Dados do Serviço de Virologia e Riquetsioses da Fundação Ezequiel Dias (Funed) apontam uma mudança importante no comportamento epidemiológico neste ano. A circulação da Influenza A foi antecipada, acompanhada do avanço do vírus sincicial respiratório (VSR), em comparação com 2025.
Enquanto no ano passado o índice de positividade da gripe atingiu cerca de 20% apenas na semana epidemiológica 19, em 2026 esse patamar já se aproxima entre as semanas 13 e 15. O cenário indica maior velocidade de disseminação dos vírus, o que exige atenção redobrada das autoridades de saúde.
Segundo o especialista André Bernardes, a análise laboratorial permite identificar precocemente essas mudanças e orientar decisões estratégicas. Ele alerta, ainda, para o risco da sobreposição entre gripe e VSR, especialmente entre crianças e idosos, grupos mais vulneráveis a complicações.
Integração entre municípios e fortalecimento da rede
Durante a abertura do fórum, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, destacou a importância do diálogo contínuo com os 853 municípios mineiros para garantir uma assistência mais eficiente e adaptada às realidades locais.
“Em um estado com dimensões como Minas Gerais, é fundamental ouvir cada região para assegurar um cuidado direcionado e eficaz”, afirmou.
Para fortalecer a rede de atendimento, o Estado destina cerca de R$ 21,7 milhões anuais aos municípios que contam com centros de referência em doenças respiratórias, garantindo suporte financeiro para estrutura, equipes e atendimento especializado.
Vacinação e prevenção como prioridade
Uma das principais estratégias do Governo de Minas para reduzir casos graves e internações é a vacinação contra a gripe. No último Dia D, realizado em 11 de abril, mais de 820 municípios — o equivalente a 96% das cidades mineiras — participaram da mobilização, resultando na aplicação de mais de 150 mil doses.
A SES-MG reforça que a imunização é a forma mais eficaz de prevenção, especialmente para grupos prioritários. Além disso, medidas simples continuam sendo fundamentais, como higienizar as mãos com frequência, evitar aglomerações em períodos de alta circulação viral e proteger o rosto ao tossir ou espirrar.
Ampliação de leitos e monitoramento em tempo real
Com a expectativa de aumento na demanda por atendimentos, sobretudo entre o público infantil, o Estado já havia antecipado ações como a ampliação de leitos hospitalares. Unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) operam com capacidade expandida e têm possibilidade de abertura de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), conforme a necessidade.
Outra medida importante foi a ativação da Sala de Monitoramento dos Vírus Respiratórios, que acompanha em tempo real indicadores como número de casos, internações e taxa de ocupação hospitalar. O investimento estadual para reforçar a assistência durante o período sazonal chega a R$ 15 milhões.
Rede especializada e protocolos assistenciais
Minas Gerais conta atualmente com 11 centros de referência em doenças respiratórias, distribuídos em cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba e Uberlândia. Nessas unidades, são atendidos pacientes com quadros complexos, como asma grave, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), fibrose cística e doenças neuromusculares.
O protocolo estadual contempla seis grupos de doenças e estabelece critérios claros para encaminhamento, financiamento e monitoramento dos casos. A organização da assistência permite que pacientes com quadros leves sejam atendidos na Atenção Primária, enquanto casos moderados e graves são direcionados para serviços especializados.
De acordo com o técnico da SES-MG, Frederico Assis, a criação de protocolos tem sido essencial para reduzir lacunas no atendimento. “Nossa missão tem sido estruturar fluxos que evitem vazios assistenciais e garantam que cada paciente receba o cuidado adequado no tempo certo”, afirmou.
Preparação para o período crítico
Com a antecipação do pico de doenças respiratórias, o Governo de Minas reforça a importância da integração entre Estado e municípios, do monitoramento constante e da adesão da população às medidas preventivas.
A expectativa é de que, com planejamento e ações coordenadas, seja possível reduzir impactos no sistema de saúde e garantir atendimento de qualidade à população, especialmente nos períodos de maior pressão sobre os serviços.



